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Capa / Ciência – Por Jorge Calife / A beleza singular da Galáxia Fantasma

A beleza singular da Galáxia Fantasma

Matéria publicada em 29 de julho de 2022, 15:49 horas

 


Telescópio James Webb detecta novas estruturas na espiral da M-74

Complexa: A espiral da M-74 contem 100 bilhões de sóis

Foi pura coincidência. Na mesma semana em que os cinemas começaram a exibir o filme “Pluft: O fantasminha”, o telescópio espacial James Webb fotografou a galáxia M-74, a Galáxia Fantasma. E ao contrário do personagem criado pela escritora Maria Clara Machado a galáxia fantasma existe realmente, e fica na constelação de Peixes, que é um dos signos do Zodíaco. Conhecida pelos astrônomos como Messier 74, essa bela espiral de estrelas e gás ficou conhecida pelo apelido, “galáxia fantasma” pela dificuldade que apresenta para ser observada a olho nu. Se uma pessoa olhar diretamente para ela, a M-74 desaparece como um fantasma. É preciso observa-la com a visão periférica, do canto dos olhos, que é mais sensível a luz muito fraca de astros muito distantes.

E distante ela é. A M-74 pode ser localizada perto da estrela Eta de Peixes. E fica a 35 milhões de anos-luz da Terra. Isso significa que a luz, que viaja 300 mil quilômetros num segundo, leva 35 milhões de anos para chegar aqui. Ou, em outras palavras, estamos observando a M-74 como ela era há 35 milhões de anos, antes do homem surgir na face da Terra. Estima-se que este redemoinho de estrelas contem cerca de 100 bilhões de sóis de vários tamanhos e cores.

E possivelmente um buraco negro, de tamanho intermediário no seu centro.

A imagem aí embaixo mostra a galáxia na faixa dos raios infravermelhos, que destaca as espirais de poeira cósmica onde novas estrelas estão se formando, para brilharem em céus futuros. O primeiro homem que observou a M-74 foi o astrônomo francês Pierre Méchain, em 1870, no final do século dezenove. Ele comunicou sua descoberta ao seu colega, Charles Messier, que estava elaborando um catálogo de galáxias. Daí a designação M-74, que significa que ela é a galáxia número 74 no catálogo de Charles Messier. A Messier 74 vem sendo fotografada desde o século dezenove, e as últimas imagens foram feitas pelos telescópios espaciais Hubble e James Webb.

As últimas imagens do James Webb sugerem que a M-74 poderia conter um wormhole, ou buraco de verme. Que seria uma passagem multidimensional para outras regiões do espaço e do tempo. Um túnel para outros universos. Mas por enquanto isso ainda não foi confirmado. Além de observar galáxias relativamente próximas, o James Webb tem levado os astrônomos a procurar pelas galáxias mais distantes do Universo. Uma delas foi batizada com a sigla GLASS Z-13 e fica a 13,4 bilhões de anos-luz. O que significa que ela existiu quando o Universo tinha apenas 300 milhões de anos de idade. Parecendo um glóbulo de luz vermelha a GLASS Z-13 tinha apenas um bilhão de estrelas contra as 100 bilhões da Messier 74. O universo era muito jovem naquela época e não tinha tantas estrelas como em tempos recentes. As estrelas se formam da condensação de nuvens de gás e poeira dentro das nebulosas. Como a nebulosa da Carina, que também foi observada pelo James Webb

Por enquanto a GLASS Z-13 é a galáxia mais distante do Universo. Mas ela pode perder esse título nos próximos meses, quando os astrônomos medirem o desvio para o vermelho de outras daquelas centenas de manchas luminosas que aparecem nas fotos do telescópio. O desvio da luz para o vermelho é provocado pela velocidade com que as galáxias se afastam de nós, e dá a medida de sua distancia.

 

Jorge Luiz Calife

 


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