>
sábado, 28 de maio de 2022 - 01:49 h

TEMPO REAL

 

Capa / Cidade / Volta Redonda realiza seminário sobre população de rua

Volta Redonda realiza seminário sobre população de rua

Matéria publicada em 18 de agosto de 2017, 20:57 horas

 


Cerca de 300 pessoas participaram do evento nesta sexta-feira, inclusive moradores que enfrentam esta condição

Papo reto: Prefeito Samuca Silva participou do seminário que debateu o protagonismo da população de rua (Foto: Gabriel Borges - Secom/VR)

Papo reto: Prefeito Samuca Silva participou do seminário que debateu o protagonismo da população de rua (Foto: Gabriel Borges – Secom/VR)

Volta Redonda – Bruno tem 32 anos e faz parte da população em situação de rua em Volta Redonda há 10. Ele fez questão de comparecer na manhã desta sexta-feira (18) ao I Seminário Municipal sobre Pessoas em Situação de Rua, que aconteceu no auditório do Centro Universitário Geraldo Di Biase (UGB). O evento, promovido pela prefeitura, por meio da secretaria de Ação Comunitária (Smac), teve como tema: ‘O protagonismo das pessoas em situação de rua na política de assistência social em Volta Redonda’.

Bruno soube do seminário pelo Centro Pop – local que proporciona às pessoas em situação de rua higiene pessoal, alimentação, retirada de documentos, contato familiar, atendimento psicossocial e encaminhamentos necessários. Ele contou que aproveitou o evento para dar sua opinião sobre o tema que interessa diretamente a ele.

– Esta é uma oportunidade boa para saber nossos direitos e nossos deveres e também ajudar com a opinião e sugestão de quem está do lado de cá. Espero que saiam novas ideias daqui, que venham nos ajudar, porque nós precisamos ser ouvidos – disse ele, revelando que foi vítima de abuso na infância praticada pelo pai e que hoje é portador do vírus HIV.

Adenilton dos Santos Rodrigues, de 33 anos, está no Abrigo Seu Nadim há dois anos e participou da composição da mesa de abertura do evento. É também titular do Comitê Intersetorial, que discute a política para as pessoas que estão em situação de rua e viu muita importância nesse primeiro seminário.

– Ele visa à melhoria contínua destas pessoas e nós temos que buscar soluções. Nós temos pessoas que estão em situação de rua que têm problemas com a dependência química, a falta de moradia, laços familiares, cultura, lazer e a gente prioriza isso e juntamente com as autoridades, a gente quer melhorar a vida destas pessoas. É muito bom ver pessoas que estão lutando a favor desta população e tem umas pessoas do abrigo, que me elegeram como representante delas, e eu estou aqui hoje para poder pedir o melhor pra vida delas, e com isso, melhorar a minha também. Porque eu também estou buscando o meu lugar ao sol – disse Adenilton.

O objetivo do evento, que durou toda a manhã, foi discutir, com parcerias, políticas públicas para esta população de rua. Na plateia, além das autoridades municipais e convidados, também estavam presentes representantes dos municípios de Resende, Porto Real, Barra Mansa, Quatis, Piraí, Vassouras e Valença, do Conselho Municipal de Assistência Social de Volta Redonda, além de moradores em situação de rua – muitos fazendo uso do Abrigo Seu Nadim e do Quarto de Passagem (locais mantidos pela Smac).

– São notórias as ações das igrejas e das associações, mas se nós não tivermos a capacidade de ouvir e construir a política pública, nós vamos enxugar gelo. Não somos nós, prefeitura, que temos as melhores ideias. Mas nós as executamos. E não é uma ação do Samuca, do Maycon ou da Smac, é uma ação que deve ficar para Volta Redonda, independente do governo. Através de uma política pública que eu desejo que seja construída aqui, uma política pública para a nossa cidade – declarou o prefeito Samuca Silva (Podemos), em seu discurso de abertura.

Renata Carvalho Rodrigues Souza, representante do Centro de Defesa em Direitos Humanos (CDDH), Núcleo RJ, se mostrou surpresa com a diversidade da plateia e o tema do evento.

– A importância que a cidade deu a este evento e à população de rua foi surpreendente; o próprio nome do evento ser ‘o protagonismo da população de rua’ já é uma virada definitiva quando se fala de política pública . É essa participação efetiva da população de rua que é a chave de todas as cidades do Brasil que avançaram em política. Todas que avançaram tiveram a participação efetiva de toda a população de rua – afirmou Renata.

