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Uruguaio ‘mochileiro’ passa por VR a caminho de pelotas e escreverá livro

Matéria publicada em 30 de junho de 2019, 15:33 horas

 


Franka Gonzalez enfrentou uma forte crise depressiva com uma jornada pedalando pelo país

Franka e seu fiel amigo receberam um cuidado especial para a bicicleta em Volta Redonda-Foto: Júlio Amaral

Volta Redonda- São quase dois anos na estrada, acompanhado de uma bicicleta e do cachorro Gury. Em 2017, o uruguaio Franka Gonzalez, de 61 anos, passou por Volta Redonda vindo do Sul do país a caminho do nordeste. Era uma viagem em busca de autoconhecimento e de reafirmação da fé na bondade humana, mas também para conhecer as belezas naturais da região nordestina. Franka chegou ao destino, passeou, meditou, curtiu e ao retornar fez nova parada em Volta Redonda.

Por conta de uma forte crise de depressão, Franka resolveu largar o emprego que tinha em Pelotas no Rio Grande do Sul, onde residia, trabalhava e dava palestras sobre marketing multinível motivacional e era cabeleireiro. Decidiu iniciar uma jornada de bicicleta por diversas cidades brasileiras.

Durante esta aventura, Franka Gonzalez e seu galgo inglês de 14 anos seguiram por várias direções.

– As cidades visitadas vão sendo definidas aleatoriamente durante o trajeto ou conforme o cansaço e a receptividade que eu recebo das pessoas nestes locais – disse ele, que ganhou o apoio do dono de uma bicicletaria no Beco do Mercado para ajustar a magrela.

Em 2017, durante o início da sua peregrinação até o Nordeste, o uruguaio acabou visitando Volta Redonda, onde através de um convite de um amigo que conheceu em um grupo de mochileiros na internet. Se hospedou na casa de um casal para descansar alguns dias e também para tratar de uma ferida no olho de seu amigo Gury.

Depois que saiu de Volta Redonda, Franka passou por Minas Gerais, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Percorreu mais de 15 mil quilômetros de bicicleta e carona entre cidades de todo o Brasil.

– Ao longo do trajeto, sempre tive o apoio de caminhoneiros, funcionários de postos de combustíveis, moradores das cidades visitadas e da polícia rodoviária, que sempre me auxiliou e me deu orientação. Nas cidades, eu me hospedo por um ou dois dias para descansar. Para me manter, sempre recebo ajuda de pessoas solidárias em forma de alimentos, ração para o meu cão Gury e até dinheiro. Também costumo participar de ações voluntárias e dar palestras nos lugares que visito, abordando temas sobre a minha superação de vida e sobre a experiência adquirida nesta viagem, onde eu me encontrei como pessoa. Também falo sobre temas ligados a mulher como aborto e temas motivacionais – destaca.

Durante o seu percurso por cidades do Brasil, o uruguaio sempre dependeu da solidariedade das pessoas.
– A coisa mais importante que aprendi ao longo desses quase dois anos de pedaladas por diversas cidades e estados foi receber solidariedade. Com esta experiência, também aprendi a doar e que as pessoas são muito solidárias, principalmente os nordestinos. E durante a jornada nunca fui maltratado, roubado ou humilhado – afirma.

Depois de percorrer por quase 10 mil quilômetros em uma bicicleta antiga e sem marcha, o destino lhe preparou uma surpresa bem agradável. Franka acabou ganhando uma bicicleta nova, doada pela comunidade de uma Igreja na cidade de Belém de Maria, em Pernambuco. “Esta doação foi mais uma demonstração de solidariedade que presenciei nesta jornada”, disse, emocionado.

De acordo com o cabelereiro, todo o seu retorno de Sergipe à Volta Redonda foi feito de carona com um caminhoneiro. “Neste trajeto de volta sempre tive o apoio de um caminhoneiro solidário, chamado José Aldeclides Lino, que me trouxe até Volta Redonda sem me deixar pagar nada. Pretendo ficar na cidade até segunda-feira e depois sigo viagem de volta para Pelotas. Pedalando e sempre ao lado de meu cão Gury. Sempre que for possível, ainda pretendo continuar realizando palestras e ações voluntárias nas cidades que me convidarem. Já a minha meta, assim que retornar à Pelotas é escrever um livro sobre esta minha experiência de vida nas estradas do Brasil – concluiu.


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