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Pré-vestibular social no bairro Minerlândia adere às aulas online durante quarentena

Matéria publicada em 2 de julho de 2020, 14:37 horas

 


Volta Redonda- O Projeto Preparação, da 3ª Igreja Presbiteriana Independente (IPI), no bairro Minerlândia aderiu às aulas online para continuar ajudando os alunos da rede pública no pré-vestibular. O projeto existe desde 2016, segundo a professora Rozane Alves, coordenadora e uma das idealizadoras, não tinha sentido as aulas serem interrompidas devido à quarentena.
E como o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que é o principal meio de acesso às universidades públicas, está confirmado, a professora opinou que os alunos não poderiam de forma alguma perder o sonho de ingressarem em um curso superior gratuito, e com esse objetivo foi necessário realizar algumas adequações na forma de ensinar aos alunos.
– Isso vai passar, mas enquanto precisamos ficar em casa, vamos utilizar os recursos de que dispomos. Dessa forma, estamos enviando materiais online, através do WhatsApp, realizando videoaulas síncronas, por meio do Skype, e gravando aulas e disponibilizando o link de acesso no Youtube – explicou.
A professora Rozane lembrou que a mudança não foi e não está sendo fácil, mas aos poucos os alunos estão se adaptando.
– Além de toda a insegurança, causada pela propagação da Covid-19, nossos alunos, que em sua maioria são oriundos da grande classe trabalhadora de baixa renda, estão passando por dificuldades financeiras e de acesso aos meios tecnológicos. Soma-se a isso, as dificuldades de aprendizagem que seriam bem mais assistidas presencialmente e que, por meio virtual, encontram alguns entraves. Iniciamos as atividades virtuais já na segunda quinzena de março, mas a incorporação de novos meios de aprendizagem está sendo realizada de modo gradual – destacou.
A coordenadora do projeto esclareceu que nas aulas online cada disciplina tem um grupo específico no WhatsApp. Nesse grupo, o professor agenda aulas, disponibiliza materiais, sugere links e tira dúvidas dos alunos. No caso das redações produzidas pelos alunos, elas são enviadas à professora de Redação, através de aplicativos de escaneamento de foto. A professora corrige e depois reenvia aos alunos com um feedback do seu desempenho.
– Por enquanto, os horários são estabelecidos de acordo com a necessidade e acordo entre professores e alunos, sendo, geralmente, um conteúdo novo, por disciplina, a cada semana, mas já estamos nos programando para voltarmos a ter a escala de aulas semanais, aos sábados, a partir de julho, para que os alunos tenham uma rotina de estudos mais definida – esclareceu.
De acordo com a coordenadora, os professores também estão se capacitando para utilizarem novas ferramentas de aprendizagem, no entanto, infelizmente, alguns alunos não conseguiram se adaptarem a essa nova realidade e desistiram do curso.
– Também observamos que alguns alunos não têm os recursos financeiros necessários para acessarem à internet de qualidade e para adquirirem um aparelho de celular ou computador com boa configuração para o ensino remoto, o que deixa notório como essas dificuldades atingem boa parte desses educandos – lamentou.

Dificuldades de adaptação podem
comprometer alunos no Enem

Como coordenadora do projeto, a professora Rozane acredita que os alunos terão mais dificuldades no ensino remoto, e isso pode comprometer o desempenho deles no Enem.
– Não temos dúvidas disso. O ensino remoto é ainda mais excludente que o presencial. Muitos alunos precisam que sentemos ao lado dele, analisemos onde ele errou, utilizemos uma linguagem do “olhar” que demonstra se está conectando-se com o processo de ensino aprendizagem ou não. À distância, não podemos proporcionar uma afetuosidade mais significativa, além da falta de recursos tecnológicos de ponta serem um grande limitador. Não são todos alunos que têm um cartão de memória de, pelo menos, 64gb no celular e uma internet 5G ilimitada para acessar os conteúdos e videoaulas. Com menos acesso aos conteúdos, o desempenho deles vai ser reduzido no Enem – lembrou.
Na opinião da aluna Eduarda Souza Kobi, de 17 anos, estudante do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Municipal João XXIII, as aulas do Projeto Preparação têm sido muito produtivas para ela.
– A didática das aulas por vídeo tem se mantido em um nível ótimo, e consigo absorver bastante conteúdo. Por outro lado, o contato das aulas presenciais seria melhor, obviamente, até para estabelecer uma comunicação mais eficiente entre aluno e professor, mas, em relação ao projeto, encontro bastante apoio por parte dos professores pelo WhatsApp – disse.
A estudante quer cursar Letras, ano que vem, e gostaria de tentar uma bolsa de 100% em universidade privada da cidade, através do Prouni (Programa Universidade para Todos).

Por Júlio Amaral


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