terça-feira, 23 de outubro de 2018

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A nova temporada de furacões

Matéria publicada em 20 de setembro de 2018, 08:44 horas

 


Florence e Mangkhut causam estragos nos EUA e nas Filipinas

Monstro: O Florence visto da estação espacial.

A atual temporada de furacões, nos oceanos Atlântico e Pacífico, está confirmando as piores previsões dos teóricos do aquecimento global. Na semana passada tivemos duas tempestades destruidoras em pontos opostos do planeta. No Atlântico Norte o furacão Florence chegou aos Estados Unidos na sexta-feira, com ventos de 120 KM/h e provocou uma elevação no nível do mar que inundou as cidades costeiras da Carolina do Norte. Nas Filipinas o tufão Mangkhut, ainda mais destruidor, cruzou as regiões densamente povoadas das Filipinas, Taiwan e Hong Kong, com ventos de 250 KM/h.
Apesar dos nomes diferentes, tufão e furacão são a mesma coisa. Imensas tempestades tropicais que se formam quando a temperatura dos oceanos sobe acima dos 27 graus centigrados. Começando como uma tempestade comum, essas tormentas se alimentam da umidade e crescem formando um redemoinho de nuvens com ventos destruidores. Que empurram as águas dos oceanos sobre as regiões costeiras, fazendo a maré se elevar até quatro metros. O que arrasta casas e pessoas que estejam em seu caminho.
Há mais de vinte anos, no início da década de 1990, que os cientistas alertam que o aquecimento do planeta ia aumentar a frequência e a intensidade dessas tormentas. Só este ano o continente Asiático já foi atingido por 27 tufões, o que passou sobre o Japão foi o mais violento dos últimos 15 anos. A capacidade de destruição de um furacão, ou tufão, depende da velocidade dos ventos e de seu deslocamento. O Florence por exemplo atingiu um diâmetro de 560 quilômetros. Apesar de ser uma tempestade de categoria 2 ele se deslocou lentamente, com uma velocidade de 10 KM/h. Isso significa que ele podia ficar mais de um dia sobre uma cidade, o que aumentou seu potencial de devastação.
Já o Mangkhut tinha ventos de 280 quilômetros, e embora se desloque mais rápido é muito mais destruidor. Como tem sido o costume, desde o século passado essas tempestades são monitoradas em tempo real, pelos satélites em órbita, pelos astronautas na Estação Espacial Internacional e pelos caçadores de tormentas. Tripulantes de aviões de pesquisa que penetram no olho da tempestade para colher dados sobre a velocidade dos ventos, a temperatura e a umidade. Voltando com imagens tão bonitas quanto às obtidas pelos astronautas no espaço.
Antes da era espacial era bem diferente. Os serviços de meteorologia contavam apenas com navios e boias no oceano. As vezes um tufão ou furacão se aproximava do continente ou de uma ilha sem ser detectado, o que aumentava muito o número de vítimas. Em 1960 os meteorologistas ganharam uma ferramenta nova e revolucionária com a colocação em órbita do Tiros 1, o primeiro satélite de observação do tempo. A série Tiros mostrou seu valor quando o terceiro satélite, lançado em 1962, localizou um furacão que se aproximava dos Estados Unidos. Permitindo que as autoridades alertassem com antecedência as populações das áreas atingidas.
Hoje existem satélites muito mais sofisticados, como os GOES que observam a Terra da órbita geoestacionária, a 35 mil quilômetros de altura. E toda uma frota de engenhos que deslizam em órbitas mais baixas, como a série do Suomi NPP. Apesar disso os furacões continuam a matar muita gente, especialmente nos países mais pobres. Como foi a caso do tufão Raian, que matou seis mil pessoas nas Filipinas em 2013. Aos satélites não tripulados foi acrescentada a observação feita pelos astronautas da Estação Espacial Internacional. Que orbita a Terra a 400 quilômetros de altura. E ajudam a documentar a formação e a evolução das grandes tormentas num mundo cada vez mais turbulento.

Por: Jorge Luiz Calife


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