Europa quer captar a energia solar do espaço

by Diário do Vale

Futuro: O satélite vai enviar energia através de micro-ondas

A guerra na Ucrânia e a interrupção nas importações de gás da Rússia fizeram os europeus apelarem para projetos futuristas. Um deles é o Solaris, um antigo plano que prevê a construção de gigantescos satélites para captar a energia do Sol no espaço. A energia seria transmitida para a Terra em feixes de micro-ondas. A ideia não é nova, e foi estudada pela agência espacial americana Nasa na década de 1970. Na época o custo elevadíssimo, da ordem de centenas de bilhões de dólares, fez com que a ideia fosse abandonada. Hoje, mais de quarenta anos depois, o avanço da tecnologia espacial pode tornar o projeto viável.

Os ingleses também estão interessados no projeto, chamado de Space Energy Initiative (Iniciativa de Energia Espacial), mas o pessoal da agência espacial europeia, a Esa, parece mais comprometido com a ideia. Até 2025 eles pretendem concluir um estudo inicial de viabilidade do projeto. Que usaria tecnologia robótica para montar os enormes satélites no espaço. Já se sabe que os satélites terão que ser estruturas enormes com vários quilômetros de largura. E a humanidade nunca tentou construir algo tão grande assim. A energia solar captada seria convertida em micro-ondas de baixa potência e transmitida para grandes fazendas de antenas no solo. Os estudos iniciais vão verificar se esses feixes de micro-ondas não são perigosos para animais e pessoas no solo. Ou para aviões em voo e outros satélites no espaço.

A ideia dos satélites de energia solar, ou SPS, foi proposta na década de 1970 pelo cientista norte-americano Peter E Glasser. Ele calculou que um desses satélites seria capaz de gerar 10 mil megawatts, o equivalente a uma hidrelétrica de grande porte como Itaipu. Os satélites pesariam cerca de 10 mil toneladas e seriam montados em orbita baixa, a 400 ou 600 quilômetros da superfície terrestre. Pronta a enorme estrutura seria levada para uma órbita geoestacionária, a 36 mil quilômetros de altura. É bom lembrar que a maior estrutura já montada no espaço, a Estação Espacial Internacional, mede 90 metros de diâmetro e se encontra a pouco mais de 400 quilômetros de altura.

Um projeto alternativo, proposto pela Comissão Européia é o Solspace, que envolve grandes espelhos em órbita para refletir a luz do Sol sobre fazendas de fotocélulas na superfície. Nem todo mundo apoia essas ideias. O bilionário Elon Musk, diretor da empresa Space X, que opera os foguetes Falcon 9, acha mais prático construir os painéis solares na superfície da Terra. O problema é que uma usina solar terrestre tem seu funcionamento interrompido durante a noite e prejudicado nos dias de céu nublado. Já acima da atmosfera da Terra a energia solar é dez vezes mais intensa e se o satélite for colocado em órbita geoestacionária ele pode permanecer iluminado pelo Sol 24 horas por dia. Calcula-se que ocorreriam apenas dois pequenos eclipses solares por ano, quando a Terra passasse pelos equinócios.

Tanto o projeto Solaris quanto o Solspace fazem parte da iniciativa europeia para reduzir para zero suas emissões de carbono até o ano de 2050. Infelizmente a guerra na Ucrânia mostrou como a Europa se tornou dependente do gás natural importado da Rússia. Gás que agora teve a torneira fechada pelas sanções econômicas. Se o processo de substituição das fontes de energia atuais por fontes não poluidoras tiver sucesso será muito bom para o futuro do nosso planeta. Que já sofre os efeitos catastróficos de ondas de calor, furacões e tempestades extremas devido ao efeito estufa gerado pela queima do carvão e do gás.

 

Jorge Luiz Calife

 

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1 comment

Miguel Lino 14 de novembro de 2022, 14:32h - 14:32

Realmente o ser humano não para de surpreender. Seria algo grandioso se esse projeto funcionace. Tomara que dê certo, pois ficar dependo de um pais cujo seu governo é tão instável é algo muito perigoso.

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