quinta-feira, 2 de julho de 2020

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Os ventos gelados de Plutão

Matéria publicada em 20 de fevereiro de 2020, 07:05 horas

 


Galáxia envia sinais de rádio para a Terra a cada 16 minutos; descoberta foi publicada no último número da revista científica Nature

O famoso “coração branco” do planeta Plutão está provocando ventos de nitrogênio que espalham partículas pela superfície deste pequeno mundo. A descoberta foi anunciada por cientistas do Centro Espacial Ames, da Nasa, que estão estudando as imagens enviadas pela sonda espacial New Horizons. A sonda passou por Plutão em julho de 2015 e suas imagens continuam a revelar novas características deste mundo gelado. O “coração branco” de Plutão é uma planície de nitrogênio congelado com mil quilômetros de largura. Ela foi batizada com o nome de Sputnik Planitia, em homenagem ao primeiro satélite artificial lançado pelos soviéticos em 1957. O Sputnik pode ser considerado um precursor das modernas sondas espaciais, como a New Horizons.
Os ventos de Plutão são provocados pelas mudanças de temperatura que acontecem entre a noite e o dia daquele planeta. O exótico gelo de nitrogênio (que é um dos componentes do ar que respiramos) se evapora durante o dia e vira gelo de novo durante a noite. E essa mudança de estado provoca as ventanias plutonianas, que carregam grãos escuros de material gelado provocando riscas na superfície do planeta. Segundo o autor do estudo, o planetologista Tanguy Bertand, da Nasa, os ventos sopram para oeste, contrários a rotação de Plutão, que gira para leste.
O fenômeno é amplificado pelos altos penhascos que cercam a planície do Sputnik. Eles ajudam a canalizar os ventos, aumentando sua força. A atmosfera de Plutão é cem mil vezes mais rarefeita do que a da Terra. E os cientistas ficaram surpresos ao ver que mesmo com essa baixa densidade atmosférica, Plutão tem um clima e fenômenos meteorológicos. Bertrand acha que a planície do Sputnik tem a mesma importância para o clima de Plutão que os oceanos da Terra.
Enquanto descobrem as características do ambiente em Plutão os astrônomos descobrem novos mistérios nas profundezas do espaço. Pesquisadores canadenses do radiotelescópio CHIME, da universidade da Colúmbia Britânica, captaram sinais regulares de rádio, que se repetem a cada 16 dias, vindos de uma galáxia muito distante. Os sinais de rádio são conhecidos como FRBs (sigla de Fast Radio Bursts), descargas de rádio rápidas, e foram descobertos em 2007 sem que ninguém saiba qual é a causa. Até agora esses FRBs apareciam e desapareciam sem se repetirem. Agora, a equipe canadense encontrou um sinal desse tipo que se repete com regularidade.
A descoberta foi publicada no último número da revista científica Nature. Uma teoria para explicar o fenômeno imagina que ele seja causado por um tipo de estrela magnética, a magnetar, que emite sinais de rádio enquanto gira. O problema é que as magnetars giram muito rápido e seus sinais se repetem a intervalos de segundos. Já os sinais enviados pela galáxia distante se repetiram durante quatro dias, depois pararam durante 12 dias e depois começaram de novo em um ciclo que se repete a cada 16 dias.
Seja lá o que for que está provocando esses sinais, está muito distante de nós no espaço e no tempo. A galáxia de onde estão sendo transmitidos esses FRBs fica a 500 milhões de anos-luz da Terra. O que significa que o fenômeno observado aconteceu há 500 milhões de anos. Se era uma civilização extraterrestre tentando se comunicar, ela já deve ter desaparecido há muito tempo.

Jorge Luiz Calife


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