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Sinais de rádio misteriosos intrigam astrônomos

Matéria publicada em 25 de outubro de 2021, 19:07 horas

 


E a equipe do Hubble determina a idade do anel de Einstein

Belo: A luz distorcida do anel parece ouro derretido

Astrônomos do observatório ASKAP, situado no deserto da Austrália, estão às voltas com um grande mistério. Suas antenas parabólicas captaram um sinal de rádio vindo do centro da nossa galáxia, a Via Láctea. O sinal aparece e desaparece e as ondas eletromagnéticas são polarizadas. Depois de ouvir a misteriosa transmissão seis vezes, ao longo do ano passado, os cientistas pesquisaram aquela região do espaço na faixa da luz visível. Para ver se havia alguma estrela ou buraco negro na origem das transmissões. Mas os telescópios que trabalham na faixa da luz visível não conseguiram visualizar nada. Nem no infravermelho, nem no ultravioleta.
A equipe australiana então pediu ajuda ao pessoal de outro observatório, a antena de Parkes também na Austrália. Mas o sinal tinha desaparecido e Parkes não conseguiu detectar nada. Por fim a equipe entrou em contato com outro observatório semelhante, situado no outro lado do mundo. A fazenda de antenas de Meerkat na África do Sul. Os dois grupos de antenas, o ASKAP e o Meerkat passaram a observar aquela região do céu durante 15 minutos a cada semana. Finalmente eles conseguiram ouvir de novo o sinal de rádio mas ele se apagou depois de um único dia. Os sinais captados pelo ASKAP no ano passado duraram semanas antes de desaparecerem.
E o mistério permanece. Uma teoria diz que essas transmissões de rádio são produzidas por uma estrela magnética, um magnetar, que estaria sendo ocultado periodicamente por uma nuvem de detritos. Algo semelhante aconteceu com a estrela de Tabby cujas flutuações no brilho, na faixa da luz visível, provocaram inúmeras especulações em 2015. Hoje acredita-se que as flutuações da Tabby, que fica na constelação do Cisne, sejam provocadas por algum tipo de nuvem de poeira que circunda a estrela. No caso dos sinais de rádio vindos do centro da galáxia, na constelação do Sagitário, as observações continuam enquanto os cientistas tentam encontrar uma explicação.
Enquanto isso a equipe do telescópio espacial Hubble conseguiu determinar a idade de um dos fenômenos mais bonitos do Universo: O Anel de Einstein, também conhecido como o Anel Derretido. Trata-se de um imenso círculo de luz dourada que brilha nos limites do Universo conhecido. Uma miragem gravitacional, produzida quando a gravidade de uma galáxia maciça torce o tecido do espaço tempo, curvando a luz vinda de galáxias ainda mais distantes.
O fenômeno foi previsto pela Teoria da Relatividade do cientista Albert Einstein, por isso o nome de “Anel de Einstein”. Agora a equipe do telescópio Hubble conseguiu determinar que a galáxia situada neste círculo dourado encontra-se a 9 bilhões de anos luz da Terra. E como a luz do fenômeno levou esse tempo para chegar na Terra, estamos vendo o Universo quando ele era muito jovem, e tinha apenas um terço da idade atual.
“A detecção de gás molecular, do qual nascem as novas estrelas, permitiu que calculássemos o desvio para o vermelho com precisão e nos deu a confiança de que estamos observando uma galáxia muito distante” disse um dos participantes da pesquisa, Nikolaus Sulzenauer, do Instituto Max Planck na Alemanha. O desvio para o vermelho é causado pelo efeito Doppler. Ele faz com que as ondas de luz de uma estrela que se aproxima sejam comprimidas, ficando azuladas. Por outro lado uma estrela ou galáxia que se afasta de nós tem suas ondas de luz “esticadas” e fica avermelhada. A medida deste desvio para o vermelho é usada para calcular a distancia das galáxias.

 

Jorge Luiz Calife


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