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Telescópio africano detecta megalaser galáctico

Matéria publicada em 4 de maio de 2022, 08:14 horas

 


Fenômeno foi provocado pela colisão de duas galáxias a 5 bilhões de anos-luz

Cientistas do Observatório MeerKAT, na África do Sul, anunciaram a descoberta do maior raio laser já observado no Universo. O raio laser é uma emissão de radiação eletromagnética coerente, que pode ser na forma de luz ou de ondas de rádio. No caso do super-laser observado pelo MeerKAT trata-se de ondas de rádio, na faixa das micro-ondas, por isso ele é chamado de maser. O fenômeno foi provocado pela colisão de duas galáxias situadas a 5 bilhões de anos luz do nosso planeta.

Quem acompanha esta coluna deve ter notado o grande número de descobertas astronômicas feitas na Austrália e na África do Sul em anos recentes. Isso acontece porque até o final do século passado a maioria dos grandes radiotelescópios estava situada no hemisfério norte, de onde o céu situado abaixo da linha do equador é pouco visível. No início dos anos de 1990 os grandes institutos de pesquisa das universidade norte-americanas e europeias buscaram eliminar essa parceria através de acordos com países do hemisfério sul.

Em 1990 uma equipe da Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos apresentou o projeto de construção de uma antena parabólica gigante num vale de Santa Catarina, no Brasil. Mas o governo do então presidente Collor de Melo não se interessou pelo projeto. Com a recusa do Brasil os americanos procuraram estabelecer parcerias com a África do Sul e com a Austrália, que ficam mais ou menos na mesma latitude do sul brasileiro.

E o resultado dessa parceria começou a dar resultados agora. O MeerKAT é uma fazenda de antenas parabólicas, com 64 antenas que sondam o espaço sideral a partir de uma região desértica na África. Na Austrália existe uma instalação semelhante, o ASKAP ou Telescópio de Um quilômetro quadrado, formado por 36 antenas de 12 metros de diâmetro cada uma.

Desta vez a novidade veio da equipe africana do MeerKAT. Eles tinham acabado de iniciar um novo projeto, chamado Laduma, nome que na linguagem dos zulus significa “o que troveja”. O objetivo era detectar fenômenos incomuns nas fronteiras do universo conhecido. E logo na primeira noite de observação eles detectaram o megamaser, o mais distante e poderoso já observado, que também recebeu um nome zulu, Nkalakatha, que significa “o grande chefe”.

Nkalakatha: Colisão de galáxias produziu um raio poderoso.

A pesquisa foi feita em cooperação com astrônomos de universidades australianas e norte-americanas como a universidade do Colorado.

O astrofísico Jeremy Darling, que participou do projeto, explicou num comunicado conjunto, que quando duas galáxias colidem elas disparam raios de luz em todas as direções, tão poderosos que podem ser observados a distancias cosmológicas. No caso do super maser Nkalakatha ele emite na faixa de ondas da hidroxila, uma molécula composta por um átomo de hidrogênio e um de oxigênio. Esses megamasers agem como faróis brilhantes através da vastidão do universo, informando a ocorrência de um choque de galáxias.

As galáxias são imensos aglomerados de bilhões de estrelas e nuvens de gás que são atraídos pelas forças gravitacionais. Quando se chocam eles produzem essas emissões de radiação coerente além de ondas de rádio de outros tipos. O resultado do choque pode ser uma galáxia maior ou duas galáxias deformadas pelas forças gravitacionais. A colisão alimenta os buracos negros existentes nessas galáxias e leva a formação de novas estrelas, novos sóis para iluminar o Universo.

 

Por Jorge Luiz Calife


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