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Robôs japoneses dão saltos sobre asteroide

Matéria publicada em 4 de outubro de 2018, 09:30 horas

 


Gravidade muito fraca não permite outro meio de locomoção

A sonda espacial japonesa Hayabusa 2 lançou com sucesso dois pequenos robôs na superfície do asteroide Ryugu, que tem a forma de um cubo. Os dois robôs, chamados Minerva-II 1A e MinervaII 1B começaram a dar pulos sobre o asteroide, tirando fotos do estranho terreno pedregoso. Devido à fraca gravidade de Ryugu, eles não podem se deslocar sobre rodas, como acontece com os robôs usados na exploração de Marte. Em Ryugu a gravidade é tão fraca que cada vez que pulam os robôs, de 18 cm de altura, levam até 15 minutos para voltar ao solo.

Isso acontece porque Ryugu só tem 900 metros de diâmetro. Este estranho minimundo fica a 300 milhões de quilômetros da Terra e tem um dia de apenas sete horas e meia.

A exploração dos asteroides é importante por vários motivos. Eles contem matéria que ficou inalterada desde a formação dos planetas do sistema solar. São ricos em minérios valiosos e existem empresas interessadas na mineração desses corpos celestes no futuro. Além disso, alguns asteroides se aproximam da Terra e podem representar perigo para o nosso planeta. Nesse caso há tecnologias sendo desenvolvidas para alterar sua trajetória.

A Hayabusa 2 custou 150 milhões de dólares e é movida a propulsão iônica. Lançada ao espaço em dezembro de 2014 ela entrou em órbita ao redor de Ryugu em junho deste ano. Além dos dois pequenos robôs de 18 por 7 cm, a Hayabusa 2 vai lançar um robô maior, chamado MASCOT em outubro. Depois ela tentará pousar no asteroide no ano que vem. Ela deve colher amostras que serão trazidas para a Terra em 2020.

A exploração dos asteroides começou na década passada, quando a sonda espacial americana NEAR-Shoemaker conseguiu pousar na superfície do asteroide Eros no dia 12 de fevereiro de 2001. Em 2005 os japoneses lançaram a Hayabusa 1, que visitou o asteroide Itokawa, mas não conseguiu colher amostras de sua superfície. Outra visita a um mini-astro foi a missão da sonda europeia Rosetta, que lançou um pequeno robô, o Philae no núcleo do cometa 67P em novembro de 2014. Mas devido a baixa gravidade do cometa o robô ricocheteou na superfície e acabou caindo em uma fenda escura, onde seus painéis solares não receberam a luz necessária e ele parou de funcionar.

O núcleo do cometa 67 P tem quatro quilômetros de largura, muito maior que o Ryugu, mesmo assim sua baixa gravidade não foi suficiente para segurar o Philae em sua superfície. Já os robôs em forma de caixa, da Hayabusa 2 foram projetados levando em conta toda essa experiência das missões anteriores. Eles não têm rodas e esteiras porque um veículo com rodas, como um carro, sairia voando se tentasse rodar na superfície do Ryugu. Dentro deles existe uma plataforma giratória, que muda a rotação e a inclinação, fazendo o robô rolar e dar pulos, sem exceder a velocidade de escape do asteroide, que é muito baixa.

Cada pulo cobre uma distancia de 15 metros e os robôs tem uma inteligência autônoma, escolhendo o caminho a seguir sem precisar de instruções do controle de terra. O nome Minerva vem das iniciais de Veículo Robô Micro Nano Experimental para Asteroides. A tecnologia foi desenvolvida em 2012 pela agência espacial japonesa JAXA.

Cada robô tem sensores de temperatura e sete câmeras para enviar imagens do ambiente ao redor. Ryugu é um asteroide rico em carbono, do tipo que pode ter semeado a Terra com os materiais necessários para o surgimento da vida há bilhões de anos. A agência espacial americana NASA também tem um robô, chamado Osiris-Rex, que esta viajando para outro asteroide, o Benu, onde deve chegar no dia 31 de dezembro. A NASA também tem planos de enviar astronautas para visitar um asteroide na próxima década, a bordo da nova capsula espacial Orion.

O nome do asteroide, Ryugu, vem do folclore japonês e significa “o palácio dos dragões”.

Por: Jorge Luiz Calife


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