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O voo tranquilo do Dragão

Matéria publicada em 22 de junho de 2020, 15:13 horas

 


Missão espacial é a primeira a decolar de solo americano desde 2011

Só existem três lugares do planeta Terra que estão livres da pandemia do Coronavírus: O continente Antártico, a região em torno do polo norte e a Estação Espacial Internacional, que flutua serena a 400 quilômetros de altura. No final de maio dois americanos sortudos ganharam uma passagem para ficar alguns meses lá em cima. São os astronautas Douglas Hurley e Robert Behnken, comandante e piloto da nova nave espacial Dragon (Dragão). A nave decolou de Cabo Canaveral na Flórida no dia 30 de maio passado e se acoplou com a estação ISS um dia depois, no 31 de maio.

A Dragon é a primeira nave espacial tripulada a decolar de solo americano desde 2011, ano da aposentadoria do antigo ônibus espacial. Nos últimos nove anos os astronautas americanos tiveram que viajar nas naves russas Soyuz, desenvolvidas na década de 1960. Os russos cobravam 25 milhões de dólares pela passagem dos americanos que levaram uma década para desenvolver um novo transporte espacial.

Comparada com a Soyuz russa a Dragon é como uma Ferrari diante de um Ford modelo T. O painel de comando da Dragon é formado por telas digitais que respondem ao toque. Uma tecnologia que não aparece nem nos filmes de ficção mais recentes. A nave foi desenvolvida pela empresa Space X, do bilionário Ellon Musk e faz parte do Programa Comercial de Voos Tripulados financiado pela agência espacial Nasa. A missão atual, chamada de Demo 2 (Demonstração 2) é o primeiro teste com tripulantes da nova espaçonave. Nos próximos anos ela vai servir de taxi espacial, levando equipes de até cinco astronautas para a Estação Internacional.

A Nasa ainda não revelou quanto tempo os dois astronautas vão ficar lá em cima. As previsões variam de seis a dezesseis semanas (quatro meses) para que os efeitos da exposição ao ambiente espacial sejam avaliados. A Dragon é muito mais segura do que os antigos ônibus espaciais e a probabilidade de uma falha catastrófica foi avaliada em uma em 276. No ônibus espacial a chance era de um desastre a cada 33 voos. Mesmo assim os astronautas vão examinar com cuidado o exterior da Dragon para verificar se ela não foi danificada pelo impacto de micrometeoros ou partículas de lixo espacial.

O voo tem sido uma demonstração de alta tecnologia. O foguete Falcon 9, da Space X, que levou a Dragon para o espaço é o único no mundo que retorna o primeiro estágio intacto para um pouso suave em uma plataforma no mar. Coisa que a agência espacial do governo, a Nasa, nunca conseguiu realizar. O Programa Comercial de Voos Tripulados inclui também a nave Starliner da Boeing que só deve voar com tripulação (Dois homens e uma mulher) em 2021. A Starliner apresentou problemas durante um voo de teste sem tripulação e seu voo com tripulantes foi adiado para o ano que vem.

Os dois tripulantes da Dragon são veteranos do programa do ônibus espacial e já estiveram no espaço anteriormente. Depois da decolagem eles batizaram a Dragon com o nome de Endeavour. O mesmo nome do módulo lunar da Apollo 15, que desceu na Lua em 1971 e do último ônibus espacial a ser construído na década de 1980. A bordo da Estação Espacial os dois astronautas contam com a companhia dos russos Ivan Vagner e Anatoli Ivanishin e do americano Chris Cassidy, que viajaram até lá numa Soyuz.

Jorge Luiz Calife


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3 comentários

  1. Avatar

    Um verdadeiro lunático. comunista.

  2. Avatar

    Creio que as áreas mais remotas do Deserto do Saara também estejam livre do vírus, ainda que algum beduíno possa transpassá-las portando o corona…

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