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Prefeitura tenta reduzir consumo de álcool entre adolescentes

Matéria publicada em 11 de fevereiro de 2017, 15:20 horas

 


Volta Redonda – Com o início do Carnaval, período em que há forte estímulo para a ingestão de bebidas alcoólicas, a Coordenadoria Municipal de Prevenção às Drogas de Volta Redonda iniciou diversas ações com o objetivo de alertar pais, comerciantes e os próprios adolescentes sobre os prejuízos do ato.

De acordo com Myriane Leal Nogueira, responsável pela coordenadoria, uma das formas de combater esta prática é alertar os comerciantes e oficiando eles sobre as consequências que eles terão caso sejam flagrados vendendo bebidas a menores. E a coordenadoria, ressalta Myirane, já esta fazendo este trabalho em Volta Redonda junto aos comerciantes.

– Temos que fazer uma parceria com a sociedade em todos os segmentos como Igrejas, comunidades de bairros, associações e o poder público, pois o álcool pode ser tão prejudicial quanto às drogas ilícitas. Na verdade ele é uma droga lícita para os adultos e ilícita para os adolescentes – disse.

Para uma criança ou adolescente, o álcool é prejudicial desde a saúde em geral à saúde mental, além de ser a porta de entrada de outras drogas – alerta.

O álcool, afirma Myriane, também está relacionado até ao aumento das doenças sexualmente transmissíveis, pois ao ingerir a bebida o adolescente fica mais vulnerável à prática sexual sem proteção.

Com relação ao Carnaval, a coordenadora ressalta que a prefeitura está iniciando um projeto de prevenção que consiste em visitar os Centro de Referência de Assistência Social (Cras), junto as famílias, para levar informações da responsabilidade deles sobre o problema.

– Estamos desenvolvendo nestas ações algumas oficinas chamadas “Curta a adolescência sem beber”, onde são mostrados os malefícios envolvendo o álcool e suas consequências. Em alguns Cras as oficinas são direcionadas aos pais e outras são para os adolescentes. Também estamos notificando os comerciantes onde levamos um impresso com a lei 13.106/2015 que proíbe a vende de bebida alcoólica para menores, além de solicitar ao comerciante que assine um ofício dando ciência que foi alertado sobre a lei – declara.

De acordo com a psicóloga Simone Pettersen Marconi, assessora de projetos na coordenadoria Municipal de Prevenção às Drogas, o projeto está sendo trabalhado em cima de uma lei municipal.

– No projeto mostramos de que forma o adulto pode utilizar a bebida alcoólica evitando uma intoxicação, ou seja, bebendo com moderação e responsabilidade. Também alertamos os adultos sobre a proibição de fornecer ou servir álcool ao menor, além de alertarmos aos pais sobre o risco do consumo do álcool por menores para o desenvolvimento intelectual. Nestas oficinas também explicamos sobre os benefícios da água e o seu uso com mais frequência – alerta.

Atenção: De acordo com Myriane Leal Nogueira uma das formas de combater a prática é alertar os comerciantes (Foto: Júlio Amaral)

Atenção: De acordo com Myriane Leal Nogueira uma das formas de combater a prática é alertar os comerciantes (Foto: Júlio Amaral)

Presença junto aos blocos para coibir venda e consumo

Com o objetivo de tentar coibir tanto a venda como o consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes durante a realização dos blocos de Carnaval nos bairros, a coordenadoria municipal de prevenção às drogas pretende se posicionar no entorno desses eventos de forma a poder observar os jovens e tentar coibir o consumo de álcool com o apoio da Guarda Municipal (GM). “Iremos levar o micro-ônibus da coordenadoria que será usado como uma ferramenta para a proteção desse adolescente”, afirma.

Entre as ideias propostas segundo a coordenadora, para estes eventos, está a distribuição de um leque onde estará impresso um alerta sobre o consumo de álcool.

– Nestas ações junto aos foliões iremos atuar em conjunto com a GM, Conselho Tutelar, o Comuda (Conselho Municipal de Drogas), Coordenadoria da Juventude, secretaria de cultura e a secretaria de Fazenda – diz.

