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A intrigante perfeição da galáxia do Sombrero

Matéria publicada em 5 de março de 2020, 08:53 horas

 


Imagens do telescópio Hubble revelam que espiral teve passado violento

A galáxia do Sombrero é uma das mais belas e perfeitas do Universo. Situada na constelação da Virgem, a 31 milhões de anos-luz da Terra, ela é a favorita dos astrônomos amadores. Uma espiral de estrelas, gás e poeira que parece ter sido desenhada com um compasso. Aqui da Terra podemos vê-la quase de perfil, com a poeira escura dos braços espirais criando uma faixa de trevas sobre o brilho das estrelas do núcleo. Todavia, imagens recentes feitas pelo telescópio espacial Hubble mostram que a Sombrero teve um passado violento e deve ter colidido com outra galáxia.
Colisões entre galáxias são comuns no nosso Universo. Quando envolve galáxias de tamanhos diferentes a maior, geralmente, engole a menor. Já duas galáxias do mesmo tamanho passam uma por dentro da outra, ficando deformadas, como é o caso da galáxia Antenas. Estranhamente a Sombrero não exibe nenhuma deformação que indique uma colisão no passado.
A primeira indicação de que aconteceu alguma coisa violenta por lá surgiu quando o Hubble começou a fotografar as estrelas que ficam no halo da Sombrero. Nem todas as estrelas de uma galáxia ficam concentradas no núcleo ou nos braços espirais. Algumas escapam dessas estruturas e formam uma bolha de estrelas dispersas envolvendo a espiral. Geralmente as estrelas dos halos galácticos são velhas e pobres em metais. Mas, esse não é o caso da Sombrero. O Hubble encontrou muitas estrelas jovens, ricas em metais no halo galáctico.
Para explicar essa discrepância a equipe da Nasa fez várias simulações. E concluiu que, em um passado distante, há bilhões de anos, nossa pacífica Sombrero engoliu uma galáxia de massa semelhante, o que deu origem a essa multidão de estrelas jovens.

Perfeita: A majestosa Sombrero e seu halo de estrelas

A equipe da Nasa anunciou a descoberta em um comunicado à imprensa na semana passada.
E mais recentemente a equipe do telescópio de raios X Chandra detectou os vestígios de uma gigantesca explosão, a maior já observada no Universo, que aconteceu em um aglomerado de galáxias situado a centenas de milhões de anos-luz. Ao contrário do Hubble, que observa o universo na faixa de luz visível e do ultravioleta, o Chandra tem visão de raios X, como o Super-Homem das histórias em quadrinhos. Isso revela todo um universo que é invisível para quem enxerga só com a luz comum, que nossos olhos podem ver.
A luz é radiação eletromagnética formada por ondas. Um objeto aquecido a uma temperatura de mil graus, como certos planetas, brilha com a cor de uma brasa. Porque o vermelho é uma radiação de onda mais longa. À medida que a temperatura sobe, o objeto muda de cor, porque passa a emitir radiação de onda mais curta. Ele passa do vermelho para o amarelo, e depois para o azul. A essa altura sua temperatura já está em torno dos cinco mil graus centígrados.
Já os discos de matéria que cercam os buracos negros atingem temperaturas de milhões de graus. E emitem radiações invisíveis na faixa dos raios X e Gama. Sem seus olhos de raios X o telescópio Chandra não teria captado as imagens do buraco que a explosão abriu nas nebulosas que envolvem o buraco negro. A astrônoma Simona Giacintucci, do Laboratório de Pesquisa Naval dos Estados Unidos, autora do estudo, comparou a explosão do buraco negro com a erupção do Monte Santa Helena em 1980: “A explosão do Santa Helena arrancou o topo da montanha”. Já a cratera que o buraco negro abriu no aglomerado galáctico poderia conter quinze galáxias iguais a nossa Via Láctea. Detalhe, a Via Láctea tem 200 mil anos-luz de diâmetro e um ano-luz equivale a 9,4 trilhões de quilômetros.

 

Jorge Luiz Calife


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Um comentário

  1. Avatar

    É bom ter estas possibilidades de ter informação sobre aquilo que ocore no Cosmos. Venho sempre com interese ver aquilo que os cientistas descobrem. A uniforrmidade da Galáxia Sombrero é uma das curiosidades que sempre me atraíram. Continuem. Obrigado

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