O osso do cachorro e o veleiro espacial - Diário do Vale
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Capa / Ciência – Por Jorge Calife / O osso do cachorro e o veleiro espacial

O osso do cachorro e o veleiro espacial

Matéria publicada em 13 de setembro de 2021, 14:50 horas

 


Observatório no Chile revela novos detalhes do asteroide que tem o nome de Cleópatra

Cleópatra- Asteroide parece um osso

Usando o super telescópio do Observatório Europeu Austral, nas montanhas do Chile, uma equipe de astrônomos conseguiu novas imagens do asteroide Cleópatra, conhecido popularmente como “osso do cachorro”. Com 270 quilômetros de comprimento, Cleópatra é mais do que uma montanha celeste. Ele é uma verdadeira ilha no céu. Apesar do tamanho ele não representa perigo para o nosso planeta, já que circula numa órbita estável entre os planetas Marte e Júpiter, no chamado cinturão dos asteroides. O nome da famosa rainha egípcia foi dado quando de sua descoberta, em 1880. Já o apelido de “osso do cachorro” surgiu há vinte anos, quando os astrônomos conseguiram mapear sua forma usando a grande antena de radar do Observatório de Arecibo. Aquele que desabou no ano passado.

As imagens de radar mostraram que Cleópatra tem uma forma alongada, com dois lóbulos nas extremidades, como aqueles ossos que nossos amigos caninos gostam de roer.

Mesmo quando a Terra e Cleópatra se encontram no mesmo lado do sistema solar, a distância que os separa é de 200 milhões de quilômetros. Como disse o astrônomo Franck Marchis, do Instituto Seti, na Califórnia, fotografar uma coisa a essa distancia é como tentar enxergar uma bola de golfe a 40 quilômetros de distancia. Para obter as imagens aí embaixo a equipe usou o Very Large Telescope do Observatório Europeu Austral, situado no Chile. Eles descobriram que as duas extremidades do osso são meio difusas, o que sugere que esse asteroide pode não passar de uma grande pilha de pedras.

O estudo dessas ilhas celestes recebeu um grande impulso nos últimos anos devido ao risco de uma colisão com o nosso planeta. Ao contrário do Osso do Cachorro, que tem uma órbita estável, alguns asteroides menores cruzam periodicamente a órbita da Terra. É o caso do 2021 RS2, que deu um susto nos astrônomos no ano passado. Horas depois de ser descoberto esse pedregulho do tamanho de um carro passou zunindo a menos de 15 mil quilômetros do nosso planeta. Isso é mais perto do que os satélites de comunicações, que ficam estacionados a 36 mil quilômetros da Terra.

Além de observar os asteroides com radares e telescópios, as agências espaciais de vários países estão enviando sondas espaciais para observa-los de perto. Atualmente temos uma sonda americana e uma japonesa retornando para a Terra com punhados de pedra recolhidos da superfície dos asteroides Benu e Ryugu. Trata-se das naves Osiris-Rex da Nasa e Hayabusa da agência espacial japonesa. Enquanto elas não retornam, a Nasa já tem uma nova sondagem de asteroide programada para o final do ano. É a Nea Scout, sigla de  Batedor de Asteroide Próximo a Terra que usará um sistema de propulsão a vela. A Nea Scout irá ao espaço em dezembro, pegando carona no foguete da missão Artemis 1. A Artemis 1 vai testar a cápsula Orion, construída para levar os astronautas americanos de volta para a Lua. Quando deixar a atmosfera da Terra o foguete SLS vai ejetar o pequeno veleiro solar, que se parece com uma pipa em forma de losango. A vela prateada vai reagir a pressão da radiação solar no espaço, impulsionando o pequeno pacote de instrumentos até um asteroide chamado 1991VG. Mas o alvo da vela solar pode mudar dependendo das condições do lançamento.

No início do ano também foi descoberto um grande asteroide que estava oculto entre a Terra e o Sol. Com um quilômetro de largura o 2021 PH27 orbita o Sol entre os planetas Mercúrio e Venus, e permanece oculto pelo brilho do Sol. Devido a proximidade com o Sol ele é o asteroide mais rápido do sistema solar, completando uma órbita a cada 113 dias. Ele chega tão perto do Sol que a temperatura em sua superfície atinge os 480 graus Celsius, o suficiente para derreter o chumbo.

 

Jorge Luiz Calife

 

Vela: Sonda Nea Scout vai visitar asteroide


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3 comentários

  1. Interstellar Overdrive

  2. Excelente! Verdadeira aula de astronomia.

  3. Ossos do ofício, e assim se ganha votos!!!!

    O governo e a Caixa Econômica Federal anunciaram nesta segunda-feira, 13, uma nova linha para o financiamento de casas com juros mais baixos por policiais e bombeiros, base de apoio do presidente Jair Bolsonaro, que tenta a reeleição no ano que vem. Segundo o Ministério da Justiça, para este ano, o novo programa – batizado de Habite Seguro – terá R$ 100 milhões do Fundo Nacional de Segurança Pública.

    Serão contemplados policiais federais, rodoviários federais, penais, militares e civis; bombeiros militares; agentes penitenciários; peritos e papiloscopistas integrantes dos institutos oficiais de criminalística, medicina legal e identificação; ativos, inativos da reserva remunerada, reformados e aposentados, bem como os guardas municipais. Ou seja, a linha beneficia também os aposentados dessas categorias, vistas como um dos principais grupos de apoiadores de Bolsonaro.

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