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A crise, o desemprego e a internet

Matéria publicada em 19 de fevereiro de 2016, 07:15 horas

 


Informatização de serviços cria mais dificuldades para o acesso a direitos básicos

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O Brasil vive a pior crise de sua história. Isso todo mundo já está cansado de saber. É impressionante como a “Dilmalândia”, aquele país de fantasia criado para eleger a presidente da República, desmoronou como um castelo de cartas. É desemprego, inflação, colapso dos serviços públicos e uma dívida interna que não para de crescer. Nesta hora de sufoco geral o cidadão, que trabalha cinco meses por ano só para pagar impostos, tem dificuldades até para conseguir aqueles direitos básicos, garantidos pela constituição.

Vejam por exemplo o que aconteceu com o seguro desemprego. No ano passado o governo anunciou que os requerimentos para esse direito do trabalhador tem que ser feitos, obrigatoriamente, pela internet. Antes os trabalhadores desempregados tinham a opção de fazer isso pessoalmente nos postos de atendimento. Enfrentavam filas, é claro, mas eram atendidos. Agora não tem mais essa opção. Quem não conseguir “agendar” o atendimento pela internet fica sem receber o benefício.

Segundo o governo o objetivo é “agilizar o atendimento”. Na prática só cria um obstáculo maior ainda. Para começar nem todo mundo tem computador em casa. A opção, para quem não tem, é ir na lan house mais próxima. O problema é que o site do Ministério do Trabalho vive sobrecarregado e para conseguir alguma coisa é preciso passar dias tentando na frente do computador. O cara perdeu o emprego, está precisando do seguro para comprar o pão e o leite para alimentar sua família e ainda vai ter que passar semanas pagando horário em alguma lan house para conseguir receber o seguro que é um direito dele.

Até coisas mais simples se tornam uma via crucis quando se trata do governo brasileiro. Vejam por exemplo o caso deste cronista que vos escreve. Em novembro do ano passado eu precisei requerer uma segunda via da minha carteira de trabalho. Minha primeira carteira já está com mais de quarenta anos de uso e não tem mais espaço para aquelas anotações de férias e aumentos de salário.

Burocracia sem fim

Como a carteira de trabalho é um direito básico do trabalhador, assegurado pela constituição, achei que seria simples conseguir uma carteira nova. A gente sempre subestima a burocracia do governo. O primeiro passo foi fazer uma visita ao posto do Ministério do Trabalho, ali no Aterrado. O funcionário que me recebeu foi dizendo logo que não era possível agendar um atendimento sem marcar antes pela internet ou pelo telefone. Me deu um número de telefone explicando que é preciso fazer a ligação de um telefone fixo, de celular não funciona. Se não tivesse um telefone fixo podia fazer o agendamento através da internet, pelo site do Ministério do Trabalho.

Tentei o telefone. Dava sempre ocupado. Depois tentei fazer contato pela internet. A página abre rapidinho e depois que você escolhe a opção ela cai em um menu que pede dados básicos como CPF, telefone e etc. Preenchido tudo isso ela abre um calendário com os dias disponíveis naquele mês, para agendar o tal atendimento. É aí que começam os problemas. No início de novembro passado, quando fiz a primeira tentativa, todos os dias já estavam marcados em vermelho, indicando que não havia mais horários disponíveis naquele mês.

Se não havia mais dias disponíveis em novembro, a solução era agendar no mês seguinte, dezembro. Mas quando abri na tela o calendário de dezembro descobri que ainda não estava disponível. Me parece ilógico. Se não tem mais horários em um determinado mês devia poder agendar no mês seguinte. O fato é que até hoje, três meses depois ainda estou tentando conseguir um horário disponível.

Tenho um colega, também jornalista, que levou três meses para conseguir um agendamento. Agora imaginem um trabalhador desempregado, enfrentando esse bloqueio informático na hora de conseguir o seguro desemprego. No mínimo vai ter um colapso nervoso.

Burocracia: Até tirar carteira de trabalho está difícil no país da Dilma (Fotos Públicas)

Burocracia: Até tirar carteira de trabalho está difícil no país da Dilma (Fotos Públicas)

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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