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‘Setembro Amarelo’, mês de prevenção ao suicídio

Matéria publicada em 22 de setembro de 2018, 11:30 horas

 


CVV é uma das pontas de lança na luta contra o suicídio


Volta Redonda – 
Setembro é o mês mundial de prevenção do suicídio, chamado também de Setembro Amarelo. O assunto que já foi um tabu muito maior, ainda enfrenta grandes dificuldades na identificação de sinais, oferta e busca por ajuda, justamente pelos preconceitos e falta de informação. A neuropsicóloga Marcele Campos fala sobre este tema complexo, em como, por exemplo, é importante falar sobre o assunto.

– O aumento do número de suicídios é causado, principalmente, pelo desconhecimento das pessoas sobre as causas e os tratamentos para evitar que ele aconteça. Muitas vezes, familiares e amigos não reconhecem os sinais de que alguém querido vai tirar a própria vida. Aliás, muitas vezes, a própria vítima não entende que precisa de ajuda e acaba se afundando cada vez mais em uma solidão desesperadora. Por isso, é preciso falar sobre suicídio – explica a neuropsicóloga.

Segundo ela, é importante trabalhar para a prevenção do suicídio. Ainda de acordo com ela, o acolhimento e a escuta das pessoas em situação de vulnerabilidade emocional e a conscientização sobre os principais fatores relacionados ao comportamento suicida são formas de auxiliar.

Ela ressalta que os sinais de alerta acontecem e podem ser de forma escrita, verbal ou por meio de desenhos. “Pessoas sob risco de suicídio costumam falar sobre morte e suicídio mais do que o comum, confessam se sentir sem esperanças, culpadas, com falta de autoestima e têm visão negativa de sua vida e futuro, desespero, falta de perspectiva”, detalha.

Segundo a neuropsicóloga, pessoas com pensamentos suicidas podem se isolar, não atendendo a telefonemas, interagindo menos nas redes sociais, ficando em casa ou fechadas em seus quartos, reduzindo ou cancelando todas as atividades sociais.

– Não desqualificar a dor do outro, dizer que a pessoa está tentando chamar atenção, e afirmar: ‘Tenha força de vontade’ e ‘daqui a pouco isso passa’, definitivamente não é a solução. Isso desqualifica a dor do outro. Se você acha que essa pessoa está em perigo imediato, não a deixe sozinha. Procure ajuda de profissionais de serviços de saúde, de emergência e entre em contato com alguém de confiança, indicado pela própria pessoa – reforça Naiana Carvalho da Cunha, psicóloga e suicidóloga.

Outra forma de ajudar é aconselhar a pessoa em sofrimento a buscar acompanhamento profissional. “Não apenas solicitar que ela procure, mas oferecer companhia para buscar ajuda, demostrar interesse pelo sofrimento do outro e não demonstrar uma postura crítica ou preconceituosa.

Em casos que a pessoa com quem se preocupa vive na mesma casa, assegure-se de que não tenha acesso a meios para provocar a própria morte. Ficar contato para acompanhar como a pessoa está passando e o que está fazendo, são formas de cuidar”, apontada Naiana.

Atenção ao tema

O ano de 2017 foi um marco nacional nesse quesito com a ocorrência de alguns fatores que colaboraram a população como um todo a dar mais atenção ao tema e procurar informações. Em 2018, o CVV (www.cvv.org.br), uma das entidades mobilizadoras do Setembro Amarelo no Brasil, programou diversas atividades em todas as cidades nas quais possui um de seus mais de 90 postos de atendimento.

Alguns exemplos são caminhadas, palestras, balões amarelos, pontos turísticos e edifícios públicos iluminados, distribuição de folhetos e atendimentos em locais públicos.

Carlos Correia, voluntário e porta-voz do CVV afirma que é o período mais intenso para todos os voluntários da instituição. “Nos preparamos desde o início do ano para aproveitar esse importante momento de falar sobre prevenção do suicídio e, aos poucos, quebrar alguns tabus”, comenta.

Correia comenta que os 32 suicídios que ocorrem diariamente no país, média de 1 morte a cada 45 minutos, é algo que pode ser reduzido. “Perceber que a pressão interna está muito elevada, que o copo está para transbordar e, nesse momento ou antes disso, pedir e aceitar ajuda é muito eficiente. Conversar com alguém, seja conhecido ou desconhecido, de forma acolhedora e sem críticas já ajudaria essa pessoa a superar aquele momento.” O voluntário do CVV complementa que muitas vezes as pessoas precisam de acompanhamento médico e/ou psicológico, mas que o serviço do CVV atua em situações de crises como complemento a esse tratamento.

Não é preciso estar ligado ao CVV ou a outra instituição para se mobilizar. Empresas podem fazer ações internas, distribuir materiais informativos disponíveis no site www.setembroamarelo.org.br e promover palestras. Órgãos públicos podem iluminar de amarelo fachadas de prédios, promover atividades, falar sobre prevenção nas unidades de saúde e escolas. E cada pessoa pode se mobilizar usando uma fita amarela ou vestindo amarelo, levantando o tema em seus grupos e buscando informações confiáveis sobre o assunto.


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Um comentário

  1. JAQUELINE RAMOS BIANCO

    Apesar de tudo, dificuldades financeiras decepções, chifres, falsidade do ser humano, seja qual for o seu problema você quer resolvê-lo? Lembre-se de tudo que sofreu o autor da vida, por maiores que sejam os problemas, vale a pena viver. enfrente-os.

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