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Os buracos de minhoca e as viagens pelo espaço e o tempo

Matéria publicada em 29 de novembro de 2021, 15:45 horas

 


Pesquisador francês sugere que é possível viajar como na ficção

Interestelar: Filme mostrou viagem através do wormhole

Quem assiste a filmes de ficção científica já ouviu falar nos buracos de minhoca, ou wormholes em inglês. Eles são túneis através do espaço e do tempo que permitem viajar para as estrelas ou galáxias distantes. Como no filme “Interestelar” ou no seriado “Jornada nas estrelas”. O termo “buraco de minhoca” foi criado na década de 1960, pelo físico americano John Wheler, como um apelido para o que era conhecido como “pontes de Einstein Rosen”. Recentemente um estudo teórico feito pelo físico francês Pascal Koiran, da École Normale Superiore de Lyon sugere que esses caminhos hiperespaciais podem existir e seria possível navegar através deles, como nos filmes de ficção.

A ideia toda começa com o Teoria Geral da Relatividade de Einstein. Ela previu a existência dos buracos negros. Os buracos negros são estrelas com uma gravidade tão intensa que nem a luz, a coisa mais rápida do universo, consegue escapar delas. Por isso são negras. A astronomia já comprovou a existência desse fenômeno e conseguiu até fotografar o buraco negro gigante que existe no centro da galáxia M-87. Einstein e seu colega, o físico Nathan Rosen, previram que os buracos negros poderiam se ligar a um hipotético buraco branco, por onde tudo o que entrasse no buraco negro sairia em outro ponto do universo. No cinema essa ideia foi mostrada pela primeira vez no filme “O Abismo negro” da Disney, em 1979.

Todavia, a teoria de Einstein previa que essas passagens através do espaço e do tempo seriam instáveis, desmoronando assim que se formassem. Isso acontecia porque os físicos usavam a métrica de Schwarzchild para descrever a estrutura do túnel hiperespacial. O problema é que a métrica de Schwarzchild só funciona até uma certa distancia do buraco negro, conhecida como “horizonte de eventos”.

Mas que história é essa de métrica? As regras da relatividade de Einstein, que descrevem os movimentos dos corpos no espaço-tempo, são fixas. Mas elas deixam em aberto como descrever as coordenadas desses corpos matematicamente. É o que os físicos chamam de métrica. Pense na métrica como um meio de descrever o caminho que você percorre para chegar a algum lugar dentro de sua cidade. Você pode escolher caminhos diferentes, alguns mais curtos, outros mais longos. A geografia da cidade é definida e imutável, mas as rotas, os caminhos que você pode escolher, podem variar bastante.

A métrica de Eddington-Finkelstein descreve o que acontece quando se chega ao horizonte de eventos do buraco negro e se vai além dele. Foi o que fez o físico francês Pascal Koiran. Ele conseguiu traçar o caminho de uma partícula através de um wormhole teórico e publicou seu trabalho na revista científica Modern Phyisics. Ele sugere que os wormholes podem não ser tão instáveis quanto se pensava. E que podem existir rotas através deles, permitidas pela Teoria da Relatividade Geral.

Isso quer dizer que poderemos viajar no tempo, ou visitar galáxias distantes, como nos filmes de ficção? Não necessariamente. A Relatividade só abrange o comportamento da gravidade. Na vida real existiriam outros efeitos a considerar, como as leis da termodinâmica, que sugerem que os tais buracos brancos seriam instáveis. E é bom lembrar que enquanto os buracos negros são astros reais, os buracos de minhoca nunca foram detectados. E permanecem no reino da teoria, para serem usados apenas pelos escritores de ficção.

Todavia muito do que era teoria, como as ondas gravitacionais, acabou sendo comprovado quando a ciência desenvolveu meios mais precisos de observação. Como foi o caso das ondas de gravidade.

 

 

Jorge Luiz Calife


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