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Uso de smartphones e tablets por crianças divide especialistas

Matéria publicada em 4 de agosto de 2019, 08:30 horas

 


Crianças devem ter acompanhamento para acessar redes sociais e usar aparelhos eletrônicos (Divulgação)

Sul Fluminense – Nunca se falou tanto na relação entre crianças e os mundos virtuais como agora, em que o vício em videogames, jogos online e redes sociais começam a preocupar os especialistas. Segundo uma reportagem da rede britânica BBC, a maioria dos analistas da infância concordam que a exposição precoce de crianças e de adolescentes às redes sociais é maléfica para eles, e mesmo com um filtro parental, sites como Facebook e YouTube, além de aplicativos como Snapchat e Instagram, podem representar potenciais perigos para menores de idade.

Algumas medidas já estão sendo tomadas para controlar a superexposição de crianças a conteúdos disponíveis online: no ano que vem, por exemplo, entra em vigor a Lei Geral de Proteção de Dados no Brasil, que, entre outras coisas, proíbe a publicidade infantil direcionada. Os sites também estão tentando solucionar o problema: o Facebook já limita o acesso aos usuários que tenham menos de 13 anos, enquanto o YouTube possui uma área “Kids” dedicada exclusivamente ao público infantil.

No entanto, nada disso é suficiente, de acordo com os especialistas em segurança digital e das crianças. Os mais pessimistas alertam que as crianças já gastam tempo demais em frente a TVs, computadores e outros dispositivos. Para menores de dois anos, todas essas telas têm um efeito negativo no desenvolvimento, como mostra também um relatório publicado recentemente pela American Academy of Pediatrics.

Na contramão, Lydia Plowman, da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, afirma que qualquer game, app ou site pode oferecer uma oportunidade positiva de aprendizado, desde que haja uma interação guiada por um adulto. “Mostrar interesse, fazer perguntas e sugestões, motivar, desejar objetivos… Basta estar perto e ajudar as crianças a lidar com suas frustrações. Tudo isso pode construir um aprendizado favorável”, disse ela à BBC.

Além do Facebook e do Youtube, o Instagram permite a criação de perfis para recém-nascidos, visto que há muito pouca verificação nesse sentido. Os especialistas explicam que é fundamental a participação dos pais para que essas falhas de segurança e de exposição sejam corrigidas. Em vários casos pai e mãe são coniventes com os filhos navegando em sites e em aplicativos do gênero. E em muitas vezes não há qualquer controle do que estão postando ou não.

Por isso, além dos pais, educadores no geral, assim como gestores públicos e políticos precisam ativamente participar de debates acerca do assunto. Propor melhorias e novas políticas de segurança infantil no mundo virtual é algo fundamental.

Ações concretas contra a exposição de crianças nas redes sociais

O Facebook foi categórico ao afirmar que tem uma política rígida para impedir que menores de 13 anos frequentem a rede social. Declarações dadas à imprensa confirmam, ainda, que frequentemente é realizado um “pente fino” para remover aqueles perfis que burlaram as regras etárias.

Por hábito, usuários menores de 13 anos tentam mais de uma vez colocar sua idade real. Quando mentem, afirmando que possuem o mínimo estipulado pelo Facebook, o sistema detecta pelo IP essa atitude e bloqueia o perfil.

Além disso, usuários menores de idade não possuem as mesmas funcionalidades que um adulto. Não podem compartilhar sua localização, há filtro de conteúdo e as publicações no feed são apenas para amigos.

Porém não basta que as redes sociais tenham esse tipo de filtro etário. Os pais e os educadores necessitam conscientizar as crianças a respeito desses espaços virtuais. Temas como superexposição, vício, depressão e bullying precisam ser conversados.


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