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Coisas estranhas no céu

Matéria publicada em 12 de dezembro de 2019, 09:05 horas

 


Uma galáxia dentro de uma galáxia dentro de uma galáxia e o buraco negro

Na constelação da Serpente, a 600 milhões de anos-luz da Terra, existe uma coisa linda e muito, muito grande. Uma série de anéis concêntricos de estrelas com um diâmetro de 100 mil anos-luz. Ele é chamado de Objeto de Hoag, porque o astrônomo Arthur Hoag, que o viu pela primeira vez no distante ano de 1950, não sabia exatamente do que se tratava. Ele achou que podia ser uma lente gravitacional, um anel de luz criado pela gravidade de galáxias distantes. Essas miragens gravitacionais existem realmente, mas o Objeto de Hoag não é uma delas. Ele é um exemplo de um raro tipo de galáxia, conhecido como galáxia anel.
Essas estruturas são formadas pela colisão de duas galáxias, um fenômeno que pode durar milhões de anos. Este ano, um novo estudo feito com a ajuda do telescópio espacial Hubble mostrou que o Objeto de Hoag é na verdade três galáxias misturadas em uma só imagem. A parte externa é um anel de estrelas azuis que formam um círculo perfeito em torno de um anel menor, feito de estrelas vermelhas antigas que devem ter vindo de outra galáxia. E, finalmente, entre os dois anéis, o azul e o vermelho tem uma terceira galáxia anelada, mais distante.
Mas, o enigma está longe de ser resolvido. Se essa estrutura fosse o resultado de uma colisão de galáxias, ocorrida há três bilhões de anos, ela deveria ter emitido ondas de rádio que seriam captadas pelos nossos radiotelescópios. Mas, não há nenhum sinal delas. E a origem desse belo círculo de estrelas continua a ser um dos enigmas do Universo.
Do outro lado do mundo os astrônomos chineses encontram-se às voltas com outro mistério estelar. Eles descobriram um grande buraco negro situado a apenas 13.800 anos-luz da Terra. O que é pouco se levarmos em consideração que a nossa galáxia tem 200 mil anos-luz de diâmetro. O problema é que as medições feitas pelos chineses mostram que esse buraco negro tem 68 massas solares. Ou seja, ele é 68 vezes mais pesado do que o nosso Sol. Acontece que as teorias sobre a formação de buracos negros estelares dizem que eles não podem ter mais do que 25 massas solares.
É claro que existem buracos negros com milhões de massas solares, mas são de outro tipo. São os buracos negros galácticos, que se formam no centro de galáxias como a nossa Via Láctea. Já os buracos negros estelares, que são encontrados na periferia, e não no centro das galáxias, são bem menores. Eles se formam devido a implosão do núcleo de estrelas gigantes. Um fenômeno conhecido como supernova. E quando a estrela atinge o estágio de supernova ela irradia boa parte de sua massa para o espaço.
É o que explica o chefe da equipe que descobriu o novo buraco negro, Jifeng Liu, dos Observatórios Astronômicos Nacionais da China. Ele comentou que “Estrelas muito maciças, dentro da composição química da nossa galáxia, perdem a maior parte de sua massa expelida através de fortes ventos estelares, à medida que se aproximam do final de suas vidas”. E quando elas viram um buraco negro o resultado não tem mais do que 25 massas solares.
O novo buraco negro foi descoberto através de um aparelho chinês conhecido como Telescópio Espectroscópico de Fibra, o LAMOST. O buraco orbita uma estrela azul conhecida como LB-1 que tem oito vezes a massa do Sol. E se encontra em órbita ao redor do buraco negro.
Mas, é possível que a equipe chinesa tenha cometido um erro ao calcular a distância de sua descoberta. Dados do satélite europeu Gaia indicam que o buraco negro pode estar sete mil anos-luz mais perto de nós do que os chineses calcularam. E também é possível que ele tenha engolido uma estrela gigante, o que explicaria sua enorme massa. De qualquer forma as estimativas indicam que só a nossa galáxia tem 100 milhões de buracos negros.

 

Jorge Luiz Calife

 

Objeto Hoaeg: Galáxias dentro de galáxias


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