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Constelações de satélites deixam astrônomos preocupados

Matéria publicada em 27 de fevereiro de 2020, 08:20 horas

 


Hackers também podem interferir e transformar satélites em armas

Há duas semanas um foguete Falcon, da empresa Space X, lançou 60 satélites artificiais de uma só vez. Eles fazem parte de uma rede de mais de mil engenhos, a Starlink, patrocinada pelo bilionário Elon Musk. O objetivo é fornecer acesso à internet para regiões de conexão difícil. O problema é que esses satélites, movendo-se no céu do crepúsculo e da alvorada, interferem com os observatórios astronômicos provocando riscos nas fotografias. Como pode ser visto na foto que ilustra esta coluna. Ela foi tirada pelo telescópio do observatório de Cerro Tololo em novembro do ano passado, logo depois do lançamento de mais um conjunto de satélites. Cada risca nessa foto do céu foi produzida por um satélite passando.
Segundo a União Astronômica Internacional o maior impacto vai ser sobre as pesquisas que envolvem a observação de grandes trechos do céu. A luz dos satélites pode saturar os sensíveis detectores de luz feitos para captar a luminosidade de galáxias distantes. Uma avaliação preliminar sugere que 30% das observações na hora do crepúsculo e da alvorada podem ser comprometidas.
Satélites artificiais não possuem luz própria. Eles brilham no céu noturno refletindo a luz do Sol, que ainda se encontra acima do horizonte para um objeto em órbita. É por isso que eles só são visíveis nas primeiras horas da noite, entre 18 e 20 horas. E de manhã cedinho, uma hora antes de o Sol nascer. Além da constelação Starlink da Space X existe outra em projeto, da empresa One Web. Mas, para quem observa o céu a olho nu é difícil ver esses satélites. A maioria passa muito baixo, perto do horizonte ou tem um brilho demasiado fraco para ser percebido sem o auxílio de telescópios.
Outra preocupação recente, causada pelos satélites no espaço, vem da possível ação de hackers. Um grande número desses satélites mais simples é fabricado com componentes comuns no mercado. E como existem muitas empresas envolvidas, os hackers poderiam, em teoria, ganhar acesso aos códigos de comunicação com esses engenhos. Eles poderiam enviar mensagens para que os satélites se desliguem, interrompendo as redes de comunicações a que eles servem. Além disso, alguns desses satélites são equipados com pequenos motores de foguete para mudarem de órbita em caso de necessidade. Os hackers poderiam ativar esses motores para provocar colisões entre satélites ou lançá-los como mísseis improvisados contra a Estação Espacial Internacional.
Um ataque desse tipo aconteceu em 1998, quando hackers invadiram os computadores do Centro Espacial Goddard da Nasa. Eles enviaram comandos para o satélite Rosat, que as agências espaciais dos Estados Unidos e da Alemanha tinham colocado em órbita para estudar os raios X do espaço. Os comandos fizeram o Rosat apontar seus painéis solares diretamente para o Sol. O que, literalmente, fritou as baterias e inutilizou o satélite, que acabou caindo na Terra.
Em 2008 hackers chineses assumiram o controle de outros dois satélites da Nasa durante dois minutos. Ciberataques semelhantes também foram tentados por hackers iranianos. E o problema é mais sério no caso dos satélites que ficam em órbita baixa. Que são mais fáceis de acessar. Mas, também pode atingir os satélites de comunicações, em órbita geoestacionária. Caso os piratas da internet consigam invadir os computadores das empresas que controlam esses satélites.

 

Jorge Luiz Calife

Estrago: As linhas na foto foram produzidas pelos satélites da Space X


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Um comentário

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    Me lembrou o enredo do mangá Planetes, escrito e desenhado pelo Makoto Yukimura.

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