domingo, 23 de fevereiro de 2020

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A ameaça de uma nova epidemia

Matéria publicada em 6 de fevereiro de 2020, 09:06 horas

 


Coronavírus vindo da China provoca novo alerta mundial; periodicamente surge uma mutação perigosa para os seres humanos

Para cada animal de grande porte existente no nosso planeta, existem milhões de vírus e bactérias microscópicas. Esses seres invisíveis são os verdadeiros senhores do planeta e a convivência com eles nem sempre é fácil. Ao longo de sua vida cada ser humano adquire imunidade contra dezenas de doenças transmitidas por bactérias e vírus. Mas, esses habitantes do microespaço estão sempre se modificando e sofrendo mutações. E, periodicamente, surge uma mutação perigosa para os seres humanos.
O atual surto do coronavírus, surgido na China, é apenas a mais recente ameaça de uma pandemia mundial. Eu era criança quando a gripe asiática, provocada pelo vírus H2N2 matou um milhão de pessoas no mundo inteiro, entre os anos de 1957 e 1958. Dez anos depois, entre 1968 e 1969, tivemos a chamada gripe de Hong Kong, que também matou um milhão de infectados. E mais recentemente houve a chamada gripe suína, ou gripe do frango, provocada pelo vírus H1N1, que começou no México e provocou campanhas de vacinação em massa contra as novas variedades desse vírus da gripe. Graças a uma resposta imediata da Organização Mundial da Saúde, a gripe suína matou “apenas” seis mil pessoas em todo o planeta.
Mas, até hoje a pior de todas as epidemias foi a da gripe espanhola, que surgiu em 1918, no final da Primeira Guerra Mundial. Cem milhões de pessoas foram mortas pelo vírus que atingiu até os cantos mais remotos do planeta, como as ilhas do oceano Pacífico. Estima-se que a espanhola tenha sido tão violenta quanto a chamada peste negra na Idade Média.
Geralmente as epidemias de doenças respiratórias matam mais idosos e crianças. Mas, o vírus da gripe espanhola era diferente e sua mortalidade maior era entre os jovens. A explicação para isso é que ele provocava uma reação do sistema imunológico, conhecida como “tempestade de citocinas”, que levava à morte. E como os idosos têm um sistema imune enfraquecido eles não tinham uma reação tão violenta quanto os jovens. Hoje sabemos que a gripe espanhola foi provocada por uma mutação extremamente agressiva do vírus H1N1. O mesmo que provocou a gripe suína de 2008/2009. Felizmente para nós ele ressurgiu menos agressivo do que no início do século XX.
O leitor pode perguntar por que a maioria dessas epidemias surge na Ásia, geralmente na China. Isso acontece devido a alta densidade de população naquele país. Grandes aglomerações de pessoas criam as condições ideais para a transmissão de qualquer tipo de vírus. Além disso, uma população muito grande exige a produção de uma grande quantidade de alimentos de origem animal. Em países como a China as pessoas criam galinhas e porcos em condições nem sempre ideais de higiene. E um vírus como o da gripe pode se desenvolver nesses animais e fazer a ponte para o hospedeiro humano.
O vírus é uma forma de vida totalmente diferente da nossa. Somos feitos de células que contêm proteínas e ácidos nucleicos. Já o vírus é apenas uma cápsula cristalina contendo uma fita de DNA. Ele não consegue se reproduzir sozinho como as células, ele usa as células de outros animais como meio de reproduzir. Ao se conectar a uma célula o vírus injeta nela o seu DNA. E com isso ele reprograma o núcleo da célula para produzir cópias dele mesmo.
O vírus mais eficiente é aquele que não mata seu hospedeiro. Como o vírus do resfriado comum. Ela se reproduz a vontade nos nossos corpos e depois vai embora. Isso acontece porque nós convivemos há tanto tempo com o resfriado que desenvolvemos a capacidade de lutar contra ele.
Os vírus mutantes são perigosos porque nosso corpo não tem defesas contra o seu ataque. E pode entrar em colapso. Graças a tecnologia moderna o risco de uma epidemia arrasadora tem diminuído. Os laboratórios modernos da OMS podem isolar um novo vírus e desenvolver uma vacina em poucos anos. Mas, é preciso ter cautela e seguir as precauções básicas. Como lavar e desinfetar as mãos com frequência.

 

Jorge Luiz Calife

Perigo: O vírus H1N1 causou a gripe suína e a temível espanhola


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