A cidade que destrói seu passado

by Diário do Vale

A maioria das cidades do mundo procura preservar seu passado. Aqui mesmo, em nossa região, é comum ver obras de restauração e preservação de prédios e monumentos antigos. Marcos da história das cidades. Alguns são até tombados pelo patrimônio histórico e não podem ser alterados. Infelizmente isso não acontece na cidade onde vivo. Em Pinheiral tudo o que é antigo acaba sendo destruído e apagado da memória. E a cidade perde muito com isso. Vejam por exemplo o que aconteceu com o Casarão da antiga fazenda de café, do século dezenove, onde Pinheiral praticamente nasceu. Deixado sob a guarda do antigo Colégio Agrícola, da Universidade Federal Fluminense, o casarão foi destruído em dois incêndios sucessivos. E hoje só restam ruínas cobertas pelo mato. Se houvesse sido preservado seria uma atração turística.

Outro caso, mais recente, foi a da antiga prefeitura. Que ficava num lindo prédio no estilo arquitetônico da Califórnia espanhola, com suas entradas em arco. Ele foi demolido impiedosamente para dar lugar a enorme caixa de vidro da nova prefeitura. Este colunista reconhece que, com a expansão da cidade, Pinheiral precisava de uma nova prefeitura, mais ampla e espaçosa. Mas será que não dava para construí-la em outro lugar. Mantendo o prédio antigo para abrigar, quem sabe, um centro cultural.

Agora estão fazendo obras nas praças Brasil e Teixeira Campos. Os prefeitos de Pinheiral adoram fazer essas obras de dez em dez anos. Quando cercaram as duas praças com tapumes de metal, no mês passado, uma amiga, que tem um comércio na Teixeira Campos, comentou. “O que será que eles vão fazer? Será que vão derrubar os antigos coretos, que são marcos históricos?” Infelizmente ela estava adivinhando o que ia acontecer. A praça Teixeira Campos tinha dois coretos, um maior, mais alto, e o antigo, feito de pedra, que datava da inauguração da praça, em novembro de 1946, pelo prefeito José Rodrigues Fortes. É o que diz a inscrição em uma placa colocada durante o governo do doutor Toninho em 2005. A placa continua lá, em frente a estação. Do antigo coreto não resta mais nada, as máquinas passaram por cima e não deixaram nenhum traço.

Aquele coreto era parte da memória de Pinheiral. Meu pai costumava jogar xadrez com o deputado Alcides Sabença, que hoje dá nome a uma pequena praça, embaixo daquelas colunas de pedra, nos idos da década de 1950. O coreto tinha uma coberta de laje que já tinha sido retirada. Agora desapareceu completamente. Quero acreditar que a prefeitura tenha guardado aquelas pedras antigas e todos os elementos do coreto de pedra para reconstruí-lo quando terminarem as obras. Que, segundo a placa colocada no local, devem durar seis meses. (O que significa que no próximo carnaval a população não vai brincar na praça como de costume).

Outra coisa preocupante foi o dano causado pelas máquinas nas raízes das árvores da praça Brasil. As raízes laterais foram cortadas e arrancadas. O que vai deixar as grandes árvores sem a sustentação necessária durante os temporais do verão que se aproxima. Com os ventos fortes que acompanham essas tempestades o risco das árvores tombarem não pode ser desprezado.

Talvez o leitor já tenha visto o brasão de Pinheiral, que aparece nos ônibus escolares. Ele mostra a estação de trem, uma olaria, e o casarão dos Breves. O casarão se foi, as olarias fecharam e estão em ruínas. Só resta a estação, construída em 1908. Tomara que não derrubem também.

 

Lembranças: A estação ficou, o coreto se foi

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3 comments

Paulo 8 de novembro de 2022, 09:18h - 09:18

Eu fique triste quando fui a Pinheiral e vi que derrubaram o prédio com o bar do seu Ernesto , a antiga farmácia e a sapataria do seu Tião sapateiro

Paulo 8 de novembro de 2022, 09:15h - 09:15

Bom dia , essa prefeitura foi construída na década de 80 ( entre 85 a 90 ) e o antigo correto já se foi a muito tempo , quando reformaram a praça, foi quando colocaram o chafariz

Sincero 8 de novembro de 2022, 17:15h - 17:15

Reclamar é fácil demais, julgar é tão fácil quanto. Porque nunca vejo um colunista jogar ao vento ao menos uma longe luz para uma possível solução? Sabe quanto custa ao cofres públicos manter um imóvel “antigo”? Custo esse corretivo e preventivo. Escreva com consciência,com propriedade …mas além de tudo escreva com sensatez. Não julgue uma cidade com um título desses se não tem conhecimento de causa. Não sou de pinheiral mas sei do que estou falando.

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