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Betelgeuse: Uma estrela vai explodir

Matéria publicada em 16 de janeiro de 2020, 10:34 horas

 


Redução de brilho pode indicar início de uma supernova; estrela avermelhada encontra-se bem fraca

Uma das estrelas mais brilhantes do céu está perdendo o seu brilho. É Betelgeuse, a Alfa da constelação do Orion, que pode ser vista com destaque nos meses do verão. Betelgeuse já foi a 11ª estrela mais brilhante do céu. Mas, desde outubro do ano passado seu brilho vem diminuindo e ela passou da magnitude O,5 para 1,5 (quanto menor a magnitude, mais brilhante é uma estrela). Alguns astrônomos acham que Betelgeuse já começou o processo de contração que precede a explosão de uma estrela como supernova. Mas, como Betelgeuse sempre foi uma estrela variável, com seu brilho oscilando entre 0,0 e 1,3, pode ser que se trate apenas de uma oscilação anormal.
Quem conhece as constelações e costuma observar o céu estrelado já notou, mesmo a olho nu, que a estrela avermelhada se encontra bem fraca. Sendo eclipsada pelo brilho de sua vizinha, Rigel, na mesma constelação. Betelgeuse é uma gigante vermelha, uma estrela tão grande que se fosse colocada no lugar do Sol ela engoliria os planetas Mercúrio, Vênus, Terra, Marte e Júpiter. Estrelas tão grandes queimam rapidamente o seu combustível de hidrogênio e têm vidas relativamente curtas. A idade atual de Betelgeuse é de 8,5 milhões de anos, o que é pouco comparada com a idade do nosso Sol, que tem 4,6 bilhões de anos.
Os astrônomos sempre souberam que Betelgeuse ia acabar explodindo nos próximos 100 mil anos. Mas, a recente redução recorde de brilho levou alguns pesquisadores a ficarem alertas. É impossível prever quando uma estrela vai explodir como supernova. No caso de Betelgeuse, tanto pode acontecer na semana que vem, quanto daqui a mil anos ou mais. Mas, quando acontecer vai ser um espetáculo imperdível.
Quando uma estrela vira supernova ela emite em poucos dias mais luz do que todas as bilhões de estrelas de uma galáxia. Até hoje a supernova mais próxima do nosso sistema solar foi a nebulosa do Caranguejo, observada pelos índios americanos e pelos astrônomos chineses no ano de 1054. Curiosamente a supernova de 1054 foi ignorada pelos habitantes da Europa, porque o cristianismo dominante dizia que o céu era imutável e refletia a perfeição divina. E qualquer um que afirmasse o contrário poderia ser queimado na fogueira.
Sem censura religiosa os chineses e os índios do oeste americano notaram a nova estrela no céu. Tão brilhante quanto a lua cheia e fizeram uma série de registros. Os índios gravaram a imagem da estrela ao lado da lua crescente nas paredes de uma caverna no Novo México. Atualmente os restos da explosão e o pulsar que se formou podem ser observados na constelação do Touro.
Acontece que esta supernova encontrava-se a uma distância de 6500 anos-luz da Terra. Já Betelgeuse fica muito mais perto, a apenas 642 anos-luz da Terra, o que sugere que sua eventual explosão seria muito mais brilhante. Capaz de ser vista até mesmo à luz do dia, como foi mostrado no filme “2010: O ano em que faremos contato”. O espetáculo de uma supernova dura semanas até que a estrela se apaga, deixando no lugar uma nuvem de gases em expansão e um núcleo comprimido, que forma uma estrela de nêutrons do tamanho da Terra.
Devido a sua proximidade, Betelgeuse pode ser estudada em detalhes através dos grandes telescópios. Uma foto recente mostra que a gigante vermelha está deformada, com uma protuberância em um dos lados. O que também reforça o seu estágio final de estrela prestes a colapsar.
Como a explosão não tem data certa os astrônomos recomendam ficar de olho no céu. De repente a sorte está do nosso lado e nossa geração vira testemunha de um dos fenômenos mais espetaculares da natureza.

 

Jorge Luiz Calife

 

 


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