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Capa / Ciência – Por Jorge Calife / Estrela devorou planetas semelhantes à Terra

Estrela devorou planetas semelhantes à Terra

Matéria publicada em 9 de março de 2021, 15:17 horas

 


E o nosso planeta vai ficar sem oxigênio daqui a um bilhão de anos

Pequena: Depois de engolir planetas a estrela fica do tamanho da Terra

Duas pesquisas recentes revelam o destino final do nosso planeta, daqui a bilhões de anos. A primeira foi publicada na revista Nature Astronomy, e é o produto do trabalho da equipe europeia do telescópio Gaia. Os cientistas estavam estudando a composição de mais de mil estrelas da classe das anãs brancas. E encontraram vestígios de matéria planetária em uma delas. A estrela continha lítio, potássio, sódio e cálcio. E esses elementos apareciam na mesma proporção em que são encontrados na crosta solida de planetas semelhantes a nossa Terra. Outras anãs brancas foram analisadas e também tinham os mesmos elementos.

A conclusão é de que essas estrelas já foram sóis como aquele que brilha no céu da Terra. Quando elas evoluíram, transformando-se em anãs brancas, elas devoraram seus planetas. E a matéria que formava esses planetas se encontra agora dentro da massa comprimida dessas estrelas anãs.

O processo faz parte da evolução normal de estrelas semelhantes ao sol. Uma estrela é uma gigantesca bola de gás incandescente, que brilha com a energia da fusão nuclear, que ocorre em seu núcleo. Na temperatura de milhões de graus do núcleo da estrela o hidrogênio se transforma em hélio, liberando energia, num processo igual ao das bombas nucleares de hidrogênio. A estrela se mantem estável enquanto dura o seu estoque de hidrogênio. Mas depois de bilhões de anos o hidrogênio se esgota e a estrela passa a “queimar” outros elementos mais pesados.

A temperatura das camadas externas aumenta e a estrela incha como um balão. E durante essa fase de expansão ela engole os planetas próximos, que são derretidos pelo calor e incorporados à massa da estrela. Estima-se que quando o Sol passar por essa fase, daqui a bilhões de anos, ele vai engolir os planetas Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. Quando os outros tipos de combustível estelar se esgotam a estrela implode. Ela vai encolhendo até se transformar em uma esfera, mais ou menos do tamanho da Terra, feita de matéria superdensa. Uma colher da substância de uma estrela anã branca pesa milhares de toneladas.

Todavia, muito antes do nosso Sol passar por esse processo a vida já terá desaparecido da face da Terra. Outro estudo publicado na Nature Geoscience mostra que nosso planeta vai perder sua atual atmosfera rica em oxigênio.  A medida em que o Sol se tornar mais quente e luminoso, daqui a um bilhão de anos, o calor vai provocar uma deterioração das rochas de silício que formam a crosta terreste. Rochas como basalto e granito. E quando essas rochas se deterioram elas sugam o dióxido de carbono da atmosfera para formar minerais carbonados. Menos dióxido de carbono na atmosfera é uma boa notícia para quem combate o efeito estufa, mas é uma péssima notícia para as plantas.

As plantas verdes, ricas em clorofila, precisam da água e do dióxido de carbono para realizar a fotossíntese. E produzir oxigênio. O decréscimo do dióxido de carbono significa menos fotossíntese e menos oxigênio. Alguns tipos de plantas vão se tornar extintas e com o passar dos milênios a atmosfera terrestre vai se tornar uma mistura de gases sufocantes. O que levará a extinção da maioria dos animais e vegetais.

Para determinar quando isso vai acontecer, pesquisadores japoneses e americanos usaram simulações em computadores. As simulações levaram em conta a evolução do clima e da crosta terrestre (que inclui os continentes e os fundos oceânicos). O resultado aponta para uma escassez de oxigênio no planeta daqui a um bilhão de anos. Ou seja, muito antes do Sol se expandir e devorar a Terra.

Embora revelem a história futura de mundos semelhantes a Terra essas pesquisas não revelam nenhuma ameaça para a humanidade atual. Daqui a um bilhão de anos os seres humanos já estarão tão extintos quanto os dinossauros. E o problema terá que ser enfrentado pelos seres vivos que tiverem evoluído dos animais atuais.

 

Jorge Luiz Calife

 


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