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Estudo sugere que há 36 civilizações em nossa galáxia

Matéria publicada em 13 de julho de 2020, 19:11 horas

 


Mas, a distância entre elas é de 17 mil anos-luz, o que impediria a comunicação

Um grupo de astrofísicos da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, terminou um estudo que sugere a existência de outras civilizações em nossa galáxia, a Via Láctea. Os pesquisadores partiram da suposição de que a vida inteligente não é uma exclusividade da Terra. Ela se desenvolveria em planetas semelhantes ao nosso, onde existam condições favoráveis. Como água e temperaturas amenas.

A equipe, liderada pelo astrofísico Tom Westby, levou em conta o tempo que o nosso planeta levou para desenvolver vida inteligente. Cerca de 4,5 bilhões de anos. Se o que aconteceu na Terra acontecer em outros planetas, o tempo médio para o aparecimento de criaturas inteligentes, como nós, seria de 5 bilhões de anos. O planeta também precisa orbitar uma estrela rica em metais, como o nosso Sol. Sem metais é difícil que seres inteligentes consigam criar tecnologia.

Para serem detectadas essas civilizações precisam ter desenvolvido a tecnologia do rádio. Coisa que nós humanos só fizemos nos últimos cem anos. Só as civilizações com rádio e televisão seriam consideradas tecnicamente desenvolvidas. O estudo conclui que devem existir, atualmente, 36 civilizações tecnicamente ativas em nossa galáxia. A má notícia é que elas devem estar separadas, umas das outras, por distancias de 17 mil anos-luz. O que tornaria impossível detecta-las com a tecnologia atual.

Outra incógnita é quanto tempo dura uma civilização ativa. Elas podem ser destruídas em pouco tempo por guerras nucleares, impactos de asteroides ou epidemias. Por isso, dizem os cientistas, a descoberta de uma dessas civilizações seria importante para a nossa própria sobrevivência. Se estivermos sozinhos, e não existirem outras civilizações tecnológicas na Via Láctea isso significa que elas tem um tempo curto de existência. Já se descobrirmos que a vida inteligente é algo comum então nossas chances de sobreviver a longo prazo aumentam. Ao procurar por vida inteligente no espaço estamos tentando descobrir o nosso futuro e o nosso destino.

Há décadas que os astrônomos usam antenas de rádio para tentar detectar sinais de outros seres inteligentes como nós. A base para essas pesquisa é a famosa equação de Drake, criada na década de 1960 pelo astrônomo americano Frank Drake. Recentemente a equação de Drake foi atualizada por uma equipe do M.I.T, o famoso Instituto de Tecnologia de Massachusetts. A equação diz que o número N, de civilizações em nossa galáxia depende da multiplicação dos fatores  N*FqFhzFoFlFs. Na versão do M.I.T , o “N” da equação seria o número de planetas com “bioassinaturas”. Ou seja, sinais de vida como a nossa. N* é o número de estrelas que já foram estudadas pelos satélites TESS e JWST, ou seja, aproximadamente 30 mil sóis.

Fq é o número de estrelas calmas, que não emitem descargas de radiação nocivas para a vida. Cerca de 20%. Fhz é o número de estrelas com planetas rochosos, como a Terra, orbitando na zona favorável a vida. Cerca de 15%. Fo são os planetas que podemos observar pelo método de transito. Fl seria a fração desses planetas com vida e Fs são aqueles onde os sinais de vida poderiam ser observados pelos nossos instrumentos. O resultado seriam apenas dois planetas com vida entre os 30 mil que podemos estudar com os nossos satélites. Mas é claro que podem existir centenas de mundos com vida, incluindo vida inteligente, que não podemos detectar com nossos instrumentos.

Os dois estudos mostram porque tem sido tão difícil encontrar sinais de vida no espaço. O físico italiano Enrico Fermi acreditava que civilizações de robôs inteligentes poderiam colonizar nossa galáxia em 10 milhões de anos. Para máquinas imortais uma viagem interestelar de séculos de duração não seria nenhum problema. O fato de que eles nunca tenham aparecido aqui na Terra sugere que as viagens interestelares podem ser mais difíceis do que imaginamos.

Galaxia: Dezenas de civilizações ocultas

Jorge Luiz Calife

 

 

 


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