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O Unicórnio e o buraco negro

Matéria publicada em 28 de abril de 2021, 15:48 horas

 


Astrônomos descobrem pequeno buraco negro a 1500 anos luz da Terra

Astrônomos da universidade Estadual de Ohio descobriram um pequeno buraco negro na constelação de Monoceros (Unicórnio em grego). É o mais próximo da Terra já observado e fica a apenas 1500 anos luz do nosso sistema solar. Monoceros tem um buraco negro maior, que fica a 6 mil anos-luz. O pequeno buraco negro tem três massas solares e orbita uma estrela gigante vermelha deformada por sua gravidade intensa.

A constelação de Monoceros, o Unicórnio, é uma das mais apagadas do céu. Ela fica entre o Cão Maior e o Cão Menor, mas só tem estrelas de terceira e quarta grandezas, por isso não aparece na maioria dos mapas estelares. Todavia Monoceros fica em cima do plano da Via Láctea e por isso esta cheia de objetos interessantes. Como várias nebulosas, estrelas explosivas  e pelo menos dois buracos negros.

O “novo” buraco negro recebeu o nome de Unicórnio, por estar situado em Monoceros. E ser tão misterioso quanto aqueles cavalos com chifres dos contos de fadas. Ele é tão pequeno que só foi descoberto devido às perturbações que provoca em sua companheira, uma estrela vermelha gigante. Essa estrela já vinha sendo observada há vários anos por telescópios modernos, como o Satélite de Pesquisa de Transito de Exoplanetas, da Nasa, e a Pesquisa Automática de Todo o Céu.

Na universidade Estadual de Ohio, o astrônomo Tharindu Jayasinghe, que faz pos-graduação, notou que a luz da estrela vermelha mudava de intensidade periodicamente. E concluiu que alguma coisa estava mudando a forma da estrela ao puxa-la com sua força de gravidade. No lugar de ser uma esfera, como o nosso Sol, a estrela vermelha assumira a forma de um ovo.

Trata-se de um fenômeno de força de maré, semelhante ao que a Lua produz nos oceanos do nosso planeta, mas muito mais intenso. Para Todd Thompson, co-autor do estudo as deformações na estrela só podem ser produzidas por um companheiro invisível e portanto por um buraco negro.

As medições mostram que esse buraco negro no Unicórnio é tão pequeno que tem apenas a massa de três sóis. O que deixou os astrônomos confusos. Buracos negros são núcleos de estrelas que implodiram. Mas pela teoria, uma estrela com a massa de três sóis não seria capaz de formar um buraco negro, ela deveria ter virado uma estrela de nêutrons. A estrela de nêutrons é uma massa de matéria colapsada do tamanho de uma cidade. Já o buraco negro, teoricamente, não teria dimensão, e o que podemos ver é o seu “horizonte de eventos”, a região do espaço de onde nem a luz consegue escapar.

Nos últimos anos os astrônomos tem conseguido estudar, e até fotografar, os buracos negros gigantes, que ficam no centro das galáxias. Foi o caso do buraco negro que existe na galáxia elíptica M-87, fotografado pela equipe do Telescópio Horizonte de Eventos em abril de 2019. Esses buracos negros gigantes são cercados por discos de matéria incandescente e projetam jatos de energia e matéria que atravessam milhares de anos luz no espaço. Pequeno e discreto o Unicórnio só foi descoberto por ter transformado sua estrela companheira num enorme ovo vermelho.

Essa estrela encontra-se na fase final de sua existência. Quando o combustível de hidrogênio, que faz as estrelas brilharem se esgota, e elas incham, engolindo os planetas que as cercam. É o que vai acontecer com o nosso Sol, daqui a bilhões de anos. Oficialmente o Unicórnio é um “candidato a buraco negro” e a confirmação ainda depende de novas observações.

 

Jorge Luiz Calife

 

 


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