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A crise do diesel e as ferrovias

Matéria publicada em 24 de junho de 2022, 16:05 horas

 


Modelo arcaico de transporte ameaça novamente a economia

 

O sistema obsoleto de transporte de cargas no Brasil ameaça novamente entrar em crise. Desta vez devido ao aumento do preço do óleo diesel. Os caminhoneiros falam em parar o país. E não se trata de uma nova greve. Eles dizem que vão parar porque o preço do combustível não compensa mais o que eles ganham com o frete. O presidente da República coloca a culpa na Petrobrás. Provocando a demissão do diretor da empresa. Fala-se num auxílio de mil reais para os caminhoneiros. Mas eles respondem que nem que fosse cinco mil reais cobriria os custos do combustível.

Como de costume ninguém toca na raiz do problema. Que é o sistema obsoleto de transporte de cargas por caminhões, implantado no Brasil desde o governo Juscelino Kubitschek, lá em 1960. Quando começou o desmonte da malha ferroviária brasileira. Qualquer estudo técnico de logística vai mostrar que a carreta é o meio mais caro e ineficiente de transportar mercadorias. Para transportar uma tonelada de carga por cem quilômetros um caminhão gasta 2,3 litros de óleo diesel. Já um trem consome apenas meio litro e uma balsa 300 mililitros. É por isso que os rios da Europa e da América do Norte vivem cheios de balsas repletas de containers com todo o tipo de mercadoria. No Brasil a navegação fluvial foi praticamente abandonada e só existe na Amazônia.

O trem, além de consumir menos combustível, carrega, em uma única composição, o equivalente a uma frota inteira de caminhões. Aqui em Pinheiral é comum assistirmos a passagem de trens com pranchas carregadas de bobinas de aço da CSN. Em uma única prancha cabem mais de cinco bobinas. Outro dia uma carreta, com uma única bobina daquelas, quebrou na descida da Serra das Araras, paralisando o trânsito durante horas. O que mostra como a opção rodoviária brasileira, implantada a partir de 1960, é cara, ineficiente e obsoleta.

O mesmo trem de carga, que atravessa a nossa região, as vezes pode ser visto com alguns poucos containers em cima das pranchas. Dá até vontade de rir. Olhem para a foto aí embaixo de um típico trem de carga nos Estados Unidos. Os containers são colocados uns em cima dos outros e as pranchas ficam repletas. E é só a composição parar no porto mais próximo onde toda aquela carga será transferida para um navio. E a um custo muito menor do que se fosse transportada por uma frota de caminhões.

Os líderes das nações mais desenvolvidas sabem disso. Em época de combustível caro é preciso priorizar os meios de transporte mais eficientes e econômicos. Como a ferrovia e o transporte fluvial e marítimo. O Japão é o primeiro do mundo em malha ferroviária. O Brasil ocupa um 93º lugar, uma posição típica de países subdesenvolvidos. Já estivemos em situação melhor no passado. Na década de 1960 tínhamos 35 mil quilômetros de trilhos. Em 2017 este número tinha caído para 12 mil. E sabemos que uma tonelada de soja transportada por carreta fica 40% mais cara do que se for transportada por trem. O país perde 100 bilhões de reais todo o ano devido ao sucateamento de suas ferrovias.

E o prejuízo não é só com o transporte de carga. O número de passageiros transportados por trens no Brasil caiu de 100 milhões para 1 milhão nos últimos cinquenta anos. Vejam o que aconteceu aqui na nossa região. Na década de 1980 tínhamos um trem urbano que circulava de Barra do Piraí até Resende. Um trem elétrico, que não era afetado pelo preço do diesel. A passagem era barata e o percurso de Pinheiral até Volta Redonda era feito em dez minutos. Aí, os nossos sábios governantes, acabaram com o trem elétrico para implantar linhas de ônibus. Ônibus que leva 45 minutos para fazer o percurso que o trem fazia em 15 minutos. Pulando por cima de 33 quebra-molas enquanto os passageiros viajam espremidos, pagando uma passagem cara. É o que se chama de progresso aqui no Brasil.

E agora vão correr atrás do prejuízo.

 

Estados Unidos: Uma composição repleta de containers

 


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7 comentários

  1. Sebastião Oliveira

    O colunista mostra em seu artigo desconhecimento dos avanços promovidos pelo atual governo federal no modal ferroviário.
    A previsão é aumentar de 17% para 40% a participação das ferrovias na matriz de transporte.
    Por meio do novo marco regulatório das ferrovias foi estimulado a construção de novas ferrovias pela iniciativa privada.
    Por exemplo, existem mais de 70 pedidos de concessão/construção de ferrovias por empresas privadas.
    A Rumo, concessionária de ferrovia, já possui vagões double stack (dois conteiners empilhados), ou seja, diferente do citado no parágrafo quatro do artigo.
    As ferrovias Norte-Sul, Integração Oeste-Leste e Transnordestinas, que estavam com obras paradas nos governos anteriores, foram concluídas (Norte-Sul) ou em fase final de conclusão (FIOL e Transnordetina)
    Apenas a Ferrogrão está com as obras paradas porque o PSOL entrou com ação de inconstitucionalidade no STF. Observe que a ferrovia será construída ao lado de uma rodovia (BR-163) já existente, ou seja, o desmatamento será minimizado.
    Enfim, Fora PSOL, PT e siglas associadas que só atrapalham o progresso do Brasil.

  2. O atual governo tem feito muito para aumentar a malha ferroviária, porém não dá para fazer milagre em 4 anos. Isso é um trabalho que tem que ser feito no mínimo em 10 anos.

  3. 20 anos de governos Militares: Ponte Rio Niterói, as Hidrelétricas Tucuruí, Balbina e Itaipu , Angra 1 , 2 e 3, rodovia transamazônica, etc. 40 anos de governos civis corruptos: Estádios de futebol e rodovia do contorno, kkkk. Isso quer dizer se não fossem os Militares estaríamos no apagão.

  4. Juscelino começou, LULA PT incentivou fazendo financiamento de caminhoes e agora a conta esta chegando, E a ferrovia agora esta sendo vista como uma sempre nova oportunidade que tinha e foi acabando com os anos, Ferrovia é o Futuro…

  5. Brasil, o país do futuro (que nunca chega!).

  6. Nesses anos todos de desgoverno e o povo quieto, não se manifestou.

  7. Essa regressão das ferrovias sai cara mesmo. Outra coisa é os locais onde os trens circulavam foram sufocados pelo crescimento das cidades nos ultimo 30 anos, para desapropriar ficará inviavel e para colocar fora das cidades será um desafio.

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