Descoberta de buraco negro entusiasma cientistas

by Diário do Vale

Dupla- O buraco negro e sua estrela companheira

O jornalismo científico, que se dedica a divulgação da ciência e suas descobertas, não permite sensacionalismos. Nem fake News. Afinal a ciência trata de descobertas que precisam ser minuciosamente verificadas antes de serem divulgadas. Infelizmente, hoje em dia, a internet está cheia de blogs, supostamente científicos, que disputam ferozmente o número de seguidores. E criam manchetes bombásticas para levar as pessoas a clicarem naquela página ou vídeo do Youtube. O que leva a muitos equívocos e percepções falsas.

No início desta semana, quase todas as páginas de notícias da web anunciavam a descoberta de um buraco negro próximo da Terra. Alguns chegaram ao ponto de dizer que a estrela morta estaria “praticamente no nosso quintal”. O artigo sobre a nova descoberta foi publicado no Noticiário Mensal da Sociedade Astronômica inglesa. E foi feita pela equipe do centro de astrofísica da universidade de Harvard. Mas uma olhada nas fontes sérias mostra que a coisa não é bem assim.

Para começar o buraco negro recém descoberto fica na constelação de Ofiúco, a 1600 anos-luz da Terra. E 1600 anos luz é uma distancia muito, muito grande. Para o leitor ter uma ideia, um ano luz equivale a 9,4 trilhões de quilômetros. Multiplique 9,4 trilhões por 1600 para ter uma ideia de quão longe fica esse buraco negro. Outra unidade de distancia astronômica é o parsec, que equivale a 3,26 anos luz. Aliás os leigos costumam confundir essas unidades de distancia com unidades de tempo. Devido ao uso da palavra ano. O que levou a uma das maiores mancadas da série Guerra nas Estrelas (Star Wars), quando o personagem Han Solo diz que sua nave ganhou uma corrida em 12 parsecs. O que não quer dizer nada.

Mas voltando ao novo buraco negro, ele foi detectado graças às observações feitas pelo satélite Gaia. Por isso ele se chama Gaia BH-1, significando tratar-se do primeiro buraco negro (black hole – bh) descoberto pelo satélite Gaia. A astrônoma Kareen El Badry do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica disse que o satélite revelou que uma estrela semelhante ao Sol, na constelação do Ofiúco, apresentava minúsculas oscilações em sua órbita. Sugerindo que essa estrela tinha um companheiro invisível. Um astro de grande massa que perturbava o seu movimento.

Para confirmar a descoberta a equipe de Harvard, e do Instituto Max Planck na Alemanha, observou a estrela com o poderoso telescópio Gemini Norte no Havaí e seu irmão gêmeo, que fica no Chile. Ambos contam com um espelho de oito metros de diâmetro e um poderoso espectrógrafo. As observações confirmaram que o Gaia BH-1 é um buraco negro de massa estelar, que forma um par com uma estrela semelhante ao Sol. Os dois estão separados por uma distancia de uma unidade astronômica, que é a distancia que separa o nosso planeta do Sol, cerca de 150 milhões de quilômetros.

Estima-se que só na nossa galáxia, a Via Láctea, existem 100 milhões de buracos negros. E a maioria deles foi detectada através dos raios X que eles emitem, ao sugar matéria de estrelas vizinhas. A gravidade dos buracos negros é tão forte que eles podem devorar planetas e estrelas inteiras. Mas isso não acontece com o Gaia BH-1 que está muito distante de sua companheira para arrancar matéria dela. Outro site da internet chegou a dizer que há um buraco negro em curso de colisão com nosso planeta. Pura fake News. Na verdade é a galáxia de Andrômeda que se encontra em curso de colisão com a nossa galáxia. E é verdade que ela tem um enorme buraco negro em seu centro. Mas ela vai levar 3 bilhões de anos para chegar aqui.

 

Jorge Luiz Calife

 

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