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terça-feira, 14 de junho de 2022 - 15:55 h

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Capa / Ciência – Por Jorge Calife / Meteorito danificou o telescópio James Webb

Meteorito danificou o telescópio James Webb

Matéria publicada em 14 de junho de 2022, 15:55 horas

 


Partícula cósmica perfurou o segmento C3 do espelho de 6,5 metros de diâmetro

Webb: Telescópio deve enviar imagens esta semana

Menos de seis meses depois de ser lançado ao espaço, no dia 25 de dezembro, o bilionário telescópio espacial James Webb foi danificado pelo impacto de um micrometeorito. Segundo o informe da agência espacial Nasa, a partícula de matéria cósmica era maior do que se esperava e danificou o segmento C3 do espelho de 6,5 metros de diâmetro. Segundo a Nasa o engenho de 10 bilhões de dólares continua funcionando acima das expectativas e o dano pode ser compensado por ajustes nos outros 17 segmentos do espelho de berílio revestido com ouro.

O acidente aconteceu algumas semanas antes do telescópio iniciar sua missão científica. Depois de passar cinco meses sendo calibrado no espaço, o James Webb deve enviar suas primeiras imagens de galáxias distantes esta semana. Lee Feinberg, gerente de sistemas óticos do Centro Espacial Goddard disse que “Desde o lançamento tivemos quatro pequenos impactos de micrometeoritos, que foram consistentes com as expectativas. O mais recente foi maior do que previam nossas estimativas de degradação.”

O problema com o James Webb é que seu espelho parabólico foi construído para ficar exposto o tempo todo ao ambiente espacial. Ao contrário do espelho do famoso telescópio Hubble. O espelho de 2,5 metros do Hubble fica protegido dentro de um enorme canudo de metal, que conta com uma tampa na parte superior, que é fechada durante as chuvas de meteoritos. Com isso o espelho do Hubble nunca foi danificado por detritos cósmicos e o veterano telescópio continua a funcionar três décadas depois de ser lançado ao espaço.

Além disso, o Hubble se encontra na LEO, a órbita terrestre baixa. E foi consertado inúmeras vezes pelos astronautas do ônibus espacial. Recebendo novos componentes e tendo os defeitos corrigidos. Em contraste com o Hubble, o James Webb  se encontra no ponto de Lagrange, a 1,5 milhões de quilômetros da Terra. Fora do alcance de qualquer nave tripulada existente na atualidade. Ele não poderá ser consertado. Mesmo assim a Nasa espera que ele resista ao ambiente espacial durante pelo menos cinco anos, enviando imagens e informações sobre as fronteiras do espaço e do tempo.

Quase todo mundo já ouviu falar que o espaço entre os planetas é um vácuo, sem ar. Realmente é, mas não se trata de um espaço totalmente vazio. Ele esta cheio de grãos de poeira cósmica e fragmentos de cometas e meteoritos que se deslocam com velocidades superiores a de uma bala de fuzil. Qualquer coisa que seja atingida por essas partículas de matéria será danificada pela energia cinética. As roupas dos astronautas contem uma camada de tecido usado em coletes a prova de bala, para protegê-los do impacto desses micrometeoróides.

No mesmo modo a maioria dos satélites e estações espaciais contam com placas de metal em seu revestimento, para servirem de “escudo anti-meteorito”. Mas no caso do espelho do James Webb não é possível fornecer esse tipo de proteção. Já que o espelho precisa ficar exposto ao espaço para refletir a luz de galáxias distantes. Paul Geithner, vice-diretor técnico do projeto concluiu: “Sempre soubemos que o Webb teria que suportar o ambiente espacial, que inclui intensa radiação ultravioleta, partículas carregadas do Sol, raios cósmicos vindos de fontes exóticas e impactos de micrometeoritos. Nós o projetamos com uma margem de segurança, ótica, elétrica, térmica e mecânica, para garantir que ele funcione durante muitos anos no espaço”.

 

Jorge Luiz Calife

 


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