Procura por vacina contra HPV é baixa em Barra Mansa - Diário do Vale
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Procura por vacina contra HPV é baixa em Barra Mansa

Matéria publicada em 4 de junho de 2016, 08:00 horas

 


De acordo com Secretaria de Saúde, município não vacinou nem 10% das meninas de 9 a 13 anos

hpv

Expectativa: Enfermeira, que é coordenadora do setor de Imunização, disse que a meta do município é vacinar 80% do público alvo

Barra Mansa- Responsável por 70% dos casos de câncer do colo do útero, o terceiro mais frequente entre as mulheres, o vírus do papiloma humano (HPV) há três anos vem sendo alvo de campanhas nacionais. No entanto, a adesão pelas vacinas, que são disponibilizadas gratuitamente na rede pública, ainda está longe do que estimam as autoridades da área de saúde. Em Barra Mansa, por exemplo, o setor de Imunização da Secretaria de Saúde não conseguiu atingir nem 10% do público preconizado pelo Ministério da Saúde – meninas de 9 a 11 anos – no primeiro trimestre deste ano.
Conforme destaca a enfermeira Marlene Fialho, coordenadora do setor de Imunização, a meta do município é vacinar 80% do público alvo, formado por 4.014 meninas de 9 a 11 anos, para a primeira dose, e 4.116 meninas, com a mesma faixa etária, para a segunda dose.
– No ano passado o Ministério da Saúde modificou a faixa etária e as vacinas passaram ser para meninas de 9 a 11, mas aqui ainda estamos mantendo a idade máxima de 13 anos. Esse é um tipo de campanha que foi introduzida na rotina das adolescentes, como forma de prevenir uma doença séria que afeta a saúde das mulheres na vida adulta, mas infelizmente a procura pela vacina ainda é muito pequena – ressaltou Marlene.
Conforme explicou a enfermeira, o HPV é um vírus transmitido pelo contato direto com a pele, ou mucosas infectadas por meio de relações sexuais, e  também pode ser transmitido de mãe para filho durante o parto. Atualmente, segundo a coordenadora, a estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) é que haja até 21 casos a cada 100 mil mulheres. Ao todo, são cerca de 15 mil casos novos da doença, por ano, e uma média de 4,8 mil mortes.
– Passada a demanda sobre a vacina contra o H1N1, vamos agora focar na mobilização para aumentar a adesão do público alvo do HPV. Nosso objetivo é contar com apoio da atenção básica, por meios dos agentes de saúde, para que melhorem a estratégia de captar essas adolescentes. Também vamos buscar apoio das escolas, no sentido de conscientizar os pais sobre a importância das meninas tomarem as duas doses da vacina que, na rede privada, custa em média R$ 400,00, cada dose – destacou a coordenadora, ao informar que uma vez passada a faixa etária preconizada da rede pública, as adolescentes só conseguem a vacina na rede privada.
De acordo com ela, o que se observa é que a resistência por parte dos pais em levar as filhas para vacinar vai de encontro ao fato do HPV ser uma doença sexualmente transmissível. Além disso, existe também não aceitação dos pais por causa de relatos de alguns eventos associados a vacina.
– Existe muita falta de informação, orientação e conscientização sobre a importância da prevenção ao HPV. Os pais precisam ter consciência de que quanto mais precoce a filha for imunizada, ela terá uma vida adulta mais protegida – enfatizou Marlene.
Mãe da adolescente Júlia da Paixão Fernandes, a dona de casa Carla da Paixão Fernandes afirmou que no primeiro ano da campanha ela não levou a filha para vacinar. No ano passado, ao se informar melhorar sobre os benefícios da vacina, ela não pensou duas vezes em imunizar a adolescente.
– Ela tomou e não teve nenhuma reação. Se é para prevenir nossos filhos de doenças, principalmente o câncer que causa tanto sofrimento, temos que nos conscientizar e aderir. Num primeiro momento eu resisti, por falta de informação, mas depois eu vi que era para o bem dela, quando já for uma mulher formada – disse a dona de casa.

Unidades de saúde

Em Barra Mansa, a vacina está disponível nas Unidades de Saúde da Família, Unidades Básicas de Saúde, Sirenes e Policlínicas, nos horários de 8h às 17 horas. De acordo com Marlene, a vacina somente não é indicada para adolescentes que apresentem hipersensibilidade ao princípio ativo ou qualquer um dos excipientes da vacina ou com história de hipersensibilidade imediata grave a levedura.
Outra contra indicação da vacina é para meninas que tenham desenvolvido sintomas graves após receberem uma dose do medicamento. A vacina também não é indicada para gestantes, uma vez que não há estudos conclusivos em mulheres grávidas desde que a campanha foi lançada.

Maior eficácia em adolescentes

Em 2015, passaram a ser vacinadas meninas de 9 a 11 anos. A escolha da faixa etária foi definida com base em estudos que mostram que a vacina tem maior eficácia se for administrada em adolescentes que ainda não foram expostas ao vírus, pois, nessa idade, há maior produção de anticorpos contra o HPV que estão incluídos na vacina.
A vacina contra HPV é segura e recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para prevenção do câncer do colo do útero – terceiro tipo mais frequente na população feminina e terceira causa de morte de mulheres por câncer no Brasil. A vacinação é utilizada como estratégia de saúde pública em outros 51 países, que já realizaram a imunização de mais de 175 milhões de doses desde 2006, sem registros de eventos que pudessem pôr em dúvida a segurança da vacina.


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