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Paixão de Cristo: Encenação acontece sob chuva em Rialto

Matéria publicada em 25 de março de 2016, 19:24 horas

 


Multidão de fieis prestigiou a 33ª edição da peça que retrata a vida, morte e ressureição de Jesus

25-03-16- Paixao de Cristo em Rialto- P. Dimas (5)

Tradição: Peça é encenada todo ano em Rialto, distrito de Barra Mansa.
(Foto: Paulo Dimas)

Barra Mansa – Mesmo sob chuva, a 33ª edição da encenação “Paixão de Cristo” reuniu uma multidão de fieis em Rialto, na tarde de ontem. O espetáculo itinerante, que retrata a vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo, começou com atraso e contou com apoio da Guarda Municipal, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. O percurso seguiu de um morro do distrito, simbolizando o Monte das Oliveiras, de onde desceram Jesus e os apóstolos, quando a chuva começou, mas os atores continuaram o trajeto.

Até chegar aos cenários montados na praça, o personagem de Jesus realizou uma série de curas milagrosa, e aconteceu a Santa Ceia e os respectivos encontros com Caifás, Pilatos e Herodes. A crucificação e ressurreição, como de costume, são encenadas em frente à Igreja Católica Divino Espírito Santo.

O diretor do grupo de 150 atores católicos, Pedro Paulo da Conceição, idealizador da peça, destacou a cooperação da comunidade e que a realização da encenação faz parte da sua vida.

– Isso é a minha vida e a comunidade se envolve, se doa e dá o melhor que pode para tudo sair muito bonito todos os anos. Sou muito grato a todos eles e agradeço a Deus por estar aqui podendo assistir a mais uma encenação – disse.

A tradição em Rialto é passada de geração a geração, como no caso de Verônica da Silva, de 42 anos, que há 25 anos participa da peça e incentivou os três filhos a integrarem ao grupo.

– Sou apaixonada, me emociono demais e fico feliz por sempre ter bastante gente prestigiando. Sou muito católica, comecei como anjinho e há dez anos faço o papel de Verônica mesmo, que seca o rosto de Cristo – contou Verônica, que também faz parte da organização.

A organização disse ainda que houve pouco apoio financeiro. Parte do recurso destinado às roupas, por exemplo, foi originado do aluguel de barracas do evento.

Muitos acompanham a tradição de prestigiarem o teatro, como a fiel Geralda da Conceição, de 60 anos, que todo ano sai do bairro próximo, Bocaininha.

– Acho uma mobilização muito linda, é muito bom ter um lugar próximo que mantém essa cultura religiosa e faz o feriado ter seu significado real. Rialto atrai muitas pessoas de fora por isso, é um lugar ótimo, que tem pessoas comprometidas com essa cultura – frisou.

Não é somente a fé que mobiliza os fieis todo ano. O diferencial da tradição local estimula parte da população a prestigiar o evento enquanto cultura referencial de Rialto. Além de também ser um meio de apresentar a história bíblica, principalmente às crianças, como a cabeleireira Joice Adão Marques, de 28 anos, que pela primeira vez prestigiou a peça e levou as filhas para entenderem melhor a história.

– Sempre ouvi falar, mas ainda não tinha vindo. Trouxe a minha família, inclusive as minhas filhas, porque é um jeito fácil para as crianças entenderem melhor a história. Admiro muito a população daqui, que se envolve de verdade e é uma tradição importante e que deve ser mantida – avaliou Joice, moradora do bairro Colônia.

Há 12 anos como atriz da peça, Bárbara da Silva, de 67 anos, garante que vale a pena deixar de viajar neste feriado da Sexta-feira Santa. Ela é moradora do bairro Vista Alegre e participa dos ensaios, durantes os 15 dias que antecedem o espetáculo.

– É muito gratificante poder participar de alguma forma dessa história emocionante, represento uma piedosa e também a representação do povo, e me dedico muito. A gente deixa de viajar nesse feriado para esta encenação porque é uma data muito importante – enfatizou Bárbara.

Por Libânia Nogueira

libania@diariodovale.com.br


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