Na opinião do conselheiro tutelar Marco Aurélio, do Conselho Tutelar 01 no Bairro Aterrado, a lei 13.106/ 2015 só vai surtir efeito se houver uma ação conjunta de toda a sociedade.

– Como conselheiro, acho que a ação do conselho tutelar vai ser dificultada nesses eventos de rua devido a falta de estrutura. O que nós do conselho queremos é que o poder público crie estruturas para coibir a venda e o consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes. Não queremos acabar com o comércio nos bairros, queremos uma organização e fiscalização mais rigorosa para proibir e coibir a venda e o consumo de álcool por menores. Sou da opinião que se o Carnaval fosse centralizado só em um local como na Ilha São João, seria mais fácil fiscalizar a venda de bebidas a menores – opina.

Oferecer bebida alcoólica a menor é crime

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, regulamentado pela Lei 13.106/ 2015, vender ou oferecer bebida alcoólica para menores de 18 anos é crime que pode resultar em detenção de dois a quatro anos do vendedor, aplicação de multa de até R$ 10 mil ou interdição do local de venda. A lei não limita as punições aos comerciantes. Qualquer adulto, inclusive familiares ou amigos que oferecem bebidas alcoólicas a criança ou adolescente, está sujeito às sanções.

A legislação brasileira também restringe o horário de veiculação de propagandas de bebidas alcoólicas em emissoras de rádio e televisão. Segundo a Lei 9.294 (1996), propagandas de incentivo ao consumo de álcool só podem ser exibidas das 21h às 6h e não devem estar associadas à ideia de maior êxito e desempenho em qualquer atividade, como esporte, condução de veículos ou sexualidade.

 

Por Júlio Amaral

(Especial para o Diário do Vale)

 


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9 comentários

  1. Avatar

    A prefeitura de Volta Redonda, deveria cancelar o carnaval e investir o dinheiro que seria gasto na cidade.
    Ruas cheias de buracos, etc.
    Carnaval só serve pra proliferar doenças, gravidez e deixar a cidade com cheiro de urina.
    Fora os “malucos” que dirigem embriagados e não tem respeito pela vida alheia.

  2. Avatar

    Hahahahahaha

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    Quem tinha de fazer isto eram os pais, mas como são frouxos… Fica botando a responsabilidade para o Estado!

    • Avatar

      Eu ia escrever exatamente isso… Assim se destrói uma sociedade. Isenta-se as pessoas de culpa e responsabilidades, joga-se tudo nas costas do governo e de quem nada tem a ver com o problema…

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    Hipocrisia querer controlar a venda de bebidas alcoólicas a menores no carnaval de rua , pois se teria maior controle se tivesse sido organizado essa baderna na ilha são João mesmo , a prefeitura teria menos gastos e mais controle. ..

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    Vai em uma festa de 15 anos para ver o que tem de menor bebendo…

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    É só punir quem vende !!!!!

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    Salvo engano estas propostas para coibir, inibir, impedir, ou seja la que nomenclatura queiram usar, já foi “usada” incansáveis vezes, e ate onde se tem noticias, tudo continua na mesma. Que tal fazer as leis que existem realmente funcionarem, e melhor ainda, porque não mudar o estatuto da criança e do adolescente(se e que me entendem).

  8. Avatar

    Diminuir o consumo de álcool entre adolescente se tornou uma tarefa quase impossível, haja vista, que os mesmos em sua grande maioria, conta com o aval e incentivo dos pais, para que esse consumo se inicie cada vez mais cedo. Há grande esforço da mídia, fabricantes de bebidas destiladas e fermentadas e produtora de eventos em associar o sucesso dos grandes eventos e shows, ao consumo desenfreado do álcool sem importar a idade. Essa de que é crime vender bebida alcoólica a menores, é só uma fachada, pois na prática a venda rola solta sem que nada aconteça. É só passar nas lojas de conveniência de madrugada, shows, etc; só quem não enxerga são as autoridades.

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