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O arco-íris estelar e a galáxia que morreu

Matéria publicada em 13 de fevereiro de 2020, 09:00 horas

 


Novos telescópios revelam visões fantásticas do universo; super galáxia se tornou apagada e inativa

Os novos telescópios de alta tecnologia estão revelando aspectos inéditos do universo. Uma delas é uma nuvem com as cores do arco-íris que foi criada pela colisão de duas estrelas. Bem mais longe, nos confins do Universo, os telescópios revelaram uma galáxia morta que se formou logo depois do Big Bang, a explosão que criou o Cosmos há 13,8 bilhões de anos. Rica em matéria, ela passou por uma juventude breve, quando as estrelas se formavam e se apagavam rapidamente até se tornar apagada e obscura.
A nuvem arco-íris foi revelada pelo telescópio ALMA, que fica nos Andes chilenos, e pertence ao Observatório Austral Europeu. Ela cerca uma estrela conhecida como HD 101584. Trata-se de uma estrela dupla, formada por duas estrelas que giram uma em torno da outra, presas pela força gravitacional. À medida que uma das estrelas evoluía, queimando seu combustível de hidrogênio, ela se expandiu, virando uma gigante vermelha e engolindo sua companheira.
A estrela menor começou a perder velocidade, entrando cada vez mais na atmosfera incandescente da maior. Isso acabou arrancando as camadas externas da estrela, que era semelhante ao nosso Sol. E o resultado foi a formação desta nuvem colorida, iridescente, que aparece na foto aí ao lado. Mas, é preciso notar que as cores dessa imagem foram processadas por computadores e a nuvem, provavelmente, não pareceria tão colorida para um observador mais próximo dela. No futuro, daqui a um bilhão de anos, o nosso Sol também vai se expandir, virando uma gigante vermelha. Só que ele não tem uma estrela companheira para criar este efeito.
Já a galáxia morta foi descoberta graças a um espectrógrafo infravermelho, o MOSFIRE, instalado no telescópio Keck, que fica no Havaí. Ela é conhecida pela sigla XMM-2599 e fica a 12 bilhões de anos luz da Terra. O que significa que sua imagem mostra como ela era há 12 bilhões de anos, porque sua luz levou esse tempo para viajar de lá até aqui. E como o universo se formou há 13,8 bilhões de anos, o que temos é uma imagem de como era o Universo jovem, um bilhão de anos depois de se formar.
A XMM-2599 era uma galáxia monstro, muito maior e mais ativa do que a nossa Via Láctea. Os astrônomos calculam que no pico de sua atividade ela formou mil sóis por ano. Em comparação, a Via Láctea produz um novo sol por ano. Sua massa total era de 300 bilhões de sóis. Mas, toda essa produção em massa de estrelas esgotou o combustível da galáxia, formado por nuvens de gás e poeira que colapsam para formar novas estrelas. Também é possível que um grande buraco negro tenha se formado no centro da XMM-2599, drenando a galáxia da matéria que formaria novas estrelas.
E a super galáxia se tornou apagada e inativa, 1,8 bilhões de anos depois da formação do Universo. O autor da pesquisa foi o astrônomo Benjamin Forrest, que faz pós-doutorado na Universidade de Riverside, na Califórnia. No imenso universo que nos cerca existem muitas galáxias elípticas gigantes, do tipo da XMM-2599, mas a maioria é bem mais jovem e ainda se encontra no pico de sua atividade.

 

Jorge Luiz Calife


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