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A crise que enfrentamos e as festas municipais

Matéria publicada em 15 de maio de 2015, 06:25 horas

 


Governo fica sem dinheiro e em Rio Claro não vai ter festa

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Cenário: Ano passado a festa foi na praça principal (Foto: Paulo Dimas)

Cenário: Ano passado a festa foi na praça principal (Foto: Paulo Dimas)

O Brasil vive tempos de crise e tanto o cidadão, como o governo, precisa evitar os gastos desnecessários. Uma nota publicada no DIÁRIO DO VALE do dia 19 de abril passado despertou a atenção deste colunista. A prefeitura de Rio Claro cancelou a festa comemorativa dos 166 anos de emancipação daquele município. No texto, publicado em nota oficial, diz que em momento de crise “a prefeitura não pode e não deve disponibilizar, com festas, os escassos recursos de que dispõe”. Uma decisão sábia, afinal existem coisas mais importantes do que essas festinhas de aniversário dos municípios.

No caso de Rio Claro, a prefeitura de lá acha mais importante manter o salário dos funcionários públicos e gastar os recursos com a Educação e a Saúde. Uma pena que nem todos os prefeitos pensem assim. Afinal o momento atual pede o enxugamento das despesas e o corte dos gastos. A crise econômica já atinge todos os setores do nosso país. Recentemente o governo federal suspendeu a concessão de bolsas de estudo do Fies devido à falta absoluta de dinheiro. O que vai obrigar muitos estudantes a trancar matrícula na faculdade.

E isso acontece com um programa do governo federal. Imagine a situação dos municípios, que contam com recursos bem menores. Queimar dinheiro com festa em um momento desses é uma demonstração de insensatez.

Em Pinheiral, onde moro, não há crise que afete a programação festiva da cidade. Onde o transporte é péssimo e faltam médicos nos postos de saúde. Este ano o município comemora 20 anos e parece que vai ter uma festa de arromba. No governo passado a festa acontecia no Campo do Capitólio, que fica a uns duzentos metros do hospital, do pronto socorro e do asilo de velhos. A festa era mais importante do que a paz dos doentes e dos idosos.

Nunca vou me esquecer de uma dessas festas em que armaram uma boate itinerante ali no campo de futebol. Quem acompanha essa coluna ao longo dos anos deve se lembrar do comentário que escrevi naquela época. O baile funk só terminou às quatro horas da madrugada. Na minha casa, que fica a quinhentos metros do Capitólio, as janelas tremiam com o barulho. O hospital e o asilo ficam muito mais próximos e calculo que os pacientes e os idosos também não conseguiram dormir naquela noite. E pasmem, naquela época o prefeito de Pinheiral era um médico. Que parece nunca ter ouvido falar nas normas de silêncio perto de hospitais.

Com a mudança de governo as festas passaram a ser realizadas nas Praças Brasil e Teixeira Campos. Para desespero de quem mora lá. Além do barulho, as festas em Pinheiral incomodam pelo cheiro. Uma parte das pessoas que frequentam esses eventos acha normal urinar no meio da rua. Não adianta colocar banheiros químicos perto do local, eles chegam no portão das casas, abrem o zíper da calça e urinam no portão da gente sem a menor cerimônia. No dia seguinte cabe ao morador, que paga IPTU caro, jogar água e desinfetante no portão e na calçada. O cheiro costuma ser insuportável.

Como no caso de Rio Claro, Pinheiral devia empregar seus recursos em coisas mais importantes do que festas. Se uma pessoa cai e sofre uma fratura tem que ir para Volta Redonda, porque geralmente não tem ortopedista disponível na cidade. Se precisar de um oftalmologista eles marcam a consulta em Piraí, às oito horas da manhã. Porque também não tem oftalmologista em Pinheiral. Detalhe, não há ônibus direto do Centro de Pinheiral para Piraí.

O transporte é outro problema antigo no município. Em época de eleição sempre prometem que vai melhorar. Não muda nada, as pessoas continuam viajando em ônibus superlotados pagando um preço absurdo. Mas recursos para festas não faltam. Este ano corre o boato de que a festa vai voltar para o Campo do Capitólio. Espero que seja só um boato, desses que correm pela internet.

Jorge Luiz Calife/ jorge.calife@diariodovale.com.br


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3 comentários

  1. Avatar

    Concordo com você, Calife, sou de Pinheiral e vejo as carências do município, se houver festa, será uma vergonha, muitos tentando economizar e o nosso prefeitinho do partido petralha, esbanjando!!!! Só podia ser em Pinheiral, quem apoia, não mora lá, não usa o sistema de saúde e muito menos anda nos ônibus, que como você falou, houve promessas de melhora, mas só piorou, me lembro que este prefeitinho de araque, até panfletos dizendo que ia melhorar os ônibus publicou, mas depois que ele venceu, nada de nada!! Se esqueceu!!! Tinha que ser do partido petralha, mesmo!!! VERGONHA NACIONAL!!!!

  2. Avatar

    BOM DIA CALIFE, VC ESTÁ CONFUNDINDO INCOMPETENCIA COM COMPETENCIA ADMINISTRATIVA, UMA COISA NAO TEM NADA HAVER COM A OUTRA, VC NÃO SABE COMO UMA FESTA MOVIMENTO O COMERCIO DA SUA CIDADE (PINHEIRAL) MAS COMO VC NÃO DEPENDE FINANCEIRAMENTE DELA TANTO FAZ PARA VC.

  3. Avatar

    Um absurdo… prefeituras cultivando uma geração inteira de pessoas sem o mínimo respeito ao próximo e ao patrimônio público!!!! Lamentável.

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