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‘Setembro Amarelo’: Campanha alerta sobre o suicídio

Matéria publicada em 10 de setembro de 2016, 14:30 horas

 


Ação quebra tabu sobre o assunto e ganha as redes sociais e o apoio de pessoas que tiveram casos na família

Sul Fluminense – Tendo como principal objetivo alertar a população sobre a importância da prevenção ao suicídio, a campanha “Setembro Amarelo”, que no Brasil tem o CVV (Centro de Valorização da Vida) como uma das entidades divulgadoras, tem ganhado força nas redes sociais e alcançando sua proposta de quebrar o tabu e falar sobre a realidade do suicídio no Brasil. Hoje, de acordo com dados nacionais, são 32 brasileiros mortos por dia, taxa superior às vítimas da AIDS e da maioria dos tipos de câncer. O movimento ocorre desde 2014, em todo o mundo, no mês de setembro, tendo atenção especial ao dia 10, Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

Diante da notoriedade que a campanha ganhou, neste ano, pessoas que já sofreram perdas na família, motivadas pelo suicídio, destacam que a campanha é de extrema importância no sentido de alertar sobre o risco que, muitas das vezes, passa despercebido. O ambientalista Sandro Honório, de 43 anos, ressalta que a campanha tem seu apoio, justamente, por ele acreditar que os casos de suicídio devem se tornar públicos para que sejam vistos com a atenção que merecem. Em 2014, ele perdeu o filho de 15 anos. O garoto se enforcou no terraço do prédio onde moravam.

– Toda campanha e divulgação sobre o assunto é muito válido porque assim tornamos público esse problema e damos energia para famílias com crianças, adolescentes e adultos com depressão, uma doença silenciosa que mata sem dó. É preciso que as pessoas que tenham alguma pessoa com depressão saibam observar e agir para ajudar a evitar que o pior aconteça. É preciso mostrar que viver é a melhor opção – comentou Honório.

Segundo ele, sempre que tem informações sobre algum caso de tentativa de suicídio ou de pessoas em fase de depressão, voluntariamente, procura ajudar e levar uma palavra de apoio.

– Procuro conversar e dizer o quanto é importante se ter amor a própria vida – disse o ambientalista ao destacar, no entanto, que a ajuda de um profissional da área de saúde é fundamental para as pessoas que sofrem desse tipo de problema.

A bancária Janaína Santos Martins, de 37 anos, perdeu um irmão há cinco, vítima de suicídio. De acordo com ela, na época o rapaz tinha 30 anos e apresentou sintomas de depressão após ter sido demitido da empresa em que ele sempre sonhou trabalhar. Se na época, segundo ela, sua família tivesse se atentado à gravidade da situação de perda, que o irmão não soube administrar, o apoio e o incentivo a buscar ajuda profissional poderia ter feito toda a diferença na vida do rapaz.

– Infelizmente é duro admitir isso, mas nós não demos importância ao fato de que aquela perda do emprego foi o que provocou a doença no meu irmão e o levou à morte. Apesar de me remeter a perda dele e todo o sofrimento que tivemos, eu estou divulgando e estou muito feliz com essa campanha nas redes sociais, porque sei que a informação sobre o suicídio e suas causas vai poder ajudar muitas famílias. É um assunto que, assim como o câncer, deve-se quebrar o tabu e ser discutido e divulgado suas formas de prevenção – disse a bancária.

Importância da prevenção

Hoje, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, nove em cada dez casos de suicídio poderiam ser prevenidos. E é com base nisso que o psicólogo Eduardo Miranda acredita que a campanha “Setembro Amarelo” tem grande importância no sentido de divulgar a necessidade da pessoa com depressão buscar ajuda e atenção de quem está a sua volta.

– De maneira geral, o “Setembro Amarelo” veio alertar a todos, não somente quem está sofrendo de depressão ou outros distúrbios. Hoje ainda existe a cultura de que a depressão é uma doença de quem não tem nada para fazer, que pode se resolver ocupando o tempo com tarefas domésticas, por exemplo. É preciso romper com isso porque a depressão é uma doença na qual a pessoa, quando começa a pensar no suicídio, na verdade está pensando em cessar uma dor, com a qual ela não consegue mais conviver – destacou Miranda.

Segundo o psicólogo, muitas das vezes as famílias não dão a atenção devida, a quem sofre de depressão e isso não ocorre por falta de interesse, mas sim por falta de conhecimento. Para ele, a campanha é importante no sentido de alertar e conscientizar a população e estabelecer parâmetros sobre os sintomas da doença, muitas das vezes desconhecidos.

– Ainda é comum ouvir as pessoas afirmando que quem avisa sobre o suicídio não tem coragem de se matar ou que só está querendo chamar atenção quando, na verdade, isso é um indicador, um traço de que a pessoa pode, realmente, cometer um suicídio. É importante se atentar a esses tipos de comportamento – explicou Miranda.

Conforme destaca ao psicólogo, a campanha tem fomentado a discussão, gerado conversas, destaques na mídia e, com isso, estimulado as pessoas a pesquisarem sobre o tema. Isso, segundo ele, é essencial para quem vive em uma sociedade que, o tempo todo, estimula as pessoas a  se darem bem e estarem felizes.

– Infelizmente não temos controle sobre  a vida  e ela pode nos levar por outros caminhos que, as vezes, não é o que a gente considera como felicidade. E aí,  essa infelicidade pode nos envolver  de forma que se transforme em uma depressão. É preciso muito cuidado e atenção – finalizou Miranda.

 

Por Roze Martins

Especial para o DIÁRIO DO VALE

 

 


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Um comentário

  1. Avatar

    Ótima iniciativa !
    Só quem passou pelo fato sabe o quanto é difícil. . são três pilares pra vencer a depressão. Buscar a Deus, a família e tratamento médico. Os três juntos

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