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O lago em Marte e o buraco negro galáctico

Matéria publicada em 2 de agosto de 2018, 07:00 horas

 


Cientistas europeus revelam maravilhas do Espaço Sideral

Observação: Luz da estrela ficou avermelhada.

Cientistas da Agência Espacial Europeia anunciaram na semana passada a descoberta de um lago de água líquida embaixo da calota polar de Marte. Os indícios da existência do lago foram obtidos pelo radar da sonda espacial Mars Express, que está orbitando Marte desde 2003. Na mesma semana a equipe do Observatório Europeu Austral, no Chile, conseguiu medir o desvio para o vermelho na luz de uma estrela que passou perto de um buraco negro gigante. A observação é mais uma prova da teoria da relatividade de Einstein.

A observação de Marte com sondas espaciais tem revelado que já existiu muita água na superfície do planeta. Há milhões de anos Marte tinha mares rasos, onde as ondas se moviam em câmara lenta devido à baixa gravidade do planeta. Depois que o planeta secou a água passou a existir apenas na forma de gelo, no subsolo e nas calotas polares do planeta. O robô americano, Curiosity descobriu que existiu um lago na cratera Gale, onde ele pousou, durante milhões anos antes de secar.

Agora os reflexos do radar da Mars Express indicam que ainda existe um lago no polo sul de Marte. Ele teria 20 quilômetros de diâmetro e estaria coberto por uma camada de gelo com 1600 metros de espessura. A temperatura da água seria de dez graus negativos, mas a água se manteria líquida devido ao alto grau de salinidade. Por enquanto tudo que os cientistas europeus conseguiram foi um reflexo de radar compatível com a existência de água. Para comprovar com certeza a descoberta seria preciso descer uma sonda espacial, no polo sul marciano com uma perfuratriz capaz de atravessar os quase dois quilômetros de gelo que cobrem o lago marciano.

Já o fenômeno previsto pela relatividade de Einstein foi observado no centro de nossa galáxia, onde existe um buraco negro com quatro milhões de massas solares. Ele é chamado de Sagitário A, porque o centro da nossa galáxia, a Via Láctea, fica na direção da constelação de Sagitário. Um grupo de estrelas, bem conhecidas gira em torno desse buraco negro, aceleradas a velocidades altíssimas, de até 30% da velocidade da luz pela gravidade do gigante negro. Em maio passado os astrônomos do Observatório Europeu Austral observaram uma dessas estrelas, a S2, passar muito perto do gigantesco abismo negro.

E como previa a Teoria da Relatividade de Einstein, a luz da estrela ficou avermelhada. Ela sofreu o que se chama de “desvio para o vermelho” que foi medido pelos instrumentos hipersensíveis do observatório no Chile. O resultado foi o clímax de um projeto que vem sendo desenvolvido há 26 anos, desde que os astrônomos europeus começaram a observar este buraco negro.

Durante a aproximação máxima a estrela chegou a 20 bilhões de quilômetros do buraco negro e foi acelerada a uma velocidade de 25 milhões de quilômetros horários. Muito superior a de qualquer nave espacial já construída pelo homem. 20 bilhões de quilômetros pode parecer muito, mas se a estrela chegasse mais perto ela seria destruída pela maré gravitacional do buraco negro. Astrônomos já observaram estrelas serem esticadas e destruídas por essas forças gravitacionais.

O filme Interestelar, que esta disponível em DVD, mostra uma nave espacial do futuro usando a gravidade de um buraco negro gigante para acelerar, como aconteceu com a estrela S2 na vida real. Uma manobra deste tipo implicaria em grande risco para os tripulantes da nave, que poderiam ser transformados num espaguete humano pela maré gravitacional do abismo negro. Felizmente os buracos negros mais próximos, como o Cisne X-1 se encontram a mais de mil anos-luz do nosso planeta e não representam perigo para os astronautas ou para o nosso planeta.

Por: Jorge Luiz Calife – jorge.calife@diariodovale.com.br


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