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O apocalipse da internet pode estar muito próximo

Matéria publicada em 28 de setembro de 2021, 14:50 horas

 


Pesquisa mostra que tempestade solar pode desconectar o mundo

Sol: Tempestade magnética pode bloquear a internet

Já pensou em ficar sem internet durante dias ou semanas? Essa perspectiva desagradável pode estar mais perto de nós do que imaginamos. Um estudo feito por pesquisadores da Universidade da California-Irvine alerta para o risco representado pelas tempestades solares. Normalmente o Sol emite um “vento” de partículas atômicas, magnetizadas, conhecido como vento solar. Essas partículas são bloqueadas pelo campo magnético da Terra e produzem o belo fenômeno das auroras polares. Mas uma ou duas vezes em cada século o vento vira um furacão energético que o campo magnético do nosso planeta não consegue segurar.

Esses eventos extremos, ou tempestades solares, são conhecidos também como “ejeções de massa coronal”. Segundo o autor do estudo, o pesquisador Sangeetha Abdu Jyothi, uma tempestade solar poderia provocar um curto-circuito nos cabos submarinos que ligam os vários continentes. Desconectando várias regiões do planeta durante semanas ou até meses. As últimas vezes em que o nosso planeta foi atingido por uma grande tempestade geomagnética foram em 1921 e em 1859. A tempestade de 1859 ficou conhecida entre os cientistas como “O evento Carrington”. Ela foi tão intensa que incendiou os fios do telégrafo. Que era o principal meio de comunicação a longa distancia do século dezenove. A aurora polar, que normalmente só é vista no Ártico e na Antártida, apareceu nos céus da Colômbia, perto do equador. Em uma entrevista para o site Wired, o cientista Abdu Jyothi lembrou a dependência que a humanidade tem hoje em relação aos sistemas eletrônicos de comunicação. E lembrou que os cabos submarinos da internet são equipados com repetidores, que amplificam os sinais, a cada 50 ou 100 quilômetros. Uma grande tempestade geomagnética poderia inutilizar esses repetidores tornando os cabos inúteis e impedindo o tráfego de informações entre os continentes.

A boa notícia do estudo é que os sistemas regionais, ou seja a comunicação entre municípios e bairros não seria afetada. Porque esses sistemas locais usam cabos de fibra ótica que estão imunes as correntes elétricas induzidas pela tempestade solar. Mesmo assim, milhões de pessoas no mundo inteiro, que dependem da internet para trabalhar, ficariam sem acesso as fontes de informação no exterior.

A probabilidade de algo assim acontecer varia de 2 a 12 porcento, dependendo dos ciclos de atividade solar. Mas é inevitável que aconteça uma ou duas vezes por século. E os países mais perto dos polos, como o Canadá e a Argentina são mais vulneráveis. Em março de 1989 toda a província de Quebec no Canadá sofreu um apagão provocado por uma tempestade solar. No caso do Brasil, é bom lembrar que estamos mais perto do equador, mas temos o fenômeno da Anomalia Magnética  do Atlântico Sul, uma espécie de buraco no escudo magnético da Terra que permite a passagem do vento solar.

O autor do projeto lembrou como a humanidade se mostrou despreparada durante a pandemia do coronavírus. Não existia um protocolo global para lidar com o evento e cada governo fez o que queria. Alguns países, como a Nova Zelândia, reagiram prontamente e conseguiram bloquear a propagação do vírus. Outros como o Brasil deixaram a doença correr solta. Com a rede mundial de computadores acontece coisa semelhante. Não existe um protocolo mundial para lidar com uma tempestade solar extrema. E os reparos poderiam levar meses já que trocar cabos submarinos é uma tarefa difícil e cara.

Uma estimativa feita pelos pesquisadores indica um prejuízo mundial de bilhões de dólares. Para os cientistas que assinam a pesquisa, as empresas de telecomunicações poderiam instalar mais cabos nas latitudes elevadas e fazer testes de confiabilidade. Porque um evento solar de grande magnitude vai acontecer cedo ou tarde.

 

Jorge Luiz Calife

 


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Um comentário

  1. Excelente Jorge! Gosto de suas seções pela divulgação científica e pela Cultura geral.

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