Sem financiamento, universitários do Sul Fluminense pensam em parar - Diário do Vale
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Sem financiamento, universitários do Sul Fluminense pensam em parar

Matéria publicada em 7 de maio de 2015, 19:29 horas

 


Situação ocorre tanto para os que tentam a renovação como os que querem ingressar no fundo

Volta Redonda  –

“A gente vê a propaganda do governo na TV, e acredita que é possível. Depois vemos que não é simples assim. Ela já pensou em desistir, está muito difícil manter a faculdade”, o desabafo é da auxiliar administrativa Simone Gazoni que tentou sem sucesso renovar o financiamento do curso de Direito da filha, através do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). A situação é comum para muitos e apesar da renovação seguir até o próximo dia 29, o Ministério da Educação (Mec) disse já ter atingido a meta prevista pelo governo e não ter dinheiro para assinar novos contratos neste semestre o que acaba aumentando a incerteza dos universitários que precisam do fundo.

Simone disse que no caso dela toda vez que entra no site do Fies tentando renovar o financiamento um aviso “O limite financeiro foi excedido” é mostrado.

– Foi a primeira vez que apareceu uma solicitação de senha, que complicou tudo. Depois disso, até parei de tentar, já estou desacreditada desse programa. Acho que isso foi uma forma de “passarem a perna” na maioria dos estudantes – criticou Simone.

Ela revelou que se não conseguir realizar o financiamento, a filha Gabriela, de 20 anos, que cursa Direito há dois anos pode ser obrigada a parar os estudos. Atualmente a estudante precisa pagar R$ 1,2 mil, sendo que ganha apenas R$ 500 em um estágio.

Outra que pode abandonar a faculdade é a universitária Vanessa Viana. Ela cursa Medicina Veterinária em uma faculdade de Vassouras e disse não ter condições financeiras de arcar com o pagamento dos estudos.

– Com o que eu recebo, pago o aluguel, alimentação e os gastos com a faculdade. Eu contava com o Fies. Nós queremos realizar um sonho e eles falam que dá, mas no final não temos nada – indignou-se a estudante.

Pelo Facebook

Em sua página no Facebook, o DIÁRIO DO VALE pediu a seus seguidores que contassem ou indicassem casos de estudantes que não conseguiram a renovação do Fies.

A internauta Alinne de Paiva disse que tenta fazer o cadastro de renovação e que não consegue. Ela revelou que foi informada por atendentes do fundo de que seu cadastro havia “sumido do sistema”.

“Não consegui até hoje, tenho abertura de demanda, protocolos, já fui à universidade várias vezes, liguei para o telefone 0800 do Fies e nada é resolvido. Meu cadastro parece que sumiu do sistema segundo um dos atendentes”, falou.

Já a leitora Jennyfher Temporim, também através do Facebook, lembrou que a falta de informação também prejudicou a sua renovação.

“Eu deixei de entrar na faculdade porque mudaram o regulamento no meio do ano e não avisaram que tinha que fazer o Enem (Exame do Ensino Médio) para dar entrada no Fies”, lamentou ela, lembrando que o Mec alterou as regras de renovação neste ano onde os candidatos tiveram que alcançar pelo menos 450 pontos na média das provas do Enem e tirar nota superior a zero na redação.

Além disso, cursos mais bem avaliados pelo ministério ganharam a condição de prioritários.

UniFOA assessora alunos para
regularizar situação no Fies

Diante do problema com o Fies, que afeta a todo o país, o DIÁRIO DO VALE ouviu o superintendente geral da UniFOA – Centro Universitário de Volta Redonda, José Ivo de Souza, para saber como a instituição está lidando com a situação.

DIÁRIO DO VALE – No Unifoa caiu o número de matriculados?

José Ivo – Foi mantido o mesmo patamar de alunos matriculados neste primeiro semestre de 2015; em função da situação conjuntural da economia, inclusive em nossa região adotamos a estratégia de reajuste abaixo da inflação ou até mesmo sem nenhum reajuste nas mensalidades da maioria dos cursos.

DV – Qual a quantidade de estudantes que não conseguiu renovar o cadastro?

JI- Temos pendências para renovação em torno de 28 alunos, menos de 3% do total que possui Fies; são pendências dos próprios alunos mas que estamos assessorando para resolver e regularizar junto ao sistema Fies.

DV- Tiveram muitas reclamações e questionamentos de pais e alunos sobre essa situação?

