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Capa / Ciência – Por Jorge Calife / O planeta onde chove ferro derretido

O planeta onde chove ferro derretido

Matéria publicada em 9 de junho de 2021, 17:02 horas

 


Nossa galáxia está cheia de mundos com climas extremos

Quente: A chuva de ferro derretido no planeta gigante

Na constelação de Peixes, a 640 anos-luz da Terra, existe um mundo tão quente que lá chovem gotas de ferro derretido do céu. Este mundo super quente é o Wasp 76b, onde o dia e a noite duram para sempre. O planeta tem um lado permanentemente voltado para o seu sol e outro mergulhado nas sombras. Cientistas europeus fizeram uma série de medições da atmosfera do Wasp 76b usando o telescópio VLT que fica no deserto de Atacama no Chile. Eles usaram um espectroscópio, aparelho que decompõe a luz de um astro para verificar a sua composição química. No caso o equipamento usado foi o ESPRESSO, sigla de Espectrógrafo para Exoplanetas Rochosos.

Eles detectaram vapor de ferro na linha do terminador, que separa o lado iluminado do planeta do lado permanentemente mergulhado nas trevas. A temperatura do lado iluminado chega a 2400 graus centigrados enquanto o lado escuro é um pouco mais ameno, com temperaturas chegando a apenas 1500 graus. No lado diurno do planeta metais como o ferro fervem e se evaporam e as moléculas se reduzem a átomos individuais. O equipamento instalado no VLT detectou vapor de ferro na fronteira entre o lado diurno e o lado noturno. Num artigo publicado na revista Nature, o cientista David Ehrenreich, da universidade de Genebra na Suiça, diz que as nuvens de vapor de ferro se condensam ao chegarem no lado escuro e viram gotas de ferro líquido que caem numa chuva super quente.

Wasp-76b foi descoberto em 2013 e é um planeta gigante, maior do que Júpiter, o maior planeta do nosso sistema solar. Ele é classificado como um “Júpiter quente” devido a grande proximidade com a estrela central do seu sistema. Ao contrário do nosso Júpiter, que fica longe do Sol e é um mundo relativamente frio, pelo menos no topo de sua atmosfera.

Mundos com climas e chuvas exóticas são muito comuns na nossa galáxia. Em Vênus, o planeta mais próximo da Terra, chove ácido sulfúrico e a temperatura na superfície chega aos 400 graus centígrados. Vênus já foi um mundo semelhante a Terra mas ficou preso num efeito estufa irreversível e virou um inferno.

Outro mundo com chuvas exóticas é Titã, a maior das luas de Saturno. Titã é um mundo de frio extremo onde a temperatura média chega a 160 graus negativos. Titã tem um clima baseado em gases liquefeitos como amônia e metano. O gás liquefeito chove do céu titaniano em torrentes que escorrem para formar rios, lagos e mares. Num mundo onde a água só pode existir no estado solido, Titã tem todo um clima baseado em gases líquidos. Todas essas descobertas reforçam a importância de preservarmos o nosso planeta, a Terra. O único lugar que conhecemos onde a temperatura amena permite a existência do nosso tipo de vida. Com céu azul e chuvas de água, não de gás liquefeito ou metal derretido.

Muito tem se falado na colonização de Marte, que, depois da Terra, é o mundo com clima mais ameno que conhecemos. Mesmo assim Marte é um deserto seco e gelado, onde a temperatura cai a menos de 50 graus negativos durante a noite e a atmosfera é feita de dióxido de carbono sufocante. Em Marte os seres humanos teriam que viver em estufas subterrâneas e sair de casa usando trajes de astronauta com capacetes pressurizados. Não é o tipo de vida que a maioria das pessoas achariam interessante.  No século passado alguns cientistas, como Carl Sagan, sonharam em terraformar Vênus e Marte. Ou seja, modificar a atmosfera desses planetas para permitir a vida humana. Mas o processo de terraformação levaria séculos e a tecnologia envolvida ainda encontra-se restrita aos romances de ficção científica.

Conclusão: Não existe planeta b, temos que cuidar da Terra.

 

Jorge Luiz Calife

 


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Um comentário

  1. Em caso de guerra primeiro o comandante defende o seu povo. Depois do fim da guerra vem os pedidos de indenização.
    O ex-capitão, agora comandante em chefe das Forças Armadas, preferiu investir em “armas” de mentirinha, como a cloroquina entre outros placebos.

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