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Está chovendo no Sol

Matéria publicada em 25 de abril de 2019, 08:41 horas

 


Gotas de plasma foram detectadas pelo Solar Dynamics Observatory

Quente: O plasma cai dos arcos de fogo solar.

Está chovendo até no Sol, mas não é o tipo de chuva que serve para se refrescar. Ela é feita de plasma com uma temperatura de milhões de graus centigrados, mais quente do que o alto forno da CSN. Um banho desta chuva solar vaporizaria um ser humano. A descoberta foi feita por um satélite da NASA, construído especialmente para observar a atmosfera do Sol. O Solar Dynamics Observatory (Observatório de Dinâmica Solar). O fenômeno está ligado aos arcos de matéria incandescente que se elevam milhares de quilômetros acima da superfície solar.
A matéria, como nós conhecemos, pode existir em quatro estados: Sólido, líquido, gasoso e plasma. Chamado de “quarto estado da matéria” o plasma é um gás eletrificado, super quente, que existe tranquilamente na atmosfera do Sol. Na verdade é o único tipo de matéria que pode existir nas temperaturas de dezenas de milhares de graus centigrados da superfície solar.
A descoberta da NASA foi feita quando o satélite focalizou seus telescópios nos ciclones de fogo que se formam sobre a superfície do Sol. Eles são controlados pelos fortes campos magnéticos que se desenvolvem dentro e em torno da nossa estrela mais próxima (Sim, o Sol é uma estrela de tamanho médio). Algumas dessas formações incandescentes formam grandes laços ou pontes com milhares de metros de altura. Na base dessas estruturas o plasma é aquecido até uma temperatura de 1 milhão de graus celsius e sobe em direção ao topo. Lá em cima ele esfria e se condensa caindo na forma de gotas de fogo. Ao contrário da nossa chuva de água, a chuva de plasma não forma poças na superfície solar. Sendo eletricamente carregada ela segue as linhas de força magnética e acaba se aquecendo e subindo de novo em direção ao espaço.
A descoberta ajuda a explicar porque a atmosfera do Sol é muito mais quente do que sua superfície. Agora a NASA vai direcionar outra nave, a Sonda Solar Parker para estudar melhor essa chuva de plasma. A Parker é a sonda espacial que já chegou mais perto do Sol e deve fazer outros mergulhos rasantes sobre a coroa solar.
A chuva parece ser um fenômeno comum no Universo, mas assume características diferentes em cada mundo. Em Vênus o céu tem uma cor amarela e chove ácido sulfúrico. Outra chuva que nenhum de nós gostaria de experimentar. Foram as chuvas venusianas de ácido que destruíram todas as sondas espaciais que conseguiram pousar no planeta. Onde a temperatura de 300 graus centigrados impede a existência de água líquida.
Depois de Vênus o mundo seguinte é a nossa Terra, o planeta da água, com imensos oceanos de H2O e chuvas refrescantes. A Terra encontra-se na chamada zona ideal para a existência de vida. Mais perto do Sol é quente demais para a existência de água e mais longe é frio demais e tudo se congela.
Mesmo assim existe chuva nos mundos externos do nosso sistema solar. Na lua Titã, do planeta Saturno, a chuva é feita de gases liquefeitos. Como o metano que forma lagos e rios na temperatura de 160 graus negativos da superfície titaniana. Titã tem um ciclo de chuva semelhante ao do nosso planeta. Só que não é chuva de água é chuva de amônia e metano super gelados. Em Titã as gotas caem do céu e escorrem em regatos em direção aos lagos e mares de gás liquefeito deste estranho mundo.
Mas a chuva mais exótica e valiosa do sistema solar é a chuva do planeta Netuno. Em Netuno as gotas de chuva são feitas de cristais de diamante. Chove diamante do céu de netuno, mas não existe ninguém por lá para acumular essa riqueza. O planeta gasoso nem tem uma superfície solida e é assolado por furacões com ventos supersônicos. Outro mundo proibido para os seres humanos.

Por: Jorge Calife


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