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Capa / Ciência – Por Jorge Calife / O difícil caminho para o espaço

O difícil caminho para o espaço

Matéria publicada em 9 de maio de 2019, 08:24 horas

 


Cápsula Dragon explode durante teste e atrasa início dos voos tripulados

Falha: Testes terminaram em explosão

O lema da Força Aérea Inglesa é a frase latina “Per Ardua ad Astra”, que significa “Através da adversidade até as estrelas”. Um lema que podia ser adotado pelo programa espacial americano. Que sofreu um inesperado revés, semana passada, quando uma cápsula espacial Crew Dragon, construída pela empresa Space X, explodiu durante um teste estático com seu sistema de propulsão. Felizmente não havia ninguém a bordo, mas a nave ficou totalmente destruída. O que deve adiar os planos de realizar o primeiro voo com tripulação ainda este ano.

Desde a aposentadoria dos ônibus espaciais que os astronautas americanos dependem dos russos para ir ao espaço. A NASA, a agência espacial americana, paga milhões de dólares a agência espacial russa para que seus astronautas viagem nas naves Soyuz, nas missões até a Estação Espacial Internacional. Para acabar com essa dependência vergonhosa, os americanos desenvolveram três veículos espaciais totalmente novos. A cápsula Orion da NASA, a Crew Dragon da Space X e a Starliner da Boeing.

O problema é que todas essas naves deveriam começar a voar com astronautas a partir de 2018. Confiando nesse cronograma, o contrato da NASA com a Rússia, para usar as Soyuz, termina este ano. Mas o problema é que os três programas atrasaram, o mais atrasado é a Orion da NASA, que é a mais convencional das três naves. A Orion é uma versão moderna, computadorizada, das antigas cápsulas Apollo, que levaram tripulações até a Lua no final dos anos de 1960. Atualmente o programa da Orion enfrenta um atraso de mais de três anos. Seu foguete propulsor, o enorme SLS, só deve voar em 2021. E os voos tripulados com a Orion não devem começar antes de 2023.

Para tentar contornar o problema, os engenheiros da NASA estão preparando a Orion para que possa ser lançada por foguetes comerciais, como o Falcon Heavy da Space X. Mas o desenvolvimento do projeto continua lento e caro. Mais avançadas são a Starliner da Boeing e a Crew Dragon da Space X, que deveriam fazer seus primeiros voos com tripulação a partir de julho. Agora sabemos que não vai dar.

A Boeing pediu mais tempo para testar o sistema de aborto no lançamento. Coisa que a Space X estava fazendo até que a Dragon Crew explodiu em mil pedaços. O acidente foi tão grave que a empresa e o governo americano tentaram esconder o desastre, mas imagens da explosão vazaram na internet. O que levou o governo a advertir seus funcionários para não compartilharem esse tipo de imagens nas redes sociais.

O problema vem das inovações tecnológicas introduzidas na Dragon e na Starliner. Toda cápsula espacial precisa ser equipada com um sistema de emergência. Um foguete capaz de separar a nave dos propulsores se eles explodirem durante o lançamento. A Soyuz russa e a Orion americana usam um foguete de combustível sólido, que fica montado em cima da cápsula durante o lançamento.

Mas a Boeing e a Space X optaram por um sistema novo e diferente. No lugar do velho foguete de combustível solido a Starliner e a Crew Dragon usam motores, de combustível líquido, instalados dentro da estrutura da nave. Em caso de acidente durante a decolagem são esses motores que separam a cápsula do foguete incendiado. O problema é que a novidade implica em carregar uma grande quantidade de combustível dentro da nave. E um complicado sistema de tubulações e válvulas. Foi esse sistema que funcionou mal e detonou com a Crew Dragon durante o teste.

Agora os engenheiros estão correndo contra o tempo para solucionar o problema. Ou os astronautas americanos ficarão sem meios de ir ao espaço.


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