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Tratamento adequado para depressão pode evitar suicídios e mutilações

Matéria publicada em 11 de agosto de 2019, 08:30 horas

 


Barra Mansa – Em menos de um mês, duas pessoas tentaram suicídio na região em locais públicos. Em um dos casos, ocorrido em 15 de julho, em Volta Redonda, um homem foi impedido pela Guarda Municipal e o Corpo de Bombeiros de pular do Viaduto Heitor Leite Franco, que liga os bairros Colina e Aterrado. Já em Barra Mansa, no dia 3 de agosto, uma mulher também foi impedida pela Guarda Municipal de se jogar da Ponte Ataulpho Pinto dos Reis, conhecida como Ponte dos Arcos.

Embora essas duas situações só tenham ganhado repercussão por terem ocorrido em espaços públicos, atentar contra a própria vida é algo que vem se tornando mais comum no país. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a cada 45 minutos uma pessoa comete suicídio. Outro dado da organização aponta que nove em cada dez suicídios poderiam ser evitados. Profissionais da área de psiquiatria também fazem a mesma afirmação, enfatizando principalmente a importância do tratamento adequado da depressão.

Hoje, a doença é um dos fatores que mais pesam na decisão de uma pessoa que tirou ou tentou tirar a própria vida. De acordo com a médica Priscilla Bedeschi, psiquiatra na Santa Casa de Misericórdia de Barra Mansa, a depressão é um transtorno mental encontrado com frequência na prática clínica.

– É comum encontramos pacientes apresentando diagnóstico de depressão. No entanto, é importante ressaltar que existem outros transtornos psiquiátricos, além da depressão, que também estão associados às tentativas de suicídio como, por exemplo, o uso de substâncias como álcool e drogas, além de quadros psicóticos, transtornos de personalidade, dentre outros – observou a psiquiatra.

Segundo ela, a depressão é uma doença que pode levar alterações a vários domínios mentais, como pensamento, humor, volição. Assim, um paciente deprimido pode apresentar pensamentos de desesperança, associados à tristeza, a falta de energia e de prazer para fazer coisas que antes sentia, prejudicando sua funcionalidade e interferindo em seus atos e decisões.

– Quando o paciente faz o tratamento para depressão, corretamente, esses pensamentos de morte, sejam eles suicidas ou não, tendem a passar. Por isso a importância das pessoas se cuidarem. A melhor forma de tratamento para depressão é a combinada: farmacoterapia, psicoterapia, suporte social e hábitos saudáveis de vida. O apoio da família e o suporte social são essenciais para o tratamento, porque muitas vezes, o paciente não tem condições iniciais, para procurar ajuda – destaca a psiquiatra.

De acordo com Priscila, conforme maioria dos estudos epidemiológicos a depressão é mais prevalente em adultos jovens e, de modo geral, tem maior índice em mulheres. “As taxas de ‘tentativas de suicídio”, são mais prevalentes em mulheres, mas os homens apresentam mais taxas de ‘suicídio’, afirmou psiquiatra, ao acrescentar que alguns sintomas sobre a depressão devem ser observados.

– Sintomas que ocorrem por mais de uma semana, todos os dias como: tristeza ou irritabilidade, falta de energia ou diminuição do interesse ou prazer em suas atividades , alteração no sono e apetite, isolamento social, sentimento de culpa ou de inutilidade, pensamentos recorrentes de morte ou suicídio, dentre outros. Na suspeita, é sempre recomendável que se procure ou encaminhe o paciente para avaliação médica ou psicológica – orienta a psiquiatra.

No Pronto Socorro

Conforme explica a médica, um paciente que dá entrada ao Pronto Socorro, devido à tentativa de suicídio é atendido prontamente para que sejam avaliados seus sinais vitais e ele seja estabilizado. Segundo ela, a orientação para as equipes é que o objetivo principal naquele momento é garantir a vida e manter o paciente seguro, evitando , por exemplo , que ele fique sozinho.

– Normalmente, os plantonistas da clínica, que receberam esse paciente, solicitam avaliação psiquiátrica para avaliar possível internação e conduta. Na avaliação psiquiátrica observa se o paciente tem algum transtorno psiquiátrico comórbido; se teve tentativas de suicídio prévias, o que aumenta o risco de suicídio, se tem rede de apoio, se mora sozinho e se tem familiares que conseguem acompanhá-lo fora do hospital Esses fatores que indicam se o paciente será encaminhado para internação em leito psiquiátrico ou será encaminhado para atendimento ambulatorial na rede de Saúde Mental do Município. O ideal é que o paciente seja acompanhado após alta hospitalar – finalizou a médica.

Por Roze Martins


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