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O dia depois de amanhã pode ser hoje

Matéria publicada em 10 de agosto de 2021, 14:07 horas

 


Corrente do Golfo começa a enfraquecer e pode provocar uma catástrofe global

Perigo: Corrente do Golfo esta enfraquecendo

Pouca gente se lembra de um filme catástrofe produzido em 2004 pelo cineasta Rolland Emmerich. Na época o governo norte-americano do presidente George W.Bush colocava em dúvida as previsões dos cientistas sobre o aquecimento global. E o filme exagerava os efeitos de uma mudança no clima. O ator Dennis Quaid interpretava um paleoclimatologista que descobria que a Corrente do Golfo estava enfraquecendo e acabava preso em uma Nova York congelada por uma era do gelo instantânea. A Corrente do Golfo é um rio oceânico que leva as águas mornas e salgadas do Golfo do México para o norte, impedindo que a Inglaterra, por exemplo, fique congelada em temperaturas árticas.

Como toda produção de Hollywood o filme exagerou na velocidade das mudanças. Mas elas estão acontecendo agora. Uma pesquisa divulgada semana passada, realizada pelo Instituto para Pesquisa do Impacto Climático de Potsdan da Alemanha mostra que a Circulação Meridional do Atlântico, do qual faz parte a Corrente do Golfo, esta enfraquecendo e pode chegar a um ponto do qual não haverá retorno. A mudança esta sendo provocada pelo derretimento das geleiras da Groenlândia e do Ártico. Que lançou toneladas de água doce no oceano e mudou a salinidade e a densidade das águas do Atlântico Norte.

O leitor desinformado pode achar que nós, aqui no Brasil não temos nada a ver com isso. É um engano ingênuo. Todo o clima do planeta está interligado e se a Corrente do Golfo desaparecer o resultado serão secas devastadoras aqui na América do Sul. Secas que já estão acontecendo devido ao desmatamento da Amazônia e o aumento da temperatura global. O Centro Oeste do Brasil pode virar um deserto em poucas décadas, transformando em poeira as grandes plantações de soja, que são um dos principais elementos de exportação do agronegócio brasileiro.

E para piorar a situação, esta semana foi divulgado o novo relatório do IPCC, o Painel Intergovernamental para o Mudança do Clima. Que mostra que todas aquelas previsões passadas sobre os efeitos da mudança climática eram modestas. E que os efeitos estão acontecendo mais rápido do que se previa. Como o mundo testemunhou este ano com as ondas de calor que atingiram a América do Norte e a Rússia, as inundações na Europa e os incêndios descontrolados na Sibéria e na Grécia. O Secretário Geral da ONU Antônio Guterres disse que o sinal vermelho já se acendeu para toda a humanidade. E alertou:

“ As evidências são irrefutáveis: As emissões de gases do efeito estufa estão sufocando o nosso planeta e colocando bilhões de pessoas em perigo. O aquecimento global esta afetando todas as regiões do planeta, com muitas mudanças se tornando irreversíveis. Devemos agir agora para evitar uma mudança climática.”

De acordo com o documento, composto por 3500 páginas assinadas por 234 cientistas de 65 países, algumas mudanças, como a elevação do nível do mar já são irreversíveis. Até aqui os países trabalhavam com a possibilidade de zerar as emissões de dióxido de carbono por volta de 2040 ou 2050. Mas mesmo que fosse possível zerar as emissões agora continuaremos a sentir os efeitos catastróficos por 30 anos ou mais. E de que efeitos catastróficos estamos falando? Tempestades, inundações, ondas de calor e secas devastadoras.

Aqui no Brasil, por exemplo, tivemos um inverno excepcionalmente seco e frio. O que afetou a produção de energia elétrica, provocando um aumento na conta de luz. E há a previsão de que voltem a ocorrer “apagões” até o final do ano. O estudo do IPCC mostra também que cidades da região sudeste, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte ficarão sujeitas a chuvas torrenciais durante o verão.

E ninguém pode dizer que não fomos avisados. Os climatologistas falam disso há 20 anos.

 

Jorge Luiz Calife

 


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Um comentário

  1. Quando eu era criança já se falava isso e já se passaram quase cinquenta anos e estamos aqui. Respeito a ciência, mas acredito que o clima muda de tempos em tempos por aquecimento ou esfriamento dos oceanos. Devemos sim preservar os recursos naturais e ter políticas ambientais corretas. Não esse show que vemos hoje

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