Um assassino oculto no clarão do Sol

by Diário do Vale

Cerro Tololo: Observatório no Chile fez a descoberta

Astrônomos do Observatório de Cerro Tololo no Chile descobriram um novo asteroide, com um quilômetro e meio de largura, cuja órbita pode cruzar a do nosso planeta. Devido ao tamanho ele foi chamado de “Assassino de planetas” porque seu impacto pode devastar um planeta inteiro. Embora seja grande o asteroide, chamado de 2022 AP7 orbita entre a Terra e o planeta Vênus, e fica escondido dentro do brilho do Sol. Para observar objetos nessa região os astrônomos precisam apontar seus instrumentos na direção do Sol, o que pode danificar os telescópios mais sensíveis. Os telescópios espaciais Hubble e James Webb, por exemplo, nunca são apontados na direção do Sol, cujo brilho pode fritar instantaneamente seus delicados detectores de luz.

A descoberta do 2022 AP7 só foi possível graças a um instrumento chamado Câmera de Energia Escura, que esquadrinha o céu nas horas do crepúsculo, no poente ou antes do nascer do Sol. É nesse período do dia, de apenas dez minutos de duração, que os asteroides ocultos pelo brilho do Sol podem ser vistos. O problema preocupa os astrônomos porque em 2013 uma rocha de 20 metros de diâmetro, vinda da direção do Sol, explodiu com a força de uma bomba atômica sobre a cidade russa de Chelyabinski, destruindo milhares de janelas e ferindo dezenas de pessoas. O impacto de uma rocha de 1,5 quilômetros liberaria mais energia do que todo o arsenal nuclear do nosso planeta, devastando continentes inteiros.

O astrônomo Scott Shepard, principal autor da descoberta, disse ao site Space.com, que existem poucos asteroides ainda desconhecidos nessa região entre a Terra e Vênus. E a maioria deles não se aproxima da órbita do nosso planeta. No último dia 21 de setembro a agência espacial americana, Nasa, fez um teste com um veículo espacial capaz de desviar a órbita de asteroides perigosos. Foi a sonda Dart que colidiu com o asteroide Dimorphos alterando sua órbita. Mas para que uma missão desse tipo seja bem sucedida é preciso que o asteroide perigoso seja detectado anos antes de uma possível colisão com o nosso planeta.

Recentemente, pesquisadores da agência espacial da China apresentaram um plano de lançar ao espaço uma constelação de seis satélites para detectar asteroides próximos da órbita de Vênus. O projeto, desenvolvido pela equipe do cientista Liu Xiangyu da Escola de Engenharia Aeroespacial do Instituto de Tecnologia de Pequim se chama CROWN, que significa Coroa em inglês. Ele colocaria seis naves automáticas, com telescópios de amplo campo de visão, orbitando o Sol no ponto de Lagrange, entre o planeta Vênus e o Sol, onde eles ficariam em uma posição estável, equilibrados pela gravidade do Sol e do planeta. Essa constelação poderia detectar objetos que se aproximem do nosso planeta ocultos pelo brilho do Sol.

Um caso bem conhecido foi do cometa Hyakutake, que se aproximou da Terra sem ser detectado, em 1996 e só foi descoberto alguns meses antes da aproximação máxima. Ele chegou a 15 milhões de quilômetros da Terra no dia 25 de março de 1996, depois de ser descoberto em janeiro daquele ano. O Hyakutake enganou os astrônomos porque se aproximou de nós por trás do Sol. E o impacto de um cometa pode ser muito mais devastador do que um asteroide.

A Agência Espacial Chinesa também anunciou que vai testar um sistema de deflexão de asteroides semelhante ao Dart americano em futuro próximo.

 

Jorge Luiz Calife

 

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