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Capa / Ci√™ncia ‚Äď Por Jorge Calife / Observat√≥rio polar detecta neutrino de gal√°xia distante

Observatório polar detecta neutrino de galáxia distante

Matéria publicada em 19 de julho de 2018, 08:03 horas

 


Part√≠cula viajou 4 bilh√Ķes de anos luz at√© chegar na Terra

Blazar: Buraco negro produziu os neutrinos

Cientistas americanos conseguiram determinar a localiza√ß√£o de uma fonte c√≥smica de neutrinos. Uma part√≠cula, que atingiu um detector situado na calota de gelo da Ant√°rtida veio de um blazar, uma gal√°xia ativa situada a 4 bilh√Ķes de anos-luz. A descoberta resolve um enigma de mais de um s√©culo, que √© a fonte dos misteriosos raios c√≥smicos detectados desde 1912. E s√≥ foi poss√≠vel devido a um novo detector de neutrinos, o Ice Cube Observatory (Observat√≥rio Cubo de Gelo) instalado na calota de gelo da Ant√°rtica pela Funda√ß√£o Nacional de Ci√™ncias dos Estados Unidos.

Quando come√ßaram a estudar as fontes naturais de radia√ß√£o, no in√≠cio do s√©culo 20, os cientistas descobriram uma fonte situada no espa√ßo. Instrumentos colocados em bal√Ķes que voavam a grande altura detectavam todo o tipo de part√≠culas at√īmicas vindo do espa√ßo sideral. Por isso essa radia√ß√£o recebeu o nome de raios c√≥smicos, por vir do Cosmos, o Espa√ßo Sideral.

Logo se descobriu que algumas dessas part√≠culas vinham do Sol, que emite pr√≥tons, neutrinos e el√©trons devido √† fus√£o nuclear em seu n√ļcleo. Mas restavam outras fontes situadas no espa√ßo profundo, al√©m da Via L√°ctea, que √© a gal√°xia onde vivemos. A dificuldade em localizar essas fontes extragal√°cticas acontece porque algumas part√≠culas dos raios c√≥smicos como, por exemplo, os pr√≥tons possuem carga el√©trica, e por isso s√£o desviadas pelos campos magn√©ticos da Terra e outros planetas.

Para encontrar a fonte dos raios cósmicos os cientistas precisavam observar os neutrinos. Os neutrinos são partículas fantasmagóricas que não possuem carga elétrica e quase não tem massa. Milhares dessas partículas atravessam a Terra e os nossos corpos todos os dias e nem percebemos. Elas não costumam interagir com a matéria comum. São como fantasmas que passam através das paredes e outros corpos sólidos.

Muito raramente um neutrino colide com o n√ļcleo de um √°tomo. Quando isso acontece o √°tomo fica excitado e emite um m√ļon, que √© um outro tipo de part√≠cula at√īmica. A emiss√£o do m√ļon √© acompanhada por um brilho azul, a radia√ß√£o de Cherenkov, que pode ser registrado por fotoc√©lulas hipersens√≠veis.

Icecube: Que foi parar na Ant√°rtida.

Levando tudo isso em conta a Funda√ß√£o Nacional de Ci√™ncias dos Estados Unidos construiu um enorme detector de neutrinos na Ant√°rtica, o Observat√≥rio Cubo de Gelo. Ele fica perto da base americana de McMurdo e contem 86 sensores enterrados no gelo a dois quil√īmetros de profundidade dentro da calota polar. Isso garante que qualquer part√≠cula que for detectada ser√° um neutrino, porque s√≥ os neutrinos podem atravessar uma barreira de gelo de dois quil√īmetros de espessura.

Em setembro do ano passado um dos detectores, do tamanho de uma bola de basquete detectou um neutrino extremamente poderoso, com uma energia de 300 teraeletrons-volt. Isso é cinquenta vezes mais energia do que as partículas produzidas pelo maior acelerador do mundo, o Grande Colisor de Hadrons do CERN, na Europa. Imediatamente os cientistas pediram a ajuda de observatórios do mundo inteiro para observar a região do céu de onde tinha vindo o neutrino superpoderoso.

Da busca participaram o sat√©lite Fermi, detector de raios gama da NASA, e o Magic, um telesc√≥pio de raios gama situado nas ilhas Can√°rias. Eles confirmaram a exist√™ncia de uma gal√°xia ativa naquele ponto. A gal√°xia √© uma blazer, que contem um grande buraco negro em seu centro. Esse buraco negro emite feixes de radia√ß√£o atrav√©s dos polos norte e sul. E um desses feixes se encontra apontado para a Terra. Foi mais um √™xito da nova astronomia multiespectral, que usa instrumentos e radia√ß√Ķes diferentes para estudar os fen√īmenos do nosso universo.

 

2 coment√°rios

  1. Levando em conta o pedido de Valmir Almeida quero comentar o trecho abaixo :

    “Muito raramente um neutrino colide com o n√ļcleo de um √°tomo. Quando isso acontece o √°tomo fica excitado e emite um m√ļon,”

    Coment√°rio : ESSE √ĀTOMO √Č UM TARADO.

  2. Acredito que que ficaríamos por demais felizes, se esta reportagem recebesse bem mais comentários do que as das paginas policiais.

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