JI- No início do ano tivemos muitas reclamações, pois o Mec não assumia as falhas e as restrições para inscrições e renovações; ao contrário, fazia propaganda incentivando adesão ao Fies; assim os alunos e seus familiares julgavam que a culpa era das IES (Instituições de Ensino Superior). Até o mês de março fizemos reuniões com alunos de vários cursos além dos atendimentos individuais a todos que nos procuravam para explicar a real situação. O mais importante foi explicar aos alunos que a FOA é cadastrada no Fies, mas com limite financeiro, ou seja, só entra novos alunos quando aumentamos o limite financeiro; e só aumentamos o limite financeiro quando alunos com Fies se formam ou pedem transferência para outra IES. O nosso limite tem o valor aproximado do que pagamos de INSS e Imposto de Renda retido, pois é o que podemos compensar com os créditos do Fies.
Agora no último mês de abril após o governo prorrogar o prazo e admitir falhas no sistema Fies e limitações financeiras é que os alunos entenderam que a IES não tinha responsabilidade nas dificuldades enfrentadas por eles.

DV – Alguns estudantes que dependiam do FIES tiveram que interromper ou até trancar a matrícula por não ter condições de arcar com as mensalidades?

JI – Tivemos sim, alguns casos que apesar de oferecermos alternativas não foram possíveis de reversão. Podemos dizer que é um número de alunos mais ou menos igual em todos os semestres.

DV – Se o aluno que tinha o Fies perder esse financiamento, como ele fica? O Unifoa criou alguma estratégia para facilitar que o aluno dê continuidade ao curso?

JI – Para alguns cursos temos, sim, alternativa para que o aluno continue estudando no UniFOA; analisamos caso a caso e negociamos uma solução que envolve estratégia interna da FOA.

Novos financiamentos no segundo
semestre são incertos, diz ministro

De acordo com o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, em reportagem publicada pela Agência Brasil, a abertura de novos financiamentos para cursos do ensino superior pelo Fies dependerá da disponibilidade orçamentária.

– Estamos esperando a definição do Orçamento para ver como fica o segundo semestre – Janine.

O Fies registrou 252.442 novos financiamentos neste semestre, que movimentarão R$ 2,5 bilhões.

– Nós estamos na expectativa da definição do Orçamento e não posso afirmar, neste momento, se [haverá] e qual será o montante de recursos para uma segunda edição neste ano – disse o ministro.
Os cortes no Orçamento de 2015 serão definidos pela presidente Dilma Rousseff, que avaliará as prioridades de cada ministério para decidir os recursos contingenciados em cada área. Além de assinar os novos contratos, o Mec comprometeu-se a renovar os contratos vigentes, que somam 1,9 milhão. Para isso, serão necessários pelo menos R$ 15 bilhões este ano.

Em relação aos critérios de classificação usados nesta edição, o ministro disse que isso está sendo avaliado, mas que deverão ser mantidos.

– Nós vamos estudar, porque a mudança de critérios para esta edição trouxe vantagens. O número de cursos de mais alta qualidade, os cursos de nota 5, passou de 8% para 20% do total. Temos cerca de 50 mil financiados pelo Fies que estão em cursos muito bons, nota 5. Pelo critério anterior teríamos apenas 20 mil – explicou o ministro.

Em 2016, ele garante que haverá abertura para novos financiamentos, mas ainda não há previsão de recursos. O Fies oferece cobertura da mensalidade de cursos em instituições privadas de ensino superior a juros de 3,4% ao ano. O estudante começa a quitar o financiamento 18 meses após a conclusão do curso. O programa acumula 1,9 milhão de contratos e abrange mais de 1,6 mil instituições.

Thais Fraga


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2 comentários

  1. Verdade seja dita

    O valor a ser pago é de R$50,00 trimestrais e a maioria dos estudantes vivem inadimplentes. Tem mais é que aumentar o valor e tornar mensal.

  2. Acampem nas sedes do PT de Barra Mansa, Volta Redonda , Resende, cobrem deles uma atitude.
    Sr. Neto, Sr. Jonas, Sr. Rechuan, apoiaram a Dona Dilma, cobrem deles também.
    Acampem no Palacio Guanabara , vão sábado em Pirai , acampem da casa do Pezão, cobrem do Pezão
    uma atitude, pois ele pediu votos também para essa senhora.
    Todos voces são responsáveis por vender um país diferente.

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