quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

TEMPO REAL

 

Capa / Ciência – Por Jorge Calife / As mulheres são de Marte

As mulheres são de Marte

Matéria publicada em 30 de janeiro de 2020, 08:45 horas

 


Grupo feminino completa missão simulada ao Planeta Vermelho, no Havaí

“Os Homens São de Marte… E É Pra Lá que Eu Vou” é uma comédia da Mônica Martelli que faz sucesso no teatro e no cinema há mais de uma década. Agora, parece que a atriz brasileira não é a única representante do sexo feminino que decidiu se mudar para o Planeta Vermelho. Na semana passada uma equipe feminina formada por seis cientistas completou uma simulação de viagem a Marte em um habitat instalado no vulcão havaiano Mauna Loa. A encosta do vulcão foi escolhida por ser uma região árida que se parece com os desertos marcianos.
As seis mulheres passaram duas semanas trancadas dentro de um simulador de base marciana. O HI-SEAS (sigla em inglês de Simulação Análoga de Exploração Espacial no Havaí) é formado por um iglu de plástico hermeticamente fechado por onde se entra e sai através de uma comporta. As seis cientistas só podiam sair da “base marciana” usando roupas espaciais, como ocorreria se elas estivessem mesmo em Marte. A equipe foi formada pela comandante J. Hastings e pelas pesquisadoras Erin Bonilla, Adriana Blachowicz, Makiah Eustice, Sian Proctor e Maraia Hoffman.
Nas duas semanas em que ficaram dentro do habitat elas fizeram experiências de sequenciamento de DNA e testaram comidas que serão usadas nas futuras viagens interplanetárias. O projeto foi desenvolvido por uma empresa particular, a Analogs LLC, e não é a primeira simulação feminina de expedição a Marte. Em 2005 e 2006 a Mars Society realizou testes semelhantes com grupos de mulheres em outra base simulada, situada no deserto de Utah. As “tripulantes” do HI-SEAS saíram da cúpula entusiasmadas e dizendo que ficaram muito amigas durante os 15 dias do teste.
Esse tipo de simulação ajuda a testar tecnologias que estão sendo desenvolvidas para a exploração de outros planetas. Mas, está muito longe de simular os desafios e os perigos de uma verdadeira expedição a um planeta distante.
Com os motores atuais uma nave espacial levaria meses só para chegar em Marte. Lá os exploradores (ou exploradoras) teriam que ficar vários meses esperando que a Terra e Marte se colocassem na posição favorável para uma viagem de retorno. E, então, enfrentariam mais seis meses de viagem para chegar na Terra. Ao contrário das simulações, em uma viagem a Marte não seria possível resgatar a equipe no caso de uma pane catastrófica. E existem outras questões que não podem ser simuladas aqui na Terra.
Um deles é o efeito da ausência de gravidade. Que provoca a descalcificação dos ossos, atrofia muscular e afeta os olhos. Astronautas que passaram um ano na Estação Espacial Internacional tiveram que ser carregados em cadeiras quando voltaram para a Terra. E além do campo magnético da Terra não existe proteção contra a radiação cósmica e solar, que é especialmente nociva para o corpo feminino.
Soluções estão sendo estudadas. Uma delas é uma armadura de plástico polietileno, antirradiação, que será testada no próximo voo da nave Orion da Nasa. Quanto a ausência de gravidade existe o antigo remédio de fazer a nave girar para produzir uma “gravidade artificial” através da força centrífuga. Essa é a solução favorita dos produtores de filmes de ficção científica, mas ainda não existe nenhum projeto de espaçonave real com essa característica.
O empresário Elon Musk afirma que vai mandar pessoas para Marte a partir de 2024. Mas, pouca gente fora de sua empresa, a Space X, leva a proposta a sério. Afinal, a nave projetada por Musk não tem gravidade artificial nem proteção contra radiação. Isso é algo que ele ainda vai ter que desenvolver.

 

Jorge Luiz Calife

Simulação: As ‘marcianas’ festejam o sucesso da missão


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*

Untitled Document