Segunda-feira tem colisão no espaço

by Diário do Vale

Trajetória: A colisão vai mudar a órbita da lua Dimorphos

Na noite de segunda feira, dia 26 de setembro, uma explosão vai acontecer no céu, acima de nossas cabeças. Será o impacto da sonda espacial Dart com uma pequena lua do asteroide Didimos. Mas não se preocupem, o evento acontecerá a 10 milhões de quilômetros da Terra e não será visível a olho nu. Será o primeiro teste de um sistema de defesa destinado a proteger nosso planeta do impacto de asteroides perigosos. Se tudo correr bem a sonda, que é um projétil cinético, vai atingir a lua Dimorfos, que tem 160 metros de largura (O tamanho da pirâmide de Gizé no Egito. Ela orbita o asteroide Didimos, que é um pouco maior, com 780 metros de largura.

Os pesquisadores da Nasa querem ver se o impacto da Dart será capaz de mudar a trajetória da Dimorfos em alguns metros. O que seria suficiente para salvar nosso planeta no futuro, no caso de um asteroide se aproximar de nós num curso de colisão. A Dart será desintegrada pelo impacto, mas imagens da explosão serão transmitidas para a Terra por um satélite europeu, o LICIA, que acompanha a nave americana. Tudo poderá ser assistido ao vivo pela internet através do canal da Nasa no Youtube, que transmitirá imagens da aproximação e do impacto em tempo real, a partir das sete horas da noite de segunda feira.

A Dart foi lançada da Terra por um foguete Falcon 9, da empresa Space X no dia 24 de novembro do ano passado. Ela possui um sistema de propulsão baseado em motores iônicos, que aceleram a nave por meio de descargas de gás xenônio eletrificado. É o mesmo tipo de motor usado pelos caças Tie do Império Galático nos filmes da série Star Wars. Outra ligação do projeto da Nasa com os filmes de ficção científica é o longa metragem “Armagedon”. Onde o herói, interpretado pelo ator Bruce Willis, detona uma bomba nuclear para desviar um asteroide que ameaça destruir nosso planeta.

Na vida real não é necessário uma ação tão dramática quanto no cinema. No lugar de uma bomba nuclear usa-se apenas a força do impacto, a pancada que a sonda, de 610 quilos,  vai dar no asteroide ao colidir com ele a uma velocidade de 6,6 quilômetros por segundo. Os cientistas da Nasa calculam que isso será suficiente para mudar a velocidade da pequena lua do asteroide em 0,4 mm/seg, o bastante para alterar sua órbita. No espaço, mesmo uma pequena mudança de velocidade como esta pode alterar a trajetória de um objeto, ao longo de meses, evitando uma colisão futura.

Originalmente imaginava-se que a Dart fosse alcançar seu objetivo somente no mês de outubro. Mas o lançamento da Terra foi tão perfeito que a sonda alcançou o asteroide duas semanas antes do previsto. A ameaça dos asteroides para o futuro da vida na Terra preocupa os cientistas desde a descoberta, no século passado, de uma imensa cratera, no Golfo do México, produzida por um asteroide que caiu em nosso planeta há 75 milhões de anos. Causando um cataclisma que é apontado como uma das causas da extinção dos dinossauros.

E em 1994 um cometa colidiu com o planeta Júpiter produzindo uma bola de fogo do tamanho da Terra. Isso levou pesquisadores de todo o mundo a conceber meios de desviar astros perigosos que se aproximem do nosso mundo. O primeiro teste foi feito em 2005 quando a sonda Deep Impact se chocou com o cometa Tempel 1 provocando uma pequena mudança na órbita do cometa.

 

Jorge Luiz Calife

 

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