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O perigo das viagens a Marte

Matéria publicada em 11 de outubro de 2018, 08:01 horas

 


Astronautas receberiam doses muito altas de radiação cósmica

Solução: Naves nucleares reduzem tempo de viagem

Duas novas pesquisas, divulgadas recentemente, revelaram um grande obstáculo aos planos de visitas ou colonização do planeta Marte. Com os foguetes atuais a viagem levaria seis meses só de ida, e os astronautas seriam expostos a doses muito altas de radiação cósmica. Dados colhidos pela sonda espacial europeia Trace Gas Orbiter (Que orbita Marte desde 2016) mostram que numa viagem de ida e volta ao planeta vermelho, um astronauta receberia 60% da dose máxima permitida em toda a sua carreira e isso se ele for e voltar sem pousar lá. Se ficar alguns dias em Marte, fazendo pesquisas ou montando uma colônia a dose será muito maior.
Outro estudo, feito pela NASA, simulou a radiação cósmica bombardeando ratos com átomos de ferro. Os animais desenvolveram tumores no intestino, no estômago e no cólon. A radiação cósmica é formada por núcleos de átomos acelerados à velocidade próxima a da luz por astros violentos, como buracos negros e supernovas. O campo magnético da Terra nos protege desse tipo de radiação. O mesmo acontece com os astronautas da estação espacial internacional, que também fica dentro do guarda-chuva protetor do campo magnético terrestre. Mas Marte é um planeta sem campo magnético, e os astronautas que forem até lá ficarão expostos à radiação cósmica durante toda a viagem e sua estadia no planeta vermelho.
Missões a Lua também deixam os astronautas expostos à radiação cósmica, mas como a viagem leva só alguns dias o limite de segurança não é excedido. O problema com os projetos atuais é que eles contam com naves movidas a propulsão química, que levariam seis meses só para atingir a orbita de Marte.
Entrevistada pelo site space.com, a física Jordanka Semkova, da Academia de Ciência da Bulgária, comentou os dados do Trace Gas Orbiter.
– No espaço interplanetário as doses de radiação recebidas pelos astronautas serão centenas de vezes maiores do que as recebidas por uma pessoa na Terra, e várias vezes as doses recebidas pelos tripulantes da Estação Espacial Internacional. Nossos dados mostram uma alta exposição à radiação durante a viagem – disse a cientista.
A dose máxima que uma pessoa pode receber varia com a idade e o sexo. O limite vai de um sievert, para uma mulher de 25 anos, a quatro sieverts, para um homem de 55 anos. As mulheres são mais sensíveis devido ao aparelho reprodutor. Uma longa exposição, além de aumentar as chances de desenvolvimento de tumores, pode deixar as colonizadoras marcianas completamente estéreis. E se as mulheres não puderem ter filhos uma colônia humana sem Marte se torna inviável.
Ao atingir as células humanas as partículas atômicas vindas do espaço danificam o DNA da célula. O que pode matar a célula ou fazer com que ela se desenvolva descontroladamente, criando um tumor. Existem poucos dados sobre os efeitos da radiação cósmica de alta energia sobre a saúde das pessoas. Porque até hoje os astronautas só fizeram viagens curtas até a Lua. E ninguém viajou pelo espaço interplanetário, onde a exposição é muito maior. Isso sugere que a humanidade terá que desenvolver meios mais eficientes de viajar pelo espaço antes de pensar em colônias ou missões a outros planetas.
Uma solução para o problema seria reduzir drasticamente o tempo de viagem. Na década de 1960 e 1970 engenheiros americanos e europeus projetaram naves de propulsão nuclear. Como a Orion americana e a Dédalus britânica, que poderiam chegar a Marte em uma semana ou Saturno em um mês. Infelizmente esses projetos nunca saíram do papel devido à falta de interesse dos governos.
Outra solução seria construir um abrigo dentro de um asteroide e impulsiona-lo numa trajetória que o leve a passar perto do planeta alvo. As camadas de rocha do asteroide funcionariam como blindagem contra a radiação.


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