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Um Halloween no espaço sideral

Matéria publicada em 7 de novembro de 2019, 06:30 horas

 


Nasa divulga fotos dos objetos mais sinistros do cosmos; buracos negros são dignos de um filme de terror

Quinta-feira passada, dia 31 de outubro, foi comemorado o tradicional Halloween. Uma festa de origem europeia que chegou ao Brasil graças aos filmes americanos e a televisão. A agência espacial americana Nasa, como de costume, não ficou fora das festividades. Os astronautas acenderam a tradicional lanterna de abóbora a bordo da Estação Espacial Internacional. O Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) fez um concurso de lanternas de Halloween e a equipe do telescópio espacial Hubble divulgou um vídeo intitulado “Galáxia do Horror” com as fotos dos objetos mais assustadores já observados no espaço.
Um dos mais interessantes é esse par de galáxias aí ao lado, que parece sugerir a figura de uma caveira com olhos luminosos. Essa imagem estranha é o resultado da colisão de duas galáxias espirais semelhantes a nossa Via Láctea. Elas estão se misturando como vai acontecer com a nossa galáxia e a galáxia de Andrômeda daqui a um bilhão de anos. O que parecem dois olhos luminosos são na verdade os núcleos das duas espirais. Cada um deles contendo um buraco negro gigante.
E os buracos negros são objetos dignos de um filme de terror: Imagine o cadáver de uma estrela que devora tudo o que se aproxima dele. Um verdadeiro zumbi espacial. Isto é um buraco negro. Nas vidas das galáxias tudo se mede em milhões ou bilhões de anos. O que parece uma imagem estática é, na verdade, um abraço em câmera lenta. As duas galáxias se unindo são conhecidas no catálogo astronômico como Arp-Madore 2026-424. Elas ficam a 704 milhões de anos luz da Terra e sua colisão vai levar de um a dois bilhões de anos para ser concluída. Então, as duas galáxias vão se transformar em uma galáxia anel, que é um dos tipos mais belos do firmamento.
E o que vai acontecer com os buracos negros nos dois centros luminosos? Eles também serão unidos pelas forças gravitacionais e devem começar a girar um em torno do outro como parceiros em uma valsa cósmica. E, finalmente, podem se unir criando um buraco negro maior. O que vai provocar uma explosão de ondas gravitacionais cruzando o universo. Como as que foram detectadas pelo observatório LIGO há dois anos.

Fantasma: Os olhos são os núcleos de duas galáxias

Colisões de galáxias são comuns na história do Universo. Quando uma galáxia maior se encontra com uma menor ela a absorve. Nossa galáxia já fez isso com várias galáxias anãs. No caso da Arp-Madore 2026-424 as duas galáxias são do mesmo tamanho e do mesmo tipo, o que garante a formação de uma galáxia anel, como a famosa Galáxia Roda de Carroça na constelação de Sculptor. Elas ficam na constelação do Microscópio, no céu do hemisfério sul.
Atualmente a equipe do telescópio espacial Hubble está fotografando essas galáxias com formas peculiares, para escolher os objetos que serão observados com mais detalhes pelo futuro telescópio espacial James Webb, que será muito mais poderoso do que o Hubble.
O Hubble orbita a Terra a uma altura de 600 quilômetros. Ele foi lançado em 1991 pela equipe do ônibus espacial Atlantis, e colocado perto da Terra para que os astronautas pudessem ir até lá fazer manutenção periódica.
Já o James Webb será lançado pelo super foguete SLS e vai ficar no ponto de Lagrange entre a Terra e a Lua. Por esse motivo ele está sendo minuciosamente testado e verificado, porque os astronautas não poderão ir até lá consertá-lo, como aconteceu com o Hubble.

 

Jorge Luiz Calife

Nebulosa: Figuras humanoides na nebulosa SH2-136


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