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Buracos negros dominam o Universo

Matéria publicada em 24 de fevereiro de 2021, 14:29 horas

 


Novas estudos revelam que o Cisne X-1 é maior do que se imaginava

Dupla: A estrela azul esta sendo sugada pelo buraco negro

Na semana em que a agência espacial americana Nasa, pousou com sucesso mais um carro robô na superfície de Marte, os misteriosos buracos negros continuaram a roubar a cena. O primeiro deles, o Cisne X-1, foi descoberto em 1964 por um foguete de pesquisas lançado de White Sands, nos Estados Unidos. Como diz o nome ele fica na constelação do Cisne. Agora, um novo estudo revelou que este abismo negro, que suga tudo, é maior do que se imaginava e fica bem mais longe do que sugeriam as estimativas anteriores.

Os buracos negros são o que sobrou da implosão de uma estrela gigante. Nada consegue escapar de sua gravidade, nem a luz, por isso eles são negros. O Cisne X-1 foi descoberto devido aos raios X e gama que são emitidos a medida em que ele devora uma estrela vizinha. A matéria sugada da estrela forma uma ponte de fogo através do céu e gira num redemoinho, onde é aquecida a temperaturas de milhões de graus centígrados. E com esse calor todo ela emite radiações de alta energia, como os raios X e gama, revelando a presença do buraco negro.

Uma série de estudos feitos em 2011 tinha calculado a distancia do buraco negro a Terra como sendo de 6070 anos-luz (Um ano luz é igual a 9,4 trilhões de quilômetros). Mas a nova medição, feita a partir de um conjunto de radiotelescópios situados nos Estados Unidos, mostra que o Cisne X-1 fica uns mil anos-luz mais distante. Mas precisamente a 7240 anos-luz do nosso pequeno planeta Terra. Para medir a distancia de um objeto tão longínquo os cientistas usaram a técnica do paralaxe. Que o leitor pode demonstrar aí mesmo, na frente do computador.

Estenda o braço direito e coloque o dedo indicador diante do rosto, a uma distancia de um metro mais ou mesmo. Depois, fixando os olhos no dedo erguido  vá abrindo e fechando seguidamente o olho esquerdo e o direito. A medida em que observa o dedo, primeiro com o olho esquerdo, depois com o direito, vai perceber que ele parece mudar de posição em relação aos objetos ao fundo. Isso acontece porque o ângulo com que cada um dos olhos observa o dedo é diferente.

No caso de uma estrela distante não basta piscar os olhos. É preciso usar um ângulo bem maior para obter o paralaxe da estrela. Usando as antenas parabólicas do Very Long Baseline Array (Conjunto de Base muito longa) os astrônomos observaram o Cisne X-1 quando a Terra se encontrava em uma extremidade de sua órbita, digamos, no mês de agosto. E então repetiram a observação seis meses depois, quando o nosso planeta se encontrava do outro lado da elipse que descreve em torno do sol. Com a medida dessa distancia e o ângulo formado pelas duas observações bastou usar a trigonometria para calcular a distancia do buraco negro.

O VLBA é um conjunto de dez grandes antenas parabólicas espalhadas por todo o território norte-americano. E agora que sabemos que o Cisne X-1 fica a 7240 anos luz da Terra, foi possível calcular o seu tamanho, que é muito maior do que se imaginava. Na verdade ele tem 21 vezes a massa do Sol. Antigamente os astrônomos acreditavam que as estrelas que formam buracos negros teriam no máximo 15 vezes a massa do Sol. As novas medições também revelam que o Cisne X-1 esta girando com quase a velocidade da luz, ou seja 300 mil quilômetros por segundo. É assim que funciona a ciência, ela não é feita de dogmas inquestionáveis e sim de observações que estão sendo sempre revistas e aperfeiçoadas.

Os buracos negros vivem surpreendendo os astrônomos. Outra surpresa veio do aglomerado globular de estrelas NGC 6397. Aglomerados globulares são enxames compactos de estrelas que ficam nas periferias das galáxias. Usando o telescópio espacial Hubble, e o satélite Gaia da Agência Espacial Europeia, uma equipe de astrônomos observou o centro do NGC 6397. Eles esperavam encontrar um enorme buraco negro, mas no lugar disso acharam um ninho de buracos negros pequenos.

 

Jorge Luiz Calife

 

 


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