O secretário municipal de Ação Comunitária e vice-prefeito, Maycon Abrantes, afirmou que este é o momento preciso para se discutir quais ações devem ser tomadas para a população em situação de rua.

– O momento que o país está vivendo é de extrema importância, estamos numa crise sem precedentes e nós precisamos saber como agir com esta população, precisamos ouvi-la, saber quais são suas prioridades e tentar resolver ao máximo estas questões, é para isso que estamos aqui. Temos sido muito cobrados pela sociedade para atuar junto a esta população, mas sabemos que ela não é obrigada a sair desta situação e que as ações têm que ser planejadas. Precisamos entender o que levou estas pessoas a estarem nestas condições, por isso o dia de hoje é fundamental para este debate – ressaltou.


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)

8 comentários

  1. Nativania de Fátima Severino

    Achei o seminário muito válido pra conhecermos a realidade de quem está em situação de rua e dos vários serviços que esses necessitam para serem garantidos seus direitos. No entanto o que me deixou muito intrigada foi a declaração da diretora do DPES (Departamento de Proteção Especial) Sra Larissa Fagundes fez sobre o projeto superação, que muitos são usuários do CAPS Álcool e drogas e que usarão a marcenaria do CAPD que atende pessoas portadoras de deficiência, sendo a maioria intelectual e são vulneráveis . Apesar de serem equipamentos da SMAC são setores distintos dentro da secretaria de assistência social e gostaríamos que esses usuários do CAPD possam continuar a usar os espaços desse Centro dia para pessoa com deficiência como sempre fizeram.
    Entendemos que os usuários do projeto superação mereçam a atenção necessária como pessoas em sua integralidade e que precisam de lugar apropriado e isso não é um problema dos usuários e nem de nós representantes legais.. Isso é uma questão para os gestores resolverem com políticas públicas e parceirias

  2. Acho muito valido esses movimentos em melhores qualidades para a populaçao de rua.
    Mas nesse evento, o secretario de Ação Comunitaria e a Assistente Social Sra Larissa
    pretende loca-los na Marcenaria da CAPD ( centro de Assistencia aos Portadores de
    Deficiencia).. Com todo respeito e nao querendo discriminar essa classe tao sofrida
    que lotam as ruas, que ressaltar que na CAPD não é um local ideal para eles, tendo
    em vista que muitos sao usuarios de drogas , alcool, doenças contagiosas…e os usuarios
    da referida instituiçao sao incapazes de se defenderem diante dessas possiveis conse-
    quencias…Claro que em toda comunidade há bons e maus elementos, e qual garantia
    que so serão bons nessa marcenaria? Sugiro a esses profissionais, que analisem com
    mais prudencia essa determinaçao.Há orgaos especificos para acolhimento dos mora-
    dores de rua… vamos trabalhar?

    • e qual seria o melhor lugar? acima de tudo são seres humanos lembre-se disso! não existe um melhor lugar,existe empenho e dedicação para fazer destes indivíduos pessoas melhores,o que a senhora está tentando propor é um preconceito e você mesmo está desacreditando na capacidade deles! devia procurar conhecer o projeto “superação” e vê que com dedicação é possível transformar vidas! quando a senhora coloca seu filho no CAPD não é isso que a senhora busca? IGUALDADE perante a sociedade? que eles desenvolvam suas capacidades e que consigam sua autonomia e melhor qualidade de vida para não sofrerem com a nossa sociedade? porque a luta da senhora é diferente da deles? se coloque no lugar do outro antes e procure saber o trabalho desenvolvido!

    • texto bonito, mas o q eu li foi “sem discriminar, mas já discriminando”…

    • “Triste época! É mais fácil quebrar um átomo do que um preconceito!” (Albert Einstein)

  3. Enxugador

  4. É, Samuca, você é um exímio encurtador de gelo!

  5. É preciso que os políticos parem de brincar com os sentimentos da população de rua! Durante a última campanha eleitoral para a escolha do presidente do Brasil, Dilma apareceu num vídeo almoçando num Restaurante Popular junto com o Garotinho, contudo, logo após de ser eleita presidenta do país os restaurantes foram fechando um após o outro…
    Como diria Boris Casoy: “Isso é uma vergonha!”.

Untitled Document
close