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A China e os extraterrestres

Matéria publicada em 22 de junho de 2022, 16:33 horas

 


Sinal de celular pode ter levado a falso anúncio de alienígenas

Antena: Telescópio chinês é afetado pela poluição

No início do mês a internet ficou agitada com um anúncio vindo da China. Astrônomos do radiotelescópio FAST teriam detectado sinais de uma civilização extraterrestre. O Fast é uma antena parabólica de 500 metros de largura, construída entre as montanhas da região de Guizhou. FAST é a sigla em inglês de “Radio Telescópio Esférico de 500 metros de abertura”, mas os chineses conhecem a grande bandeja pelo nome de “Olho do Céu”. O FAST foi construído como sucessor do famoso radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico, que desabou no final de 2020. E desde setembro daquele ano ele conduz um programa de escuta de rádio voltado para planetas extra-solares. Ou seja planetas que orbitam outros sóis que não o nosso.

Na primeira semana de junho o jornal científico chinês Science and Technology Daily divulgou a informação de que a antena gigante teria captado sinais de uma civilização extraterrestre. O sinal seria proveniente do terceiro grupo de planetas observado pelo projeto. A notícia citava o astrônomo Zhang Tonjie, cientista chefe da equipe de busca por outras civilizações. O projeto inclui uma parceria entre a Academia de Ciências da China e a Universidade de Berkeley, na Califórnia.

Alguns dias depois de provocar um alvoroço na internet a notícia sumiu da página do jornal chinês. Como o projeto inclui uma parceria com os norte-americanos os sites de astronomia, como o Space.com procuraram informações com os cientistas de Berkeley, na Califórnia. E o cientista Dan Werthimer, que dirige o departamento SETI da Universidade americana, esfriou o entusiasmo da mídia. Em sua opinião tudo não passou de um sinal falso, provocado pela interferência de transmissões de rádio terrestres sobre a antena espacial chinesa.

Werthimer explicou que, devido a sua alta sensibilidade, os receptores do FAST sofrem muita interferência de fontes terrestres.

“Esses sinais são o resultado da poluição de rádio provocada pelos terrestres e não pelos extra-terrestres. O termo técnico é RFI ou Radio Frequency Interference. A RFI é provocada por telefones celulares, estações de TV, radares e satélites. E também pode vir de computadores e aparelhos eletrônicos perto do observatório, que também produzem sinais fracos, captados pela antena gigante” explicou o cientista no site Inside Outer Space. Werthimer acha que a busca por sinais de rádio extraterrestres esta se tornando impossível devido à poluição das faixas de rádio aqui na Terra.

Ele acha que o único meio de prosseguir com essas pesquisas seria construir uma antena igual a do FAST no lado oculto da Lua. Onde a massa de 3400 quilômetros de rochas lunares bloquearia os sinais vindo da Terra. Mas isso ainda vai levar décadas e depende da instalação de bases lunares pelos americanos e chineses. Em 2019 houve outro alarme falso provocado por um sinal de rádio que parecia se originar na estrela Alfa Centauri, a mais próxima da Terra depois do Sol. Mas uma análise posterior mostrou que tudo não passava de um defeito no equipamento terrestre.

Werthimer alerta que podemos estar procurando com os meios errados. No século dezenove, quando se acreditava que o planeta Marte era habitado por seres inteligentes, houve várias propostas para comunicação com os marcianos. Que incluíam grandes fogueiras, espelhos gigantes, e até um enorme triangulo no deserto do Sahara. Ideias que hoje parecem ridículas devido a nossa tecnologia de rádio. Mas é possível que o rádio já tenha se tornado obsoleto entre as civilizações do espaço. Talvez eles se comuniquem através de táquions ou frequências subespaciais. E a nossa escuta com antenas parabólicas seria tão inútil quanto as fogueiras do século dezenove.

 

Jorge Luiz Calife

